sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Gostoso, mas atenção à asa do cântaro


Ganhar no último segundo do jogo, com um penálti assinalado por Fábio Veríssimo é, evidentemente, dos desfechos mais gostosos que poderá haver numa partida do Benfica.


Fica-se por aqui, mesmo não sendo pouco, o que de prazenteiro se leva deste jogo com o Vizela, na Luz, a contar para a quinta jornada do campeonato. A consequente manutenção da liderança isolada, e o grande golo de Neres, que deu então o empate a cerca de um quarto de hora do final da partida, é o que de realmente bom fica do jogo. 


O Vizela apresentou-se na Luz como se apresentara o Paços há três dias, e como já se percebeu que se apresentarão praticamente todos os adversários que se seguirem. Não é novidade: início do jogo com pressão pelo campo todo e, logo a seguir, recuar toda a gente em modo de dois autocarros à frente da baliza. Depois é esperar por um contra-ataque para apanhar a defesa benfiquista de calças na mão, que aconteça o golo no primeiro remate e começar a  queimar tempo, de toda a maneira e feitio. Para gastar tempo e para quebrar o ritmo de jogo. Se os jogadores do Benfica desatarem a desperdiçar as poucas oportunidades que consigam criar, fica a receita completa.


Não é sequer nova, mas o Benfica tem grandes dificuldades em impedir que funcione. E já é caso para dizer que "tantas vezes o cântaro vai à fonte que um dia lá deixa a asa".


Não há nada por inventar. O antídoto é velocidade e intensidade, complementadas com chegadas permanentes à linha de fundo e mudanças rápidas de flanco. Sem esses ingredientes, já só sobra esperar por momentos de inspiração de um ou outro jogador, como sucedeu com o golo de David Neres. O único que o jogo teve!


Com a inspiração individual divorciada, como anda, dos jogadores, o Benfica está a ir vezes de mais com "o cântaro à fonte".


Para além da "receita" universal dos adversários há ainda a velha receita da arbitragem. Depois de Soares Dias, veio na "encomenda" Fábio Veríssimo. Mais um "especialista" na gestão do jogo à maneira, que nem o penálti no último segundo limpa. Não o ter assinalado seria apenas mais um escândalo, como fora, minutos antes, não só não ter assinalado o penálti sobre Gonçalo Ramos como, ainda, o ter expulsado com o segundo amarelo, por simulação.


O Benfica sai deste jogo com duas expulsões, e portanto com dois jogadores impedidos para a próxima jornada. A de Gonçalo Ramos é um roubo de catedral de Fábio Veríssimo. A de João Mário - por muito que, evidentemente, se perceba a "loucura" que é marcar o golo da vitória num jogo destes, e desta forma - não tem nada que se lhe diga. A culpa, mesmo que se perceba a justificada "loucura", é só do jogador, que tem de saber que a lei, mesmo que seja a mais estúpida das leis, é lei. Levar com um amarelo por tirar a camisola depois de marcar um golo, acaba por se perdoar. Quando é o segundo, e implica a expulsão, mesmo este golo, fica mais difícil.


De resto os jogadores do Vizela viam amarelos por faltas duras e/ou para impedir jogadas de perigo para a sua baliza. E o treinador substituía-os para evitar o segundo. Os do Benfica, por simplesmente reclamarem. Até por levantar o braço a reclamar um canto, o Enzo viu o amarelo. E o João Mário por reclamar de uma falta sofrida, e não assinalada. 


Contra estas "encomendas" o Benfica pouco poderá fazer. Já contra a receita dos adversários em campo, tem mesmo muito mais a fazer.


Os jogadores não podem adormecer, e não podem, com dez adversários metidos dentro da área, insistir em jogar pelo meio. Não podem, nos poucos momentos em que o adversário sobe no terreno, deixa espaço nas costas, e lhe permite superioridade numérica a atacar, deixar de a aproveitar com decisões erradas. 


Porque nem tudo pode ficar para resolver com a inspiração dos jogadores. É que é difícil que ela apareça quando as coisas não estão a correr bem. E mais ainda se o talento não for assim tanto como às vezes julgamos. 


A festa imensa, como a chama, no fim de um jogo ganho no último segundo, quando já nada o fazia admitir, mas ainda assim de forma merecida, não esconde estas dificuldades. Se não forem rapidamente superadas o "cântaro perde a asa" mais depressa ainda.


Ah... e o menino António Silva se não é, aos 18 anos, o melhor central do Benfica é, pelo menos, o melhor central disponível. E isso é outra das poucas boas notícias deste jogo!  


 


 


 


 


 

3 comentários:

  1. Faz agora 40 anos, o grande Sven-Göran Ericksson, foi buscar um rapaz dinamarquês,alto e loiro, chamado Maniche (o verdadeiro)…Na altura ninguém percebeu muito bem porque é que o Benfica que tinha uma equipa recheada de jogadores talentosos, precisava de um viking,que quando chegou, mal sabia dar um chuto numa bola…Mas Ericksson, que era um homem inteligente e já tinha analisado as especificidades do campeonato nacional, percebeu que por vezes, por muitas vezes até, mais que com jeito, a coisa tinha que ir á força…Quero acreditar que rapidamente Roger Schmidt possa demonstrar a mesma sagacidade demonstrada por Ericksson há 40 anos atrás.

    ResponderEliminar
  2. esta arbitragem portuguesa e seus dirigentes,nao vao ao mundial porque nao tem qualidade.
    o presidente fpf e da liga portugal ..em letras pequenas ? sao uns corruptos que enojam os portugueses.. ja disse dessa pouca vergonha varias vezes e continue a dizer.. aqui nesta area do outro lado do atlantico ,houve por varios anos campeonatos de futebol que tambem eram dirigidos por portugueses e a mer....a era a mesma ...por isso finalmente acabou
    BENFICA SEMPRE...O UNICO...

    ResponderEliminar
  3. como um equipa, pode vencer ou empatar jogos..com a equipa adversaria com 11 jogadores no seu meio campo.. muitos deles estao a vencer e continuem la atras ..viram rio ave- porto
    futebol vergonhoso

    ResponderEliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...