Conhecíamos monstruosidades do clero ao longo da História. Já sabíamos da monstruosidade dos abusos sexuais sobre crianças dos tempos históricos mais próximos. Da monstruosidade dos actos, e da não menor monstruosidade do seu encobrimento.
Sabê-lo, e conhecê-lo, através do estudo - de excelente qualidade e rigor científico - que a Comissão Independente liderada por Pedro Strecht hoje apresentou publicamente, que aqui se disponibiliza, só aumenta a repugnância. Pela monstruosidade, e pela sua monstruosa ocultação durante tantas décadas.
Repugna saber que 77% dos abusadores eram padres, metade dos quais com relações próximas da criança. Repugna saber que "os principais locais de ocorrência dos abusos foram seminários, igrejas internas, confessionários, casas paroquiais e escolas católicas". Repugna saber o que é transcrito em discurso directo das vítimas. Diz uma que, depois do acto, o padre lhe disse: "Estiveste bem. Deus gostou!"
Não repugna menos, pelo contrário, que bispos e cardeais, que o topo da hierarquia católica, tenha sido cúmplice. Que tenha dado protecção aos abusadores e negligenciado as crianças. E que tenha resistido, até mais não poder, a aceitar e a colaborar com a investigação.
Que esta resistência - bem nos lembramos como resistiu a disponibilizar o acesso aos seus ficheiros, e como isso atrasou os trabalhos da comissão - tenha acabado por empurrar a apresentação pública dos seus resultados para cima do maior evento católico no país, a que chamam "Jornadas Mundiais da Juventude", e ainda mais em cima dos escândalos com os seus gastos, não fosse a dimensão da tragédia, e seria simplesmente irónico.
Eu acho que era capaz de matar um gajo se estivesse a abusar de uma criança.
ResponderEliminarAs violações são todas repugnantes, infelizmente a maioria são em meio familiar, inclusivé de pais/filhos