
E ao quinto jogo (de preparação) o Benfica perdeu. Com o Burnley, da Premiere League, no Restelo. E, também pela primeira vez, não marcou.
Nunca é bom perder, mais a mais quando na época passada se sucederam jogos e meses sem perder. Mas, se perder nunca deveria ser um drama - mas é! -, perder nestes jogos de preparação dá sempre para relativizar.
Roger Schemidt seguiu à risca as normas que determinou para esta pré-época: um onze na primeira parte, e outro, completamente novo, na segunda. E regressou à norma do da primeira parte ser constituído pelos prioritários, desta vez já com Aursenes e Kökçü, e o da segunda pelos outros.
Só que desta vez a diferença de desempenho do primeiro para o segundo foi bem mais evidente. Tanto que aquela ideia de um plantel profundo, com duas opções de idêntica valia para a maioria das posições, ficou um pouco abalada. Do onze da segunda parte, hoje, não mais que três ou quatro jogadores mostraram poder aspirar a ser opção, e nem sequer regular, para o onze titular. E, à excepção de Ristic, nem esses - Neres, João Neves (a experiência a lateral direito não correu nada bem) e Florentino - estiveram propriamente à altura.
Mas pode ser que tenha sido só um jogo menos conseguido para a maioria dos jogadores escalados para a segunda parte.
Claro que o adversário também conta, e este Burnley, de Vincent Kompany, a antiga estrela belga do Manchester City, mostrou ser uma equipa forte e muito competitiva, como é próprio da Premiere League.
Mas o que nos interessa é o Benfica, e a verdade é que tem equipa mais que suficiente para ganhar a este Burnley. E que poderia perfeitamente ter ganhado. Jogou e criou oportunidades suficientes para isso mas, porque as desperdiçou todas, e porque o (excelente) guarda-redes Muric defendeu tudo, muitas vezes em modo milagre.
A equipa da primeira parte, com os prioritários, lidou bem com a pressão no campo todo da equipa inglesa - a lembrar o que aí vem, já dentro de poucos dias - e conseguiu, com muitos momentos de magia, anular essa pressão e construir belos lances de futebol, e suficientes oportunidades de golo para sair para o intervalo com vantagem de dois ou três golos.
A da segunda parte até nem lhe ficou atrás no que respeita a criação de oportunidades de golo. No resto sim, ficou bem atrás. Especialmente nas que consentiu, e que acabaram em golo. Nos dois com que os ingleses ganharam o jogo, ambos resultantes de erros graves. O primeiro de erros de muita gente, mas também de processo. O segundo, por um erro inaceitável de Samuel Soares.
Não é bom perder. É mesmo muito mau. Mas se der para tirar conclusões que venham a ser úteis no futuro próximo, dá para relativizar.
Podia ser pior. Podia pagar 200 milhões de euros por ano a um jogador para depois levar 5-0 do Celta de Vigo como um certo clube de um regime teocrático que eu cá sei...
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