sábado, 13 de maio de 2023

Falta uma!


Era grande, e até desmedida, a expectativa criada para este jogo do Benfica, em Portimão.  Ouviu-se e leu-se de tudo, desde um ambiente terrível a aguardar a equipa, até à estapafúrdia possibilidade do Benfica lá se sagrar campeão ... desde que ganhasse, e o Porto perdesse o seu jogo, no Dragão, com o Casa Pia. Que acontece apenas amanhã, mais de 24 horas depois.


A relação -  invulgar e mesmo promiscua, mas não estranha à luz do que acontece no futebol cá do burgo - do Portimonense com o Porto é uma coisa. Projectar daí uma "cena" de ambiente terrível, quando os benfiquistas tinham, como sempre têm feito por este país fora desde que não lhes vedem o acesso aos estádios, esgotado a lotação do Municipal de Portimão, foi uma tentativa de criar fantasmas. Transformar a impossibilidade de festejar o título em Portimão numa possibilidade, foi só mais um dos disparates em que a nossa comunicação social desportiva é fértil.


A equipa, e os adeptos, do Benfica não se impressionaram com essas manobras. A equipa chegou  a Portimão com a única e clara ideia de mostrar que joga à campeão, para ser campeão. Os adeptos, para lhe dizerem que acreditam na equipa, e que não lhe regateiam apoio para lá chegar. E bem cedo disseram ao que vinham - os adeptos, com uma recepção extraordinária, logo à chegada ao Estádio; a equipa, com uma entrada em jogo demolidora. E, assim, acabaram com os fantasmas logo à partida. Com todos, incluindo o dos autocarros do Paulo Sérgio e o que se dá pelo nome de Soares Dias.


No primeiro minuto o Benfica criou logo a primeira clara para marcar, num remate ao poste do menino - homem. O menino João Neves. Tão homem que até foi o do jogo. E ao quarto já marcava. No primeiro quarto de hora do jogo o Benfica já tinha um golo, e outro anulado, duas bolas nos ferros, com mais um grande remate de Gonçalo Ramos à trave, e mais três outras grandes oportunidades. Tudo isto ao som da regressada orquestra de futebol que é este Benfica.


Só por volta de meio da primeira parte o Portimonense conseguiu respirar, e começar a ameaçar disputar o jogo. "Sol de pouca dura", e rapidamente o Benfica voltou a impor a força do seu futebol. E a criar e desperdiçar sucessivamente oportunidades de golo. O segundo chegou ainda antes da meia hora, num auto-golo que, a não o ter sido, teria sido de Rafa.


No primeiro remate à baliza, dez minutos depois do segundo do Benfica, o Portimonense marcou, na sequência de um livre lateral, mercê da passividade de Morato - claramente sem ritmo, e fora da nota dada pelo diapasão da equipa (é o preço a pagar pelas ideias fixas de Roger Schemidt - a única alteração na equipa, pelo castigo de Otamendi. E, aos 38 minutos, o que poderia ser um resultado de cinco ou seis, era um magro 2-1.


Nada de fantasmas, uma vez mais! E o Benfica respondeu de imediato, voltando a criar novas situações de golo. De novo desperdiçadas, à excepção, finalmente, do golo de Gonçalo Ramos. Um grande golo. De autor, com assinatura, já em cima do intervalo.


Na segunda parte o Benfica entrou com Florentino - e que bem jogou - no lugar de Chiquinho, já amarelado (no que parecia uma ameaça para chegar aos jogadores em risco para Alvalade, ameaça que Soares Dias não teve a mínima hipótese de concretizar), mas também no tom menos afinado. E voltou a entrar em força.


David Neres poderia ter marcado de imediato, e logo a seguir, numa jogada de esplendor na relva, Rafa marcou. E ao marcar, fez anular o golo. Não precisava de tocar na bola, que ia entrar, rematada por João Mário, e mal defendida pelo guarda-redes da casa. Tocou-lhe de raspão, estava em fora de jogo por ... 9 centímetros, e o VAR acabou por anular o que tinha sido festejado como o quarto golo.


Que nunca mais chegava, por mais oportunidades que se sucedessem. Nem de penálti, porque Soares Dias não o quis assinalar, quando o Sérgio Conceição (mais um, do clã) puxou Gonçalo Ramos dentro da área, impedindo-o de  cabecear em condições para a baliza (sim, os jogadores do Benfica não se mandam para chão, e  isso é motivo de orgulho). A fazer lembrar qualquer coisa - Chaves, lembram-se? - logo a seguir o Portimonense sai em contra-ataque, e é Aursenes quem consegue recuperar e anular o lance de perigo, cortando "in-extremis" para canto.


Contra os cânones, que dizem que não se fazem substituições antes da marcação dos cantos, Roger Shemidt fez duas, tirando Neres e Gonçalo Ramos, para entrarem Guedes e Musa. Só depois foi marcado o canto e, dele, saiu uma magistral jogada de contra-ataque, toda ela movimento, velocidade e arte. E toda ela Rafa, evidentemente, a cavalgar por ali fora, até deixar a bola à mercê da dança de Musa. Recebeu-a para lhe tocar pela primeira vez, ajeitou-a e dançou à frente dela, até deixar por terra um defesa e o guarda-redes adversários para, depois, a enviar para a baliza aberta. Finalmente, o quarto golo.


O quinto, de novo de Musa, chegaria dois minutos depois, a um dos 90, fechando o resultado num 5-1 que não tem nada a ver com o que se passou no campo. Se tivesse, teria que ser qualquer coisa parecida com aqueles 11-0 de há uns anitos, com o Nacional, de Costinha, na Luz.


Falta agora uma vitória para o 38. Mas não é só esperar por ela. É a jogar desta forma avassaladora, que não permite dúvidas. Nem fantasmas!


  


 


 


 


 

5 comentários:

  1. O Benfica foi para Portimão com tudo, como se impunha, e se houvesse uma banda sonora para aquela primeira parte, seria certamente a Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner.
    Gostei menos da segunda parte, um tanto ao quanto anárquica e sem critério, jogada ao ritmo do Thunderstruck dos AC/DC. Faltou ao Benfica a tranquilidade necessária para controlar o jogo com maior discernimento, deixou que o jogo se partisse, numa espécie de montanha russa, o que poderia ter sido muito complicado, perante um adversário com outro tipo de argumentos.
    Exemplo disso aquele lance aos 84 minutos em que Aursnes tira literalmente o pão da boca ao avançado do Portimonense, impedindo assim o Benfica de passar pelas passas do Algarve, de uma forma completamente desnecessária e contra toda a lógica do jogo.
    Aursnes que não é manifestamente lateral direito, nem ponta esquerda, nem médio centro, é acima de tudo um enorme jogador de equipa, um carregador de pianos, como se dizia antigamente, que joga onde é preciso e quase sempre bem.
    Muito bem também estiveram o Neres, o Rafa, o Grimaldo e o jovem João Neves, que cada vez mais se impõe naquele meio campo como peixe na água.
    O Benfica está de volta com aquele futebol positivo e espetacular a que nos habituou durante grande parte da época, e não fosse aquela já crónica ineficácia ofensiva, poderia ter saído de Portimão com um resultado histórico, mas foi preciso esperar pela entrada de Musa, para nos escassos 8 minutos em que esteve em campo, marcar 40% dos golos da equipa.
    Para a semana a música será certamente outra, mas não duvido que o Benfica seja capaz de sair de Alvalade ao som do We Are the Champions, dos Queen.
    E Pluribus Unum !

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  2. Bem comentado. É isso, Pedro. E Pluribus Unum!

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  3. excelente comentario! E PLURIBUS unum... benfica sempre... Moises

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