terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Dia Histórico na selecção nacional


Cristiano Ronaldo não é a fonte de onde brotam todos os problemas da selecção. Mas que de lá sai a maior parte deles, ficou hoje mais que demonstrado. 


Os que não têm essa origem, têm-no, como tem sido dito e redito, por aqui e não só, no seleccionador. Na sua ideia de jogo que mata à nascença o talento e a alegria de jogar destes jogadores, mas também naquilo que tem sido a notória subserviência a Ronaldo. 


Hoje Fernando Santos libertou-se dessa subserviência e, com isso, libertou os jogadores para uma exibição e um resultado que, agora sim, dá sentido às palavras que antes eram proferidas em vão. A proclamada aspiração de ser campeão do mundo, que antes era ridícula, é hoje ambição legítima.


Acredito, e creio que a maioria das pessoas que acompanham estas coisas também, que na origem de tudo o que hoje mudou na selecção portuguesa esteja o episódio do minuto 67 do jogo com a Coreia.


As palavras de Ronaldo no momento da sua substituição, foram uma óbvia traição a Fernando Santos. Traição de Ronaldo, porque o tem defendido, acima de tudo e de todos. E traição da estrutura da Federação porque, para defender o jogador do indefensável, o projectou, mais que para o ridículo, para a indignidade e o descrédito.


Ao fabricar aquela patética "concertação" de comunicação, escondendo-lhe o que tinha sido testemunhado por dezenas de câmaras de televisão, e impingindo-lhe um  insulto de lana caprina a um coreano qualquer, a Federação atingiu-o na própria dignidade.


Traído, Fernando Santos, percebeu finalmente que, para sobreviver, teria de se libertar da teia de cumplicidades que o envolvia. E de mudar de paradigma.


E ganhou respeito. Dos adeptos, mas acima de tudo dos jogadores.


Ronaldo ficou no banco, como não poderia deixar de ser. Não ficavam resolvidos todos os problemas da selecção, como os primeiros 10 minutos do jogo demonstraram. Mas ficaram resolvidos quase todos.


Foi o tempo que os jogadores demoraram a soltar-se e a habituarem-se ao novo paradigma de liberdade, que lhes permite jogar o que sabem. A partir daí foi jogar à bola.


E isso todos sabem fazer. João Félix, Bernardo Silva, e Bruno Fernandes como poucos. E como jogaram ... E como jogou, e o que trouxe Gonçalo Ramos para o futebol da selecção. Com três golos - o primeiro hat-trik deste Mundial - e ainda uma assistência para Rafael Guerreiro, no quarto golo.


Foi "só" isso o rendimento do substituto de Ronaldo. Saiu a 20 minutos do fim, com o resultado em 5-1, para entrar Ronaldo, numa substituição que se entende perfeitamente. Que reforça a autoridade do seleccionador, protege a equipa e ... protege Ronaldo. Que continua a não saber proteger-se. Foi o primeiro a sair para o balneário, deixando os colegas no relvado a festejar o apuramento. Por ele, só festeja os seus êxitos pessoais!


A fechar uma grande exibição, e um resultado histórico, sem paralelo nestes oitavos de final, um grande golo de Rafael Leão, um dos últimos a entrar, mas ainda a tempo de deixar a sua marca num jogo onde a Suíça foi completamente atropelada, e vergada a - certamente - uma das derrotas mais pesadas da sua História. 


Agora, nos quartos, segue-se a sensacional selecção de Marrocos. Com os novos horizontes abertos por este dia histórico para a selecção nacional é legítimo, agora sim, aspirar às meias finais. E, para já, repetir 1966 e 2006.


 


 


 

6 comentários:

  1. E hoje finalmente o engenheiro conseguiu substituir a peça enferrujada.

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  2. Não vou ter saudades nenhumas do Vaidosonaldo, um tipo narciso, egoísta, individualista, egocêntrico. Quando não é ele a marcar os golos a festa já não é a dele como se viu ontem contra a Suiça. Esta atitude provou mais uma vez que não é o bem do coletivo que está nas suas atenções mas sim apenas o seu sucesso individual os seus recordes. Egoísticamente trouxe os seus problemas para a seleção e com essa atitude pôs em causa o seu desempenho neste mundial. Ó Ronaldo, antes de ti já havia futebol e a seleção e bons jogadores e depois de ti também hão-de haver, faz-me um favor sai sem ruído senão vais sair pela porta das traseiras como no Manu.

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  3. Para a frente Portugal e para a frente Cristiano

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  4. Ronaldo é, e será sempre um dos melhores jogadores que o mundo viu, mas nunca foi uma pessoa humilde. Nunca!
    Depois há a comunicação social portuguesa que o idolatra como não o faz a mais ninguém... notícias da selecção e praticamente só dá Ronaldo, Ronaldo e mais Ronaldo.
    Já chega!!! Há muito mais na selecção do que CR7, como ontem se viu!

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  5. Infelizmente somos e seremos sempre um povo de " deita abaixo " quem se destaca, não conseguimos sentir orgulho em quem fez/faz história, seja em que sector for.... só na morte se reconhece o mérito.... não entendo.... FORÇA CRISTIANO e FORÇA SELAÇÃO

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  6. O Cristiano Ronaldo devia era reformar-se para o bem da saúde mental de todos no mundo do futebol. Zidane pode ter dado uma cabeçada a outro jogador no seu último jogo mas isso foi uma reação do momento e soube quando devia reformar-se, sendo ainda um jogador de topo quando o fez.
    Já com Ronaldo a verdade é que a seleção de todos nós joga melhor sem Ronaldo do que com Ronaldo. Selecionador Fernando Santos, para bem da nação, tire o Ronaldo da seleção!

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