Se perder não é bom, perder duas vezes consecutivas é mesmo mau. Pior ainda é que, se na primeira derrota houve ares de coisa circunstancial, daqueles jogos que acontece perder, na segunda, hoje em Roterdão, com o Feyonoord, já não foi nada disso.
O Benfica perdeu (1-2) um jogo em que a única coisa positiva foi a expressão do marcador. O Feyenoord foi sempre muito mais competitivo, mais forte e melhor em todos os momentos do jogo.
Até pode haver quem não tenha ficado com esta ideia. Pode haver quem se limite a ver que o campeão dos Países Baixos marcou o primeiro golo muito cedo, numa falha de Aursenes que, a não ter acontecido, não teria marcado. E que o (excelente) golo do mexicano Santiago Gimenez do 2-0, ainda na primeira parte, em fora de jogo que a arbitragem (caseira, caseiríssima) deixou passar, não deveria ter sido validado.
Tudo isso é verdade, mas o jogo não se limitou a isso. O Feyenoord foi sempre táctica e fisicamente superior ao Benfica. Que nunca conseguiu responder aos dados que o adversário lançou para o jogo, nem nunca conseguiu impor os que teria para jogar.
É crónica - e por isso mais preocupante ainda - a dificuldade do Benfica responder à agressividade e à intensidade sempre que os adversários fazem disso a sua principal arma de jogo. E sabe-se como a agressividade nos duelos, e a intensidade colocada no jogo, são o alfa e ómega do futebol actual.
Roger Schemidt voltou a apresentar duas equipas. Do onze inicial, apenas Vlachodimos jogou os 90 minutos. Todos os jogadores de campo mudaram só, que, desta vez, não mudaram logo ao intervalo.
A onze inicial voltou a ser os dos prioritários, desta vez já com Otamendi. Ninguém esteve individualmente a nível aceitável, e o colectivo ainda menos. Talvez isso evidencie mais o problema central do Benfica nesta altura: Aursenes e Kökçü (homenageado e ovacionado na "Banheira de Roterdão"), por muito que seja a química entre ambos, não conseguem dar estabilidade ao meio campo nestes jogos de duelos e de alta pressão. Podem jogar juntos, a qualidade de cada um é indiscutível, mas não podem formar o par de meio campo. Terão que estar incluídos num trio que conte com um recuperador de bolas nato. Porque Kökçü, por muito que se queira, não é Enzo Fernandez.
Há, claramente, com Kökçü e Aursenes, um equívoco no meio campo do Benfica. Sendo ambos indiscutíveis!
A prova disso é como a equipa funcionou com Florentino e João Neves, não sendo qualquer deles indiscutível.
Ao contrário de todos os jogos anteriores Roger Schemidt não mudou o onze ao intervalo. E, face ao desacerto colectivo, se calhar até seria neste jogo que isso mais se justificasse. Mas não, fez então as substituições que mais claramente se percebiam como necessárias, tirando do jogo João Mário e Jurasék - os mais menos - para lançar Neres e Ristic (o que é preciso ainda para perceber que é (está) melhor que o checo?) e Otamendi - era o primeiro jogo - para lançar Morato, també, ele em condições de reclamar a titularidade.
O resto das substituições foram ocorrendo ao longo da segunda parte e, a confirmar o fraco rendimento dos titulares, praticamente todos estiveram a melhor nível. Também porque as substituições do adversário funcionaram ao contrário.
Destas - daquelas, das do Benfica - a surpresa maior foi Tiago Gouveia. Porque não tinha praticamente sido ainda utilizado, e tinha até sido dado como emprestado ao Cadiz, com opção de compra de 10 milhões de euros, e já não contava. E pelo que demonstrou, sendo dele até a assistência para o golo de Musa, que amenizou a derrota.
Não faço ideia do que se tenha passado neste volte-face mas, até pelo que é a realidade na lateral direita, Tiago Gouveia é um jogador a manter no plantel. E a acarinhar. Fosse pelo que fosse, foi bom emendar a mão.
Não foi boa a imagem que o Benfica deixou em Roterdão. De tal forma que, neste encontro entre fornecedor e cliente, ficou a ideia que o vendedor ainda tinha mais para vender, e o comprador mais para comprar.
A verdade nua e crua é que levámos um banho de bola na banheira de Roterdão e o resultado acabou até por ser lisonjeiro…É costume dizer-se que a um mau ensaio geral, corresponde uma boa estreia, que assim seja.
ResponderEliminarE Pluribus Unum!
Essa é a verdade. Já a do mau ensaio dar boa estreia, é verdade de antigamente. Agora já não é bem assim.
ResponderEliminarE Pluribus Unum!