segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

PREC - Processo de Radicalização Em Curso.

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O pacote "Mais Habitação", em cuja apresentação António Costa voltou a ser António Costa - muita pompa e pouca substância; ou muita parra e pouca uva, vai dar no mesmo - tem pelo menos umas virtude: a de mostrar que, ao contrário do que hoje toda a gente quer fazer crer, o mercado não resolve tudo. Nem nada que se pareça!


A habitação é fundamental na dignidade da pessoa humana, e um direito consagrado na Constituição da República Portuguesa. O Estado tem a responsabilidade de assegurar aos cidadãos os direitos que diz garantir-lhe. Parece-me simples de entender.


O Estado actua directamente na esfera dos outros direitos garantidos constitucionalmente. Na Educação e na Saúde dispõe de sistemas públicos para responder às suas responsabilidades. Passam por dificuldades e, como sabemos, já conheceram melhores dias. O desinvestimento nos serviços públicos, por razões orçamentais e até ideológicas, trouxeram-nos até aqui. Mas existem. E respondem a alguma coisa.   


Na habitação o Estado deixou tudo nas mãos do mercado. A intervenção do Estado limita-se a 2% do mercado, quando por essa Europa desenvolvida fora passa dos 40%. E o mercado não resolveu. Como não resolve em muitas outras situações!


Há coisas que só ao Estado competem. Chamamos-lhe Estado Social, e tem por função garantir o acesso a direitos básicos a quem não interessa ao mercado. 


Chamar a atenção, nesta altura, para estas coisas, é a virtude maior deste encenado pacote. Mas como é um tema fora de moda, e fora da agenda mediática, ninguém vai dar por ela. E a notícia é que vem aí outra vez o PREC. Porque só essa interessa à agenda política de outro PREC - Processo de Radicalização Em Curso.

2 comentários:

  1. Boa tarde
    Quando, ainda lecionava (no ensino primário, já então denominado 1º ciclo) falávamos da história de Portugal.
    Naquele dia estávamos a falar da Lei das Sesmarias de D. Fernando I.
    Um dos meus alunos era neto (infelizmente o seu avô morreu) de um caseiro, agricultor que arrenda a terra em troca de determinada porção do que produz, de um Senhorio, dono da terra, que tinha a maior parte das quintas de vago.
    Este meu aluno compreendeu perfeitamente a lição e explicou-a aos seus colegas muito melhor do que eu.
    Diz ele virado para mim - ó sr. professor se essa lei fosse hoje o Sr. Eng estava lixado. ele não disse propriamente lixado, disse-o com F.
    Que viva a Lei das Sesmarias!
    Zé Onofre

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  2. A reação da direitalha mostra bem que já não existe direita moderada em Portugal. O PSD de Sá Carneiro, que dizia nos seus estatutos que "não há democracia sem socialismo", morreu e está bem morto.
    Neste momento, com representação parlamentar, temos três partidos de esquerda (Livre, Bloco e PCP), dois partidos do centro (PAN e PS) e três partidos de extrema-direita (PSD, IL e Chega). O CDS já morreu. Que PSD, IL e Chega lhe sigam o rumo.

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