sábado, 17 de dezembro de 2022

Perder sem perder


Há jogos que, sem se jogar muito bem, também não se joga mal. Em que a superioridade sobre o adversário é clara. Em que, sem se criarem inúmeras oportunidades de golo, se criam as suficientes para, com uma taxa de aproveitamento simplesmente razoável, golear.  


O jogo do Benfica esta noite em Moreira de Cónegos, foi um desses. 


O Benfica não fez uma exibição ao nível dos que nos tem habituado. Nem isso seria de esperar de uma equipa com Draxler - tardou tanto em afirmar-se que já não tem tempo para ganhar espaço - e Chiquinho, e com apenas dois jogadores  dos jogadores decisivos - Grimaldo e Rafa - a manterem o estado de forma ao nível anterior à interrupção para o Mundial. Mas jogou o suficiente para ganhar o jogo, condição necessária para seguir para os quartos de final - a novidade deste ano - da Taça da Liga.


O empate deixava Benfica e Moreirense empatados com os mesmos 7 pontos e a mesma diferença favorável de 3 golos, com o desempate a favorecer o líder da segunda liga por ter mais um golo marcado (e sofrido). Por culpa do próprio Benfica, porque não se aceita lá muito bem que perante os mesmos adversários, e todos da segunda liga, não tenha conseguido fazer melhor que o Moreirense. Os minhotos apostaram tudo nesse desfecho, e contaram com a inspiração de Passinato, um velho conhecido. Defendeu tudo o que havia para defender, incluindo o golo. Até esse remate de Gonçalo Ramos defendeu, mesmo que sem evitar que a bola acabasse dentro da sua baliza, já perto do intervalo.


Antes, aí pelo meio da primeira parte, depois de 20 minutos a sufocar o adversário, num daqueles penáltis da nova vaga, em que a bola vinda de um lançamento lateral foi bater no braço de Florentino, já o Moreirense tinha marcado. Mas também já demonstrava que, sempre que pudesse, isto é, sempre que não fosse obrigado a estar lá acantonado lá atrás, conseguia sair em contra-ataque.


Se se quisesse uma fotografia do jogo seria esta. O Benfica em cima da área contrária, mas com limitador de velocidade, tipo "cruize control", e o Moreirense, quando podia. a sair em contra-ataque em aceleração. No "passeio" do Benfica faltava aos jogadores a inspiração sobrava a Passinato. E nem essa coisa da sorte e do azar das bolas nos ferros pode ser invocada. Se o Benfica teve três remates nos ferros da baliza de Passinato, o Moreirense teve dois na de Odysseas. Que em todo o jogo fez uma única defesa.


Também Roger Schemidt poderia ter estado mais inspirado. Mexeu muito tarde na equipa esperando, também ele, que em algum momento a bola acabasse por entrar. Poderia ter entrado, até ao último minuto, ocasiões não faltaram. Mas não entrou e, mesmo continuando sem perder em competições oficiais, empatar foi perder. 


E dizer adeus a uma competição, que é sempre um título, no confronto com equipas da segunda liga, não agrada a ninguém. Evidentemente. 


 

2 comentários:

  1. Noite inglória esta de Moreira de Cónegos. Um Benfica a desperdiçar oportunidades flagrantes de golo, acaba por perder sem ter perdido.
    Et Pluribus Unum.

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  2. Ao menos podem concentrar-se em competições mais importantes. Este ano é para ganhar o campeonato e chegar pelo menos às meias-finais da Champions.

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