sábado, 14 de janeiro de 2023

Um país ingovernado à beira da ingovernabilidade

TAP: PSD quer explicações urgentes do primeiro-ministro sobre “desgoverno  do país”


Que Portugal é um país sem governo - ingovernado - não vai parecendo carecer de prova. 


A maioria absoluta é o maior axioma da governabilidade. As agências internacionais, que procuram encontrar sinais de estabilidade nos países para garantir a sua viabilidade, que é como quem diz, estabilidade para os investimentos, e que muitas vezes se baralham, e precipitam nas suas conclusões, vêm sempre com os melhores dos olhos as maiorias absolutas de governação. 


António Costa, acabado de receber no colo a tão inesperada quanto desejada maioria absoluta, ainda a beliscar-se para confirmar que não estava a sonhar, apressou-se a declarar que  “a maioria absoluta não significa poder absoluto. Pelo contrário, a maioria absoluta corresponde a uma responsabilidade absoluta para quem governa”. Só que rapidamente trocou a ordem dos pressupostos, com o "poder absoluto" a passar a perna à "responsabilidade absoluta", a ponto de asfixiar por completo a responsabilidade. Absoluta ou relativa!


E caiu na irresponsabilidade. É certo que nem tudo é culpa exclusiva da maioria absoluta. Esta, conjugada com ausência de oposição - com o maior partido mergulhado na sua própria incapacidade, e o segundo, que  apenas espera que a receita do populismo levede, a servir-lhe de fermento - acabou por convencer António Costa que "o poder absoluto" tornava a responsabilidade dispensável. Daí, ao absoluto descontrolo da governação dos últimos meses, foi um pequeno passo para António Costa, mas um grande salto para o "desgoverno".


 Basta então encontrar sinais de ingovernabilidade.


É evidente que o "desgoverno" acabará, mais dia menos dia, com este governo. Tão evidente como a incapacidade  e a pulverização da oposição se revela incapaz de gerar alternativas fiáveis. A erosão a que este governo fatalmente condenará o PS torna a "geringonça" irrepetível. E o populismo, levedo, acabará por tomar conta da alternância que tínhamos por adquirida, sem que se torne alternativa. 


Se isto se não tornar evidente para António Costa, e se, mesmo que se torne, não tiver já condições para assumir as responsabilidades que lhe cabem, esta maioria absoluta acabará com a governabilidade e, definitivamente, com o regime. 


Se é que não acabou já! 


 

2 comentários:

  1. Até agora, o governo não teve nenhum problema: cumpriu 109,57% das obrigações com Bruxelas, ficou 3,7% acima do máximo que as consultoras financeiras acreditavam ser possível, ficaram 1,5% abaixo da inflação média da zona Euro (e 0,1% acima da prevista no orçamento, alterado a 17 de Junho de 2022).
    Sim, existiram problemas com várias nomeações, principalmente em razões secundárias, que não as funções representadas.
    Pior vemos o partido líder da oposição (PSD, se bem que 70% dos vice-presidentes são mais do Chega que laranjas) que não acerta uma só previsão. 13,5% de inflação, 127,9% de dívida pública e deficit de 9,44%. Comparado com 7,8%, 115,8% e 0,89%, algo está muitíssimo errado com os 4 milhões que são pagos a consultores financeiros e empresas de consultadoria para as previsões da oposição. E não serve de desculpa os "12000 milhões de retenções" ou "600000 milhões do PRR sem serem usados, sendo do pacote 2022-2034".
    Ainda pior é ver a direita a aplaudir os 14000 milhões, de lucros líquidos, que vão ser apresentados pela banca, defenderem que os depósitos tenham juros de 0,000005% e manutenção de 280 euros anuais, para contas bancárias simples, ou o não explicarem que a subida de 24% nas receitas de IVA são devido à super especulação das empresas de distribuição e grandes grupos retalhistas, que aumentaram os lucros em 730%, desde Maio, o que é o principal impulso para a subida do valor pago de IVA. Além de virem apoiar prémios de desempenho, em que uma retalhista deu 500 euros a cada funcionário, e 200000 euros a cada membro da direcção e 600000 euros a cada membro do conselho directivo. Resultado: 240,5 milhões de euros, sendo que as direcções receberam 223 milhões e evitaram pagar 100 milhões em taxa extraordinária.

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  2. António Costa teria a obrigação de ter quatro anos estáveis, sem grandes confusões. Sim, seria previsível que muitas medidas fossem aprovadas sem o voto de um único deputado da oposição, mas o PS estaria no seu direito.
    Agora todos estes escândalos? António Costa tem a obrigação de controlar o seu partido e de arranjar pessoas de jeito para a sua equipa... E no meio disto tudo ainda despachou o ministro mais à esquerda e que seria fundamental numa futura geringonça em 2026.
    E por muito apropriada que seja a forma como lida com a escumalha do Chega e a escumalha da IL, o tempo a dar entrevistas seria mais bem aproveitado a governar. António Costa, ganhe juízo e meta juízo no seu partido!
    E já agora, podia por uma vez na vida ser socialista (como o seu partido se chama) e tomar as seguintes medidas:
    - Nacionalização sem direito a indemnização da EDP, da GALP e dos CTT, entre outras empresas monopolistas e estratégicas.
    - Despedimento com justa causa e sem direito a indemnização de toda a administração da TAP.
    - Aumento de todos os salários e pensões segundo a inflação, inclusive no setor privado. Se existe inflação é porque o dinheiro foi parar a algum lado.
    - Expropriação e deportação de todos os beneficiários de vistos gold. Imigrantes sim, parasitas não.
    - Nacionalização, com direito a indemnização consoante o caso, de todas as propriedades não utilizadas, com vista a resolver a crise habitacional nas grandes cidades.
    - Reversão de todas as medidas da troika, sem uma única exceção.

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