Tudo correu como esperado. Lula foi recebido no dia 25 de Abril na Assembleia da República, mas não esteve no 25 de Abril da Assembleia da República. Bem pensado por Augusto Santos Silva, dizia Marcelo, ainda a caminho.
A Iniciativa Liberal representou-se apenas pelo seu líder, o Ventura fez o seu número, e Augusto Santos Silva voltou a "dar-lhe", com força - "chega de envergonhar Portugal" - e pediu desculpa pela vergonha. Aplaudido por todas as restantes bancadas, menos uma. A do PCP. O que se repetiria no discurso de Lula ... quando condenou a Rússia pela invasão da Ucrânia.
Lula aprende, sem surpreender. O PCP não. Nunca aprende, nem nunca surpreende.
Lá se foi Lula, a tempo de ir almoçar a Madrid, e de se iniciar a sessão oficial das comemorações, deixando tranquilos todos os que achavam indigna a sua participação. Os cravos já lá estavam, no seu sítio. E no peito da maior parte dos presentes, incluindo no de Lula.
Os cravos, sempre os cravos a dividir uns dos outros. E lá estavam os militares de Abril, os que sobram. Dos antigos Presidentes da República, nem isso. Apenas Ramalho Eanes. Os outros já partiram, e Cavaco voltou a mostrar que ... não faz falta. E que porventura nem é digno de o ter sido.
E começaram os discursos. A propósito, e com propósito, com maior ou menor inspiração, mais ou menos arrebatadores. Bem construído o de Rui Tavares, e bem articulado com a exaltação da obra de Chico Buarque - que ontem recebeu, finalmente, o Prémio Camões de 2019, cuja entrega havia sido sucessivamente boicotada por Bolsonaro -, e bem lido, ou bem representado, o de Catarina Martins.
Todos de cravo, à excepção de Rui Rocha. Que fez mal em deixar-se ficar sozinho ("o outro" não conta). Até porque nem Joaquim Miranda Sarmento o negou, mesmo quando todos os deputados do grupo parlamentar que lidera os deixavam inertes na bancada, à sua frente.
Para Marcelo, já se sabe, cravo só na mão. Não discretamente na mão, porque Marcelo num é discreto. Mas ambiguamente na mão, na permanente obsessão de agradar a todos.
Chegada a hora dos discursos dos mais altos magistrados do Estado, Augusto Santos Silva optou por recados ao Presidente Marcelo. Criou uma figura - o "tempo democrático" - para encaminhar o discurso para a estabilidade da legislatura, para lhe dizer que páre lá com a conversa da dissolução do parlamento. Que é "tempo democrático" que dita a duração das maiorias e não a sofreguidão do poder.
Marcelo não surpreendeu ao responder, sem responder, que é o povo o "efectivo garante da estabilidade", e que em democracia "há sempre a possibilidade de se criar caminhos diversos". Também não surpreendeu ao defender a presença de Lula, explicando-a mais em jeito de se desculpar pelo o imbróglio que ele próprio criou, e que alastrou para polémica, do que de outra coisa. Onde surpreendeu foi na forma como explicou muitas coisas ao Chega. Como se fossem muito burros...
Que não são. Pelo menos, ele, "o outro", não é. É muito esperto a explorar a "burrice" dos outros!
Boa tarde, Eduardo
ResponderEliminar"Lula aprende, sem surpreender. O PCP não. Nunca aprende, nem nunca surpreende.",
Se chama aprender a ter um discurso de acordo com as conveniências das pessoas e dos locais, ainda bem que haja quem não aprende.
Fazer o que faz Lula, não chamo aprendizagem, chamo oportunista. E os oportunistas é que são a desgraça da democracia e da Liberdade.
Gente sem princípios é que me surpreendem, não são aqueles que os defendem, apesar das condições adversas.
25 de Abril, Sempre e mais além.
Oportunistas nunca.
Zé Onofre
Meu caro Senhor, Lula não aprendeu nem surpreendeu. Disse o que lhe convinha e vai dizendo por aí o que lhe convém. Mais do que o Brasil, Lula integra o BRICS e tem ambições muito próprias dele, mais do que do Brasil. Lula só se expurgará da indecente e má figura que foi fazer nas botas do Xi Jinping quando convocar o MERCOSUL e, ali, subscrever e condenar o que o Brasil, só ele, recusou: a ilegítima invasão da Ucrânia.
ResponderEliminarO resto do palavreado dos tribunos na AR é a treta do costume. Sou ex-combatente, abomino o Chega e detesto a hipocrisia de quem condena e esquece os ex-combatentes.
Mais um esquerdalha...
ResponderEliminarFicaste triggered, foi?
ResponderEliminarViva o 25 de novembro de 1975!
ResponderEliminarAconselho a quem não sabe a que data me refiro, que se informe, caso contrário será mais uma mente a ser "lavada" pelos média, classe política e alguns "paineleiros" das rubricas televisivas. É necessário expor aqui um pouco da história nacional para que não haja o branqueamento que os média, a classe política e o setor educativo com manuais escolares tendenciosos (ao estilo soviete) tem andado a fazer nas últimas décadas ao negarem a importância da data e a não comemorarem. Foi esta data que permitiu hoje a existência da liberdade de expressão tal como a conhecemos, caso contrário se só tivesse havido o 25 de abril de 1974, estaríamos hoje num pequeno território com um regime análogo ao cubano.
As democracias estão mais fracas devido à promiscuidade entre os vários órgãos de soberania, e não, devido ao aparecimento de novas forças políticas como muita gente quer fazer crer. As várias forças partidárias que foram eleitas desde há décadas são as principais responsáveis pelo questionamento da democracia, isto porque nunca tiveram a coragem de reformar o sistema político e eleitoral no sentido de aproximar os eleitores dos eleitos bem como o setor da justiça (cada vez mais desautorizado) e sem a "espada" para aplicar a lei. O exemplo disso é toda a gente saber que um perigoso ex governante com fortes indícios de ter praticado vários crimes está à solta e arrisca-se a não ser julgado devido ao prazo da prescrição desses crimes... Para que foram mandatados os deputados e o governo ? Não foi para legislarem no sentido de corrigirem os problemas existentes nos vários setores da sociedade, incluindo a justiça ? Faz algum sentido Portugal ser um dos únicos países civilizados onde menos se investe na justiça? Como se pode dizer que ainda vivemos em democracia?
Alguns já provaram que são capazes de defender a sua democracia e os seus valores (exemplo disso é o povo ucraniano, povo americano, etc). Há outros povos que também já provaram que não se importam de lutar e dar a vida a defender os seus valores e o seus governantes totalitários (exemplo da China, da Rússia, do Irão, etc). E depois existe outro povo que luta, mas a luta é feita de palavras e de cravos ao peito, mas o corpo ao manifesto é outra história e os outros que a façam...
Comunismo nunca mais!
as vezes até leio relatos de jogos futebol. Raramente com graça, mas uma ou outra vez com forma agradável.
ResponderEliminarPortanto um elogio a este relato (da sessao do 25A na AR).
Só nao ouvi justamente o discurso do Marcelo. E agora lido este post fiquei com pena , iria gostar de ter ouvido o professor "explicar muitas coisas ao Chega ".
Boa tarde, Zé Onofre.
ResponderEliminarA aprendizagem de Lula era ironia. A do PCP, não.
Viva tudo o que quiser. Este era o dia do 25 de Abril.
ResponderEliminar"Comunismo nunca"- Ok. Nunca mais, implica ter existido cá. Não existiu. O outro sim, existiu e, por isso, "fascismo nunca mais".
Está sempre a tempo.
ResponderEliminarBoa tarde
ResponderEliminarNão podemos todos ter a mesma opinião sobre a guerra na Ucrânia. Há argumentos para se ser pró ou contra a Rússia , ou a Ucrânia. São argumentos tão legítimos uns como os outros, na minha opinião que não sou Juiz da Verdade.
No meu entender qualquer guerra não tem qualquer legitimidade, é só um acto de Barbárie.
Por isso, na minha opinião, todos os países da Rússia à Ucrânia e a quem fornece armas são todos criminosos. Li ontem uma opinião do Governo Italiano sobre a reconstrução da Ucrânia, querem estar na linha da frente. O que eu espero, utopicamente quase de certeza, é que os países que forneceram armas à Ucrânia, para os ajudar contra a agressão Russa, agora os ajudem gratuitamente na sua reconstrução, isto partindo do princípio que as armas foram fornecidas gratuitamente. Se assim não for vemos logo quem lucra com a guerra, os mesmos de sempre - os complexos militares industriais, tanto a Leste como a West.
Quanto aos antigos combatentes da Guerra Colonial, para mim há dois tipos de Combatentes. Uns que foram incorporados à força e me merecem todo o respeito. O que voluntaria e orgulhosamente se ofereceram para ela, que não me merecem respeito algum. E já agora tambérm não respeito nenhum militar português em serviço em palcos de guerra. Se morrerem não serão herois, mais uma vez a minha opinião, morreram no serviço que escolheram - morrer e matar.
Zé Onofre
Por que é que a propaganda política e social só festeja o 25 de abril e não o 25 de novembro ?
ResponderEliminarEstá equivocado. Já tivemos o comunismo durante o PREC (deverá rever quem foi Vasco Gonçalves). E só não tivemos até agora por causa do 25 de novembro de 1975. Caso contrário nos dias de hoje seríamos mais um país ditatorial comunista.