sexta-feira, 3 de março de 2023

Jogo de paciência


Mais uma noite fantástica na Luz, cheia, a ultrapassar hoje - em dia de ouro para Pablo Pichardo (também para Auriol Dongmo) em apenas três saltos - o milhão de espectadores na época. Fantástica porque é fantástica a festa, e fantástico é este novo ambiente de cor e luz. O jogo, esse não foi assim tão fantástico.


Era um jogo que comportava alguns riscos. Pelo adversário - o Famalicão é uma das boas equipas da Liga e, com a superação com todas as equipas defrontam o Benfica, adivinhavam-se ainda mais dificuldades - mas ainda por outras razões. Desde logo, porque Artur Soares Dias é nome de perigo sempre que arbitra o Benfica. Depois, pelas ausências. De Roger Schemidt, do banco, pela expulsão em Vizela, na semana passada. E de Gonçalo Guedes e Chiquinho, da equipa, ambos por lesão (quem diria, há um mês ou dois, que a ausência de Chiquinho viria a ser motivo de preocupação?).


O Famalicão colocou as dificuldades esperadas. Entrou no jogo a pressionar alto, e com agressividade. Rapidamente foi obrigado a recolher-se na sua grande área, mas nem aí baixou a agressividade, com faltas sucessivas. Na maior parte do tempo defendeu com uma linha de 6, e logo outra de 4 à frente. De tempos a tempos lá conseguia subir uns metros e ensaiar uns momentos de posse de bola.


O Benfica chegou a asfixiar, mas também nunca o fez por períodos muito longos. Na maior parte do tempo demonstrava aquela "paciência" que tem caracterizado a equipa nos últimos jogos. Chamam-lhe "paciência", mas aquilo é mais "muita parra para pouca uva". Muita bola, muita circulação, mas poucos remates, poucos desequilíbrios na estrutura defensiva adversária, e poucas oportunidades para chegar ao golo.


Estava-se nisto quando surgiu o primeiro golo, ainda em tempo de paciência, a 10 minutos do intervalo. Só possível porque a jogada não foi nada paciente. Otamendi não teve paciência e armou um passe longo bem medido, Grimaldo, sem paciência, acelerou pela sua ala e, como não teve paciência para esperar por um colega, tabelou mesmo com adversário e cruzou para Gonçalo Ramos, também sem paciência, rematar para o golo. Foi tão bonito que aquele corte do defesa famalicense que devolveu a bola a Grimaldo foi mesmo uma tabela de mestre.


O Famalicão sentiu o golo, e reagiu de imediato. E até podia ter empatado logo a seguir, mas ficou-se por aí. Fora essa resposta imediata, em que o perigo até nasceu de uma bola largada por Vlachodimos, carregado na pequena área sem que Artur Soares Dias ligasse nada a isso, só um remate que saiu perto da trave. 


E assim se chegou ao intervalo, já com a Luz sem paciência para Artur Soares Dias. Que tolerava todas as faltas aos de Famalicão, e não perdoava a António Silva sempre que se chegava a um adversário.


A segunda parte, mais que mais bem, ou menos bem jogada, foi estranha. Foi estranha porque pareceu que o Benfica quis apenas controlar o jogo, gerindo-o através da circulação de bola, no tal jogo de paciência, para guardar a escassa vantagem de um simples golo. Que é coisa que assusta !


Foi estranha porque, mesmo assim, o Benfica criou meia dúzia de oportunidades de golo, que poderiam ter dado ao marcador uma expressão até pouco condizente com a exibição. Foi ainda estranha porque a maioria dessas oportunidades resultaram de remates de fora da área, justamente o que tem faltado ao excelente futebol da equipa ao longo da época. E foi finalmente estranha porque, à medida que o tempo ia passando, com o guarda-redes Luís Júnior a engatar e a defender bolas de golo, com Rafa a rematar de cabeça à barra, e com Artur Soares Dias (e o VAR, evidentemente) a não ver o corte com a mão daquele rapaz do Porto, dentro da área e nas barbas do Otamendi, "devidamente" amarelado por reclamar o que toda a gente viu, esperava-se que o Famalicão começasse a fazer alguma coisa por invocar o velho axioma da bola - "quem não marca, sofre". Ou que Artur Soares Dias acabasse por encontrar a cereja para o bolo que tinha vindo a fazer. Mas, não!


O Benfica não lhe permitiu a cereja, e tudo o que o Famalicão conseguiu foi um remate - o único da segunda parte - que mais pareceu um alívio de bola. Mas a verdade é que o suspiro de alívio das bancadas só chegou já nos 4 minutos de compensação. No golo que voltou a ter Grimaldo. No remate de fora da área, com a bola cheia de efeito, que o guarda-redes só pôde sacudir para a frente. Para Gonçalo Ramos bisar, na recarga. E, com 15 golos, voltar a ultrapassar João Mário na lista dos marcadores.

5 comentários:

  1. Se Old Trafford é o teatro dos sonhos, a Luz poderá ser, depois do upgrade, o cinema paraíso, que atingiu ontem a bonita soma de 1 milhão de espectadores, na presente temporada.
    Não foi um jogo fantástico, nem uma noite de particular brilhantismo, mas o Benfica conseguiu o mais importante que era a vitória. Uma vitória que até peca por escassa, mas ontem, Grimaldo e Neres não estavam de pontaria afinada, ao contrário do inevitável Gonçalo Ramos que no sítio certo, marcou 2 golos á ponta de lança. No final do jogo foi bonita a festa pá…Nós só queremos o Benfica campeão e já só faltam 11 finais.
    E Pluribus Unum!

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  2. E Pluribus Unum..aquele arbitro, tem uma mania, que pensa que e o melhor? quando arbitra os 3 grandes no final dos jogos todos falem dele ..ate quando..vergonhoso...os seus colegas sao prejudicados por aquela esmola do raio que lhe ...

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  3. arbitros !nao foram ao mundial porque sao uns cepos..vergonhosa arbitragem..

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  4. 9 finais se não perder mais nenhum ponto.

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  5. e o jogo do porto de hoije, o Var que o corrupto queria acabar,a arbitragem prejudicaram o chaves..e isso que temos uma corrupta arbitragem ligada ao fc dos porcos ...tudo uma mentira para prejudicar o BENFICA E Pluribus Unum...filhos..

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