segunda-feira, 3 de julho de 2023

O trabalho deles

Em França, os portugueses “só estão protegidos pelo pára-raios magrebino” |  França | PÚBLICO


A morte do jovem francês, de origem argelina, despoletou mais uma onda de violência que tem deixado a França a ferro e fogo. É certo que a violência nas ruas não é propriamente novidade no país. Como certo é que o país tem tudo o que a potencia.


Também desta vez nada há de muito novo. Nahel - assim se chamava o jovem, de 17 anos - vivia com a mãe num bairro da periferia de Paris, igual a tantos outros nas margens das grandes cidades francesas, onde jovens vivem em guetos, em comunidades em que se fecharam, ou em que foram fechados, e foi assassinado por um polícia a quem tentava escapar numa operação stop.


O polícia atirou a matar. E matou. Dispunha de toda uma série de alternativas, mas escolheu atirar a matar. E isso é simplesmente inaceitável. Como é igualmente inaceitável a violência que, a partir daí, tomou contas das ruas. E não, não é simplesmente a vingança pela inaceitável morte. É a expressão da delinquência instalada numa sociedade desestruturada, que só precisa de um pretexto para sair à rua.


O polícia assassino é responsável pela morte do rapaz, mas é ainda responsável pela ignição desta onda de violência e de destruição.


A polícia sabe - tem de saber - que sempre que ultrapasse os limites da lei, ou mesmo da simples decência, está a abrir as portas à violência e à delinquência. 


Que sempre interessa a certa gente. Tanto que desataram a criar fundos para apoio à família do polícia, onde parece que já não falta dinheiro. No texto da petição de um deles, diz-se que o agente "está a pagar um preço alto por fazer o seu trabalho".


Não, o polícia "não fez o seu trabalho". Fez o trabalho deles!


 


 

1 comentário:

  1. O que esse fundo de apoio ao assassino diz é simples: "Matas alguém "em nome da lei" e ficas rico.". Um bocado como nos EUA onde polícias assassinos acabam com férias extra remuneradas.

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