sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Crise geral


Parece que vai para aí uma onda de roubos de produtos alimentares nos supermercados, a crer na primeira página de hoje no jornal de referência da nossa tão pobre praça jornalística.


A notícia que faz primeira página é depois desenvolvida na secção "Sociedade". E aí começamos por ver que, da participação deste roubos à PSP, "só há dados até Junho", mas que " o crescimento de casos acelerou neste segundo semestre". Sem dados, e que ainda vai a meio...


Sem dados mas com um - um, repito - testemunho de um segurança de um supermercado. Pungente. Relata que "tem apanhado muitos idosos a tentar levar pão, salsichas ou atum". Que "há mulheres com filhos que dizem que já não têm como lhes dar de comer. E conta: "Prefiro que me peçam. Não sou rico, mas posso oferecer alguma coisa. E eu próprio vou à caixa pagar”.


No entanto, quando passa à informação que os supermercados estão a instalar alarmes em alimentos, a peça recorre ao testemunho de dois funcionários de uma cadeia onde isso está a acontecer, que o justificam  por haver "quem os leve em mochilas para depois os vender a preço mais baixo no mercado negro.” 


Escrevendo em manchete que a "crise faz disparar roubo de comida" este jornalismo de referência  fala de roubo de comida para matar a fome para, depois, se formos ler, misturar com o roubo de comida para alimentar expedientes.


É tudo resultado da crise. Até da crise do jornalismo que por cá vai engordando!

2 comentários:

  1. O Expresso perdeu credibilidade há mais de 7 anos... quando apoiou o cavalo errado e quis punir quem não lhes ofereceu 650 milhões em despesas de publicidade.
    Os jornalistas é tudo membro do PSD, alguns parte das últimas direcções, outros são do Iniciativa Liberal e há os comentadores do CDS. A SIC passou muito mal com as legislativas. Tinham 600000000000000000000 sondagens que variavam entre a coligação PSD-IL-Chega-CDS-PNR conseguiam 118 deputados e outras que davam 110 deputados à coligação de direita e 92 ao PS. Com esses resultados, escreveram os papéis para a festa da direita. Quando os primeiros resultados começaram a surgir, Bernardo Ferrão, ficou desesperado. Tinha tudo pronto para poder vir a ser membro de alguma comissão do governo, com o anoitecer foi tudo por água abaixo. O próprio Expresso anunciava o PS como ganhando as eleições e a "coligação, estilo Açores, ser a vencedora e o novo governo de Portugal".
    Agora só continuam com essa qualidade. Como 99,9999999999% dos leitores só olham para os cabeçalhos, ou para os 5 minutos de cada noticiário, vitória do jornalismo. A CMTV é a perita nisso... atiram tochas para o ar e anunciam que vai haver incêndio gigantesco, não acontece, inventa-se.
    Ainda ontem, na CNN Portugal, uma funcionária de um café, queixava-se que o valor de ajuda do governo "nem paga 20% do que o meu filho vai gastar a ir passar o natal na Itália, vai gastar 1500 euros, os 300 euros que recebemos nem dá para pagar o bilhete de avião".

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  2. Roubam comida para a vender a preços mais baixos? Então merecem uma medalha.

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