sábado, 25 de fevereiro de 2023

A perigosa rota do Minho


Não vão fáceis as viagens ao Minho, esta época. O jogo desta noite, em Vizela, confirmou as dificuldades que estão reservadas para o Benfica na longa rota minhota que integra o campeonato de há uns anos para cá. O Minho é hoje decisivo para a classificação do campeonato, mais parece o Rally de Portugal.


O Benfica entrou no jogo dentro do nível exibicional habitual, e na mesma linha estratégica. Quando assim acontece, o Benfica não joga mal. Pode não fazer tudo bem, nem da melhor da forma, e encontrar dificuldades. Mas não joga mal. E foi isso que aconteceu durante a primeira parte - sem fazer tudo bem, e longe de qualquer brilhantismo, o Benfica não jogou mal, e justificou a vantagem mínima que levou para o intervalo, materializada no golo de João Mário, aos 38 minutos.


Mesmo que a superioridade clara do Benfica se tenha começado a esvair a partir do início da segunda metade da primeira parte, altura em que o Vizela passou a acertar com as marcações, a jogar com mais velocidade e, acima de tudo, a disputar todas as bolas e a ganhar a maioria delas, as três jogadas de golo, e o marcado, justificarão o resultado ao intervalo. 


Mas as indicações já não eram as melhores. As do jogo, e as do ambiente que o rodeava. À volta do relvado, porque o que tem vindo a ser criado longe dos campos, nas televisões, nos jornais e noutras esferas ainda menos próprias, vale para este e para todos os jogos que faltam ao campeonato. 


No jogo, o Benfica chegara ao golo até no período de maior afirmação do Vizela, à custa de uma transição rápida, depois de um canto contra, que começou com Guedes a passar por toda a gente, e a conseguir, mesmo depois de derrubado em falta, libertar a bola para Neres fazer a sua parte, e deixá-la para João Mário marcar, perto da marca de penálti. No jogo, os jogadores do Vizela, pressionavam, e legitimamente, os do Benfica. Mas também, e aí com total ilegitimidade, a arbitragem.


Fora do relvado, era pior. A pressão sobre a arbitragem era enorme, e as provocações ao banco do Benfica ainda maiores. Durante todo o tempo, gente ali estrategicamente colocada e que não serão certamente adeptos vizelenses, disparou isqueiros, garrafas e cuspidelas sobre o banco. Tudo perante a indiferença das forças da ordem... E das câmaras da Sport TV. 


Conseguiram o que conseguiram. E conseguiram até fazer expulsar Roger Schmidt, indiscutivelmente o treinador de comportamento mais tranquilo e pacífico do campeonato. 


Com tudo isto, não era de esperar outra coisa que não uma segunda parte muito difícil, e cada vez mais complicada. Muito dificilmente os jogadores, mas também o treinador, conseguiriam ter o discernimento e a tranquilidade para tomarem as melhores decisões. E foi o aconteceu, não conseguiram, e o Benfica caiu na segunda parte para um dos piores jogos do campeonato, ao nível de Guimarães. Que não ainda ao de Braga.


A equipa sobreviveu a tudo isso, e à suas próprias limitações, e acabou até para marcar o segundo, num penálti indiscutível sobre Grimaldo, já dentro dos seis minutos de compensação. Que João Mário voltou a marcar, desta vez com enorme classe, tornando-se no surpreendente melhor marcador da Liga.


E o resultado acabou por ser claramente melhor que a exibição, francamente má durante grande parte da segunda metade do jogo. Que só não é preocupante porque teve todos aqueles atenuantes. E porque "é dos livros" que os campeonatos se ganham ganhando jogos destes.

13 comentários:

  1. Se o Benfica no jogo da passada 2ª feira se tinha apresentado ao serviço com 45 minutos de atraso, desta vez em Vizela, ausentou-se 45 minutos mais cedo.
    Roger Schmidt, tantas vezes acusado de ser um treinador conservador e jogar sempre com os mesmos, desta vez mexeu na equipa, ao trocar Chiquinho e Rafa, por Neres e Gonçalo Guedes, só que o resultado não foi o pretendido e a equipa parece ter-se ressentido.
    O Benfica até entrou bem no jogo, só que os cruzamentos saiam invariavelmente mal, e os remates esbarravam na muralha defensiva vizelense. Isto nos primeiros 20 minutos de jogo, já que a partir daí o Benfica começou a perder o folego, enquanto que o Vizela, com uma defesa compacta e um contra-ataque venenoso, começava a crescer. E cresceu tanto, que num curto espaço de 10 minutos conseguiu criar duas oportunidades flagrantes de golo, a primeira salva por Vlachodimos, a segunda proporcionada pelo mesmo Vlachodimos, que pareceu querer imitar Courtois e Alisson Becker e deu uma grande fífia, que só não foi golo porque o avançado vizelense, como que surpreendido com tamanho brinde, rematou desastradamente para a bancada.
    Até que aos 37 minutos o Benfica fez o Vizela provar do seu próprio veneno e num lance de contra-ataque inaugurou o marcador…E até podia ter repetido a dose aos 45 minutos, só que o passe de Guedes para Neres, que ficaria isolado, foi intercetado pelo defesa vizelense.
    O Benfica foi para os balneários em vantagem depois de uma primeira parte difícil, o que nunca me passou pela cabeça é que não voltaria para a segunda.
    Vítor Paneira (que saudades) dizia no final do jogo que o Benfica tinha ganho com alguma sorte, gentileza tua meu caro Vítor, o Benfica ganhou com a sorte toda, mas a sorte faz parte do jogo e agora já só faltam 12 finais.
    Já lá vai o tempo que era bom ir passear ao Minho.
    E Pluribus Unum !

    ResponderEliminar
  2. Decisiva foi a arbitragem ou não saiam de lá com os três pontinhos. Assim, é fácil. O resto do texto é palha para animal de estábulo engolir. Saudações desportivas

    ResponderEliminar
  3. Foi muito isso, mas foi muito mais o resto. Que não refere. E Pluribus Unum !

    ResponderEliminar
  4. Aceito as saudações. O resto, não!
    Não é palha, antes fosse.

    ResponderEliminar
  5. Na TV não se vê, mas sim, conheço bem o modus operandi...
    E Pluribus Unum !

    ResponderEliminar
  6. Têm boa equipa, vão à frente com mérito e vão ser campeões fácil, este ano. Muito por desistência da concorrência. Mas o resto é mesmo conversa para entreter criancinhas. Quando se tem um Ferrari vermelho e o pôr do Sol de Monte Gordo por trás não há montanha de dificuldades que não se torne fácil. É tudo praia. As homilias deste jovem árbitro são conhecidas aqui nesta ponta de Portugal mesmo ao lado de Espanha. Não tem mal. O resto das pessoas percebe.

    ResponderEliminar
  7. ta calado lagarto . amanha nao esquecas o lenco branco

    ResponderEliminar
  8. Esta é uma noite histórica para o futebol português, e o aniversariante também devia ter ido para a rua, mas isso já seria pedir demais.

    ResponderEliminar
  9. Isto só prova que os padres são de facto uns abusadores e que o Papa perdeu o controle da situação

    ResponderEliminar
  10. Meu, eu tenho simpatia pelos tipos que não têm nome. Percebo que deve ter-te sido difícil explicar na escola que eras filho de pai incógnito.
    Tens bom remédio. Insiste com a tua mãezinha, que ela há-de saber quem foi o infeliz.

    ResponderEliminar
  11. e tu conheces o teu pai ou ainda nao voltou do ultramar...

    ResponderEliminar
  12. o papa nao quero var ..estamos no ano 2022. o apito dourado esta morto ..a verdade desporiva matou-o

    ResponderEliminar
  13. 2023, há VAR e VAR, há ir e voltar

    ResponderEliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...