sábado, 1 de outubro de 2022

Alguma vez teria de ser. Desta forma é que não!


Alguma vez o Benfica haveria de não ganhar. Não se admitiria que fosse hoje, em Guimarães, que interrompesse a longa série vitoriosa desta época, mas algum dia teria de ser. 


As visitas a Guimarães são sempre anunciadas de grandes dificuldades. A comunicação desportiva faz sempre questão disso. Mas a verdade é que, nos últimos anos, esse anúncio tem acabado por se revelar francamente exagerado, e o Benfica tem até encontrado mais dificuldades em casa, contra esta equipa, que propriamente em Guimarães. A História recente destes jogos em Guimarães, mesmo sem resultados muito desnivelados, regista exibições categóricas do Benfica que sempre transformaram em fácil o apregoado jogo difícil, por mais difíceis que fossem, como são sempre, as condições encontradas. 


Talvez por isso não se esperasse que fosse hoje que seria interrompida a sequência de vitórias, e já se fizessem contas aos cinco pontos de vantagem sobre o Braga e o Porto, e aos onze sobre o Sporting. E talvez, agora por isto, hoje seja dia de azia.


Mas o que verdadeiramente tem de provocar azia é a exibição de hoje. O Benfica não só chegou atrasado ao jogo - nos primeiros vinte minutos não compareceu - como chegou sem o seu futebol, que nunca apresentou sobre o relvado de Guimarães.


A equipa do Vitória entrou com tudo, com energia e motivação para dar e vender. O Benfica pareceu surpreendido com aquela entrada, e tardou a entrar o jogo. E depois de entrar no jogo, a partir do meio da primeira parte, faltou-lhe o seu futebol. Roger Schemidt tinha admitido recear alguma dificuldade em pôr o motor em marcha, e confirmou-se. O motor nunca funcionou!


A partir dos 20 minutos da primeira parte o Benfica começou a ter mais bola, mas só isso. Nunca encontrou solução para criar sequer condições para criar oportunidades para ganhar o jogo. O Vitória tinha a lição bem estudada, é certo. Sempre muito compacta, fosse em bloco baixo, fosse mais adiantada no terreno, nunca deixou espaços entre linhas, espaços que são o oxigénio de Rafa, Neres, Gonçalo Ramos ou João Mário. E a equipa nunca respirou ... futebol.


Há jogos que se resolvem com substituições, trocando jogadores menos inspirados, ou mais cansados, por outros que eventualmente possam trazer inspiração ou frescura física. Hoje percebeu-se muito cedo que a desinspiração era grande, mas também que a equipa não estava preparada para as dificuldades que estava a encontrar. Os de Guimarães não concediam espaços e ainda ganhavam todas as segundas bolas, fosse lá atrás, a defender, ou lá à frente, a atacar. E isso não se resolvia apenas trocando jogadores. Era preciso mais, e percebeu-se que esse mais não estava preparado.


E por isso as substituições não resultaram. E por isso falhou tão clamorosamente aquela substituição para tentar imitar o que Rúben Amorim fazia com Coates, com a entrada do central Brooks para a frente de ataque. No desespero, poderia até fazer sentido. Só que os quase 10 minutos que o gigante norte-americano esteve em campo foram passados com ele de costas para a baliza adversária, a 30 metros de distância. E a fazer faltas em cada disputa da bola nas alturas, chutada por ... Vlachodimos.


Para que esta substituição fizesse algum sentido ele teria de estar em permanência na área, e as bolas a serem cruzadas das laterais. E isso nunca aconteceu, a não ser no último lance do jogo, na única oportunidade que o Benfica teve para poder marcar um golo, esvaída no remate para as nuvens de Draxler.


Pode ganhar-se um jogo sem jogar bem. Mas isso é tão improvável como acertar na chave do euro-milhões. A jogar assim, o Benfica nunca poderia ganhar este jogo. Como nunca ganhará qualquer outro!


Como comecei, "alguma vez o Benfica haveria de não ganhar". Não poderia era ser assim. E isso é que é preocupante, não são os dois pontos perdidos. Ou o ponto ganho, como Schemidt, clarividente, referiu.


Que essa clarividência lhe sirva para evitar que uma exibição destas se repita!

3 comentários:

  1. No futebol costuma-se dizer que uma equipa só joga aquilo que a outra deixa jogar, basicamente foi isso que aconteceu em Guimarães. Um Benfica menos inspirado do que aquilo que tem sido habitual esta época e um Vitória que mais que jogar, apostou em não deixar jogar, uma vez que o simples facto de travar o percurso 100% vitorioso do Benfica já era para os de Guimarães motivo de festa rija, como se viu no final…Na verdade, nem o Benfica era uma super equipa até ontem, nem passa a ser uma equipa banal a partir de hoje.O que importa é seguir o rumo traçado com coragem e determinação, á Benfica.
    E Pluribus Unum

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  2. o guimaraes nao deixou o benfica jogar,e nao podia jogar melhor ..por isso perdeu 2 pontos e bem bom que podia ter perdido? a arbitragem do costume o arbitro nao sabe controlar o jogo

    ja nao e de agora..penalti para o guimaraes poderia ser mas o andre ja estava amarelado e teria de se expulso mesmo assim o guimaraes a jogar asssim nao vai a lado nenhum BENFICA SEMPRE ..vamos ver quem sera melhor para a liga dos campeoes..

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  3. O Benfica ainda não é uma super equipa e os fans não podem ceder ao primeiro resultado quase negativo.

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