segunda-feira, 14 de agosto de 2023

A primeira das 34 do 39


Há jogos assim, diz-se frequentemente. Mas na verdade não há tantos assim como este, desta noite, no Bessa, que fechou a primeira jornada deste campeonato 2023-24. O do 39!


Mas vamos ao jogo. Que arrancou num ambiente de hostilidade pouco visto. Das bancadas, provavelmente muito preenchidas pelas centenas de super-dragões anunciados pelo seu "chefe", cheio de bilhetes na mão, chegava o mote, ao som dos cânticos do costume. No relvado revelava-se na agressividade dos jogadores boavisteiros, sempre para além dos limites aceitáveis. E legais.


O árbitro esteve bem, punindo disciplinarmente logo os três jogadores do meio campo do Boavista. O primeiro logo no primeiro minuto. Bem, mas não tão bem assim. O segundo amarelo, mostrado a Makouta aos 10 minutos, deveria ter sido vermelho. O terceiro, a Perez, ainda antes de atingido o primeiro quarto de hora, levou os jogadores de Petit a refrearem o ímpeto. Mudou o jogo, e mudou o ambiente.


A partir daí o Benfica tomou definitivamente conta do jogo, e o vermelho das bancadas calou os cânticos miseráveis que até aí se ouviam. A meio da primeira parte, à segunda oportunidade, com naturalidade o Benfica abriu o marcador, com Di Maria a concluir um grande arranque de Rafa. E cometeu o primeiro pecado!


Porventura com as dificuldades dos primeiros 15 minutos na cabeça, os jogadores pensaram em gerir o domínio do jogo, em vez de forçarem o assalto à baliza do Boavista para "matar" o jogo logo ali, e deixarem o resultado feito até ao intervalo.


A segunda parte arrancou com Petit a retirar os "amarelados", deixando apenas o experimentado - e manhoso - Perez, e o Benfica no mesmíssimo registo, como se o domínio do jogo fosse suficiente para o ganhar. E logo apareceu o primeiro acidente grave do.jogo. Acidente é assim. Sem aviso, nem sinal de alarme. 


Musa pisou a bola, escorregou, o pé sai-lhe direitinho às penas do central Abascal, e foi para a rua. Quando tudo apontava para ser o Boavista a ficar, mais cedo ou mais tarde, em inferioridade numérica, a fava calhava ao Benfica.


Roger Schemidt nem esperou para ver. Ainda antes do jogo ser reatado, com o defesa boavisteiro a ser assistido em campo, substituiu Di Maria ... por Morato. Era o segundo pecado!


Ninguém percebeu a opção do treinador. O que se percebeu foi que aquilo era mandar para dentro do campo a ideia que, a partir dali, era para defender o 1-0. Não podia ter corrido pior e, da cobrança do livre, depois da bola ressaltar na multidão formada pelos centrais do Benfica, até acabar ali à frente de Jurásek, não foi o lateral esquerdo, como que hipnotizado a olhar para ela, a tirá-la dali, mas o Bozeník a metê-la na baliza do Vlachodimos.


Com dez, com o jogo empatado, e com a equipa "armada" em contra-mão (três centrais e cinco defesas), os jogadores do Benfica pegaram no jogo e foram para cima do Boavista, remetido à sua área, a defender o empate. Depois de vinte minutos de domínio avassalador do jogo, com a bola a teimar quanto podia em não entrar na baliza - antes, num lance em que até pareceu ter sido cometida falta para penálti, já Rafa tinha acertado na barra - lá chegou o golo. De Rafa, à terceira, depois do guarda-redes ter defendido um grande remate de Kokçu, e da recarga de João Neves ter acabado na barra. 


Era o golo da vitória. Só podia. Ia entrar-se no último quarto de hora, e a superioridade dos 10 do Benfica sobre os 11 do Boavista era tal, que não passava pela cabeça de ninguém que os três pontos pudessem fugir.


Terceiro pecado: a equipa também pensou assim, mas deixou de fazer o que era necessário para que fosse assim. E, em cima do minuto 90, do nada, Vlachodimos, que nunca teve nada para defender, arranjou complicação. Andou aos papéis e acabou com o António Silva a fazer um penálti para cortar a bola.


E o Boavista empatava de novo. Era tudo o que queria. Nos 10 minutos de tempo extra o Benfica repetiu o assalto à baliza axadrezada, e a bola voltava a teimar em não entrar, como naquele remate espectacular de Neres à barra. Pela terceira vez!


Com o Boavista a queimar tempo, o árbitro a compensá-lo, e o Benfica com toda a gente na frente, desesperadamente à procura do golo, uma perda de bola de António Silva, e mais uma vez com Vlachodimos embrulhado nos seus equívocos e angústias, acabou no terceiro golo axadrezado e na inacreditável vitória da equipa que só queria empatar. 


É fácil "bater" no treinador. Aquela substituição do Di Maria pelo Morato é também ela inacreditável. Nos jogadores, não. E este jogo acabou até por resolver as duas grandes questões que as últimas contratações levantavam: Musa, ausente do próximo jogo, resolveu o problema da titularidade de Cabral sem razões para melindres e fracturas; e Vlachodimos não irá estranhar que a sua titularidade tenha caído ao primeiro abanão.


É por isso termino como iniciei: este é para o 39!

3 comentários:

  1. “Se alguma coisa pode correr mal, vai correr. E vai correr mal da pior maneira, no pior momento e causando o maior dano possível.”
    Quem melhor que Murphy para explicar o que sucedeu no Bessa?
    E Pluribus Unum!

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  2. Exactamente. A lei de Murphy implacável. Nada vai poder voltar a correr mal; com o Sr Murphy não se brinca.
    E Pluribus Unum!

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  3. Um golo aos 103 minutos... Que raio...

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