sábado, 4 de fevereiro de 2023

Boas notícias e ... obrigado, André Almeida!


Casa praticamente cheia, na Luz, como é habitual. Desta vez com perto de 60 mil nas bancadas, para assinalar o regresso a casa, depois de três jogos consecutivos fora. Mas também para "mimar" a equipa, que bem merece, e para um último carinho a André Almeida, na hora da despedida do capitão. Um símbolo do Benfica, por mais que tenha dividido opiniões nos doze anos de águia ao peito.


O jogo começou por ameaçar tornar-se complicado. O Casa Pia, a equipa sensação da primeira volta - essa já ninguém lhe tira, independentemente de o vir ou não a confirmar no fim da época - entrou no jogo com a sua receita habitual, com a forte organização defensiva que lhe valeu ser sempre uma das defesas menos batidas do campeonato, e ainda a terceira melhor, com uma pressão enorme sobre os adversários, e sempre disponível para sair para a frente em velocidade. O seu 5x4x1 permite-lhe defender a sua área sempre com muitos jogadores, e ainda criar nas alas um dispositivo táctico que cria frequentes situações de três para um.


Fechados em cima da sua área, aos gansos sobrava sempre mais um jogador para a dobra a um colega, e sempre mais uma perna no caminho da bola. Logo que a ganhavam tentavam sair em transições rápidas, o que iam conseguindo uma vez por outra. 


O Benfica entrou com a mesma equipa que iniciara o último jogo, em Arouca, e com os jogadores a interpretarem os mesmos papéis.  Começou pressionante, mas nem por isso deixou de revelar dificuldades em libertar-se daquele cerco. Criou então duas oportunidades para marcar - logo no início, numa boa jogada de penetração na área, que João Mário não concluiu da melhor maneira, rematando por alto e, logo a seguir, numa espectacular abertura de Florentino, a picar a bola para dentro da área, concluída com o remate de Neres junto ao ângulo da barra com o poste.


Lembramo-nos então que o Benfica tinha resolvido os últimos jogos com golos serôdios, no aproveitamento das primeiras oportunidades. E da eficácia nesses jogos. E temeu-se que, jogando o Casa Pia naquela sua maneira, as oportunidades se não repetissem assim tanto.


Por volta dos quinze minutos, já o Benfica estava a abrandar a pressão, e a deixar a ideia de um jogo morno. Parecia um mau sinal, mas não. Era a percepção que aquilo não estava a resultar, e que era preciso mais paciência na circulação da bola. Era a maturidade da equipa a vir ao de cima. E resultou!


Logo aos 19 minutos, surgiu a melhor oportunidade de golo, com Gonçalo Guedes a responder com classe, de calcanhar, à Gonçalo Ramos, para o guarda-redes casa-piano a defender em último recurso, para a frente. E, no novo regime, iniciava-se uma nova fase de sufoco para os gansos. Que culminou ao minuto 34 - sim tem de ser o 34, não o 35 ou o 36, porque André Almeida merece - no primeiro golo, do goleador João Mário (o que Schmidt fez deste jogador!), a concluir com um passe para a baliza, assistido por Neres (mais que o regresso à forma, há ainda que saudar o compromisso com a equipa, muito acima do nível antes revelado, e a alegria que nunca se lhe tinha visto), uma bonita jogada de futebol, que finalmente desmontara a estrutura defensiva do Casa Pia.


A partir daí foi "show de bola". Oito minutos depois, só mudou o assistente, desta vez Grimaldo. O golo foi do mesmo, o novo goleador, já no topo da lista dos marcadores. "Show" que se prolongou pela segunda parte, então já com o Casa Pia a abandonar a sua estrutura super-defensiva, e a abanar por todos os lados. De tal forma que, na derrota mais pesada na época, o melhor que aconteceu ao Casa Pia foi mesmo o resultado. 


As oportunidades de golo sucederam-se, com o futebol fluido, e de encantar, da primeira parte da época decididamente de volta. Golos, é que apenas mais um. E numa transição, que era coisa que estava a faltar. Foi uma jogada individual de Bah - mais outro, decididamente de regresso e já melhor que o melhor que tinha mostrado - não foi colectiva. Mas foi em transição!


Numa altura decisiva da época, com a Taça em jogo nos quartos em Braga, com o acesso aos quartos da Champions para discutir com o Bruges, e numa interessante - chamemos-lhe assim - fase da Liga, a exibição do Benfica mostra que a equipa está pronta para todos os desafios.


Hoje já deu para o regresso de Rafa - e como mostrou também que está pronto! -, e o de Ramos também não estará longe. E, a avaliar pelo que Schemidt fez de Bah, Aursenes, João Mário, Florentino e Chiquinho, dos dois reforços nórdicos que "estão no forno" só poderão chegar melhores notícias ainda.


 


 

3 comentários:

  1. A noite começou com a despedida de André Almeida, o ultimo dos moicanos, de uma década que marcou o renascimento do Benfica, após uma longa e penosa travessia do deserto.
    Doze anos de águia ao peito e o contributo para a conquista de igual número de troféus, fazem de André Almeida um caso raro no panorama do futebol atual, merecedor por mérito próprio, de um lugar de destaque na história do Benfica.
    E por falar em história, surge o Casa Pia, renascido das cinzas, mais de oitenta anos depois. A ultima vez que o Benfica tinha recebido o Casa Pia, foi ainda no Campo das Amoreiras, num jogo para a Taça de Portugal, no já muito distante ano de 1940.
    O Benfica onde pontificavam os craques da época, Francisco Albino e Alfredo Valadas, venceu esse jogo por uns expressivos nove golos sem resposta, o nosso treinador era o húngaro János Biri, personalidade que ainda tive o privilégio de conhecer, ali no final dos anos setenta, quando já em final de carreira, treinava os iniciados do Benfica.
    Este Casa Pia não é um adversário fácil de defrontar, como já se tinha percebido no jogo da primeira volta. É uma equipa bem trabalhada, que defende com todos, ataca com muitos e está a fazer uma época fantástica, o que lhe vale com todo o mérito, o epíteto de equipa sensação.
    O Benfica começou por ser um anfitrião simpático e concedeu, nos primeiros quinze minutos de jogo, palco para o Casa Pia se mostrar. A partir dai o Benfica tomou conta do jogo como se impunha e obrigou o Casa Pia a acantonar-se no seu ultimo reduto, tentando fechar todos os caminhos que conduziam á sua baliza. Sem sucesso, uma vez que no espaço de apenas sete minutos, João Mário, muito bem a acumular as funções de maestro e goleador, marcou dois golos de belo efeito e o Benfica foi para o intervalo com uma vantagem confortável.
    Na segunda parte houve mais Benfica, menos Casa Pia e menos golos também, se bem que o golo de Bah, devia valer por dois.
    O Benfica fez um jogo mais competente que propriamente brilhante e teve o mérito de anular por completo uma equipa incómoda de defrontar.
    Bah e Grimaldo estiveram bem a esticar o jogo pelos flancos, Florentino e Chiquinho foram cruciais a dar consistência ao meio campo, Aursnes, a quem já chamam “a máquina”, fez mais um grande jogo, ficando a escassos centímetros de um golo inteiramente merecido, Neres está a voltar a ser Neres, mas foi sem duvida João Mário, uma vez mais, o homem do jogo.
    Gonçalo Guedes não teve uma noite particularmente inspirada, talvez a emoção de voltar a jogar na Luz lhe tenha de alguma forma tolhido os movimentos. Rafa, regressado de uma lesão, entrou e quase marcou, mas o guarda-redes casapiano, defendeu com a cabeça, a fazer lembrar o lendário René Higuita.
    O Benfica soma e segue, a caminho de Braga, onde terá que entrar com tudo, para prosseguir na taça de Portugal e mostrar que o jogo para o campeonato com os arsenalistas foi apenas um acidente de percurso.
    E Pluribus Unum !

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  2. Obrigado meu caro, é sempre um prazer passar por aqui.
    E Pluribus Unum!

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