
O Gonçalo Ramos já partiu, com destino a um PSG a arder, como o país que acabou de deixar. Vai ganhar muito dinheiro, e provavelmente muitos títulos nacionais. Mas não terá certamente escolhido o melhor destino para a sua carreira desportiva.
Era uma partida anunciada. Com contrato até 2025, sabia-se que teria de sair neste início de época. O Benfica não está, nem provavelmente nunca virá a estar, em condições de segurar os seus melhores jogadores. Resta-lhe aproveitar o prestígio da marca "made in Seixal", e a partir dela procurar fazer os melhores negócios.
E foi o que fez!
Por mais ruído que se instale à sua volta, e por mais que os adversários lhe tentem injectar veneno, este foi um bom negócio. A oportunidade não foi a ideal. Com a pré-época concluída, e em cima de um jogo importante - não é a Supertaça que é importante, o jogo é que é importante pelo impacto que tem no arranque do campeonato, quase sempre decisivo para as contas finais -, esta não era a melhor altura para comunicar a saída de um jogador com o peso que Gonçalo Ramos já tinha no Benfica. Mas terá sido a possível, como curiosamente o próprio jogador fez notar na entrevista de despedida, na BTV.
O comunicado emitido pelo Benfica ontem ao final da tarde a confirmar a operação agitou o panorama da comunicação social desportiva, sempre no seu melhor. Entre a ignorância e a iliteracia que a caracteriza, e o veneno que a alimenta, foi um festival de incompetência. Inversamente proporcional à da estrutura do Benfica. No negócio, e no comunicado.
Não importa se o modelo do negócio foi aquele para ir de encontro aos interesses do PSG, apertado no "fair play" financeiro da UEFA. Importa o negócio, e os interesses do Benfica. E esses demonstram-se em poucas linhas:
- O contrato terminava em 2025 e o jogador ficaria livre no fim do próximo ano;
- A venda do passe nesta altura implicava comissões (de 10%) a dois intermediários: o inevitável Jorge Mendes, envolvido no negócio, e o anterior empresário do jogador, à sombra da bananeira;
- O negócio é um empréstimo por um ano, até 2024, como curiosamente documenta a própria camisola na apresentação de Gonçalo Ramos; a venda do passe ocorrerá depois, curiosamente já no ano em que o jogador passaria a ficar livre do contrato com o Benfica; curiosamente quando o anterior empresário já não tem nada a reclamar;
- O montante total do negócio pode atingir 80 milhões de euros: 65 milhões, mais 15, por objectivos.
O comunicado (imagem abaixo) é perfeito. Basta saber ler para o perceber. Só que isso parece que não é requisito nem para escrever nos jornais desportivos, nem para ganhar dinheiro a debitar patetices nas CMTV´s e CNN´s deste mundo.
Para que tudo seja mesmo perfeito é preciso que o Musa recomece já a marcar já depois de amanhã. E que o Arthur Cabral - não faço ideia se será a melhor das opções para substituir o Gonçalo, mas foi bonito de ver toda a comunicação social desportiva apanhada em fora de jogo - tenha que dar tudo para lhe ocupar o lugar no onze.

Ele que ponha os olhos na ex-vedeta Flop Félix e não se deslumbre pelos milhões fáceis que lhe vão cair na conta. Se quiser ser um bom jogador terá que o demonstrar todos os dias dentro e fora do campo. Tal como o antecessor, terá tempo e oportunidades para mostrar o que vale.
ResponderEliminarPenso que não é difícil perceber que essa espécie de tv de nome cmtv é absolutamente execrável.
ResponderEliminarEu oiço os gloriosos cartilheiros do toupeiral a dizer que, para o PSG, o contrato envolve uma cláusula de opção de compra obrigatória. Isto de opções de compra obrigatórias é coisa nunca vista, só mesmo no toupeiral. Então o PSG tem de optar pela compra e só pela compra? Não pode optar por não comprar? Onde é que está a opção? É aquela do tempo do Mário Wilson?
ResponderEliminarOutra coisa dos gloriosos catilheiros do toupeiral. Dizem que o Benfica adquiriu um guarda redes muito bom por 10 milhões, mas que o clube que o vende fica com o direito a 40% em mais valias no caso de venda do atleta. Quer dizer, por exemplo, que se o Benfica vender o atleta por 30 milhões, há uma mais valia de 20 milhões em que o clube vendedor vai buscar 8 milhões (os tais 40%) e o Benfica leva o resto, ou seja ganha 12 milhões. Mas se o Benfica só vender por 6 milhões, então há uma perda, uma menos valia, de 4 milhões em que o desgraçado do clube vendedor ainda terá de pagar ao Benfica 2,4 milhões. Fónix!
Boa tarde, Eduardo
ResponderEliminarPoucas -- muito poucas mesmo -- vezes comento o que quer que seja na internet, embora, curiosamente, com este, seja repetente em escritos de sua origem.
Gostei da tentativa de esclarecimento de um negócio tão mal abordado pela generalidade da comunicação social. Contudo, fiquei com algumas dúvidas. A saber:
-- A comissão dos intermediários (10%) é cumulativa indiferentemente de quantas sejam as entidades a recebê-la? É que, em caso de o ser, não vejo que interesse retira o Benfica do final do período de contrato com o "anterior empresário", posto que sempre terá de arcar com o mesmo valor de comissão, desta feita, na globalidade, ao "inevitável" Jorge Mendes. A menos que a "bananeira" deste último seja antes uma "árvore das patacas" para o clube encarnado.
Li ainda com atenção o comunicado do Benfica e surpreendeu-me a afirmação de que "A opção (de transferência) poderá ser exercida pelo Paris Saint-Germain ou pela Benfica SAD durante a presente época desportiva". Até melhor esclarecimento, parece-me frase descabida no contexto do seu escrito.
Também não sei quem são as entidades que "participaram na formação do jogador". Certo é que, a retirarmos 5+10% do montante da venda, melhor seria falarmos de uma operação que oscilará entre 55 575 000 e, na melhor das hipóteses, 68 400 000 euros.
Cumprimentos,
Eduardo Gomes
Boa tarde, Eduardo.
ResponderEliminarCada agente tem a sua comissão. Neste caso de 10%. O anterior agente do jogador tinha uma comissão de 10% sobre o valor de uma transferência futura que ocorresse até ao fecho deste mercado.
A frase que transcreve não é descabida. Pelo contrário, é juridicamente fundamental - marca a separação entre o empréstimo e a venda do passe. E precisa que a decisão da "venda" é tomada no decorrer da época, e não neste período de mercado.
O valor de 5% do negócio a distribuir pelos clubes onde o jogador transferido fez a formação é uma (justa, e até chamada de solidária) imposição da FIFA que vigora para todas as transferências. O Gonçalo Ramos, mesmo tendo chegado criança ao Benfica, tinha iniciado a formação no Olhanense.
Por último: uma coisa é o valor da operação, outra é o encaixe líquido. Esse dependerá dos custos a ela associados, incluindo até os financeiros. As contas que faz para calcular o encaixe líquido não estão rigorosamente certas, porque a comissão de 10% para Jorge Mendes incide sobre o valor da operação líquido dos 5% do mecanismo de solidariedade. Nesta altura é extemporâneo calcular o encaixe líquido porque não há divulgação das condições de pagamento quando a venda se concretizar. Nem poderia haver.
Anda aí confusão a mais. Mas o que lhe posso fazer?
ResponderEliminarMas olhe, sempre lhe digo que opção é opção. E que mais valia não é menos valia. Percebe?
nem sei quem é esse gonçalo.
ResponderEliminarMas venham mais negocios , mas civis, assim explicadinho, que muito necessitamos.
Tanta azia cronica
ResponderEliminarNem o Marques Mendes lograria dar resposta mais esclarecedora. Parabéns.
ResponderEliminarEle já é um bom jogador, e quanto ao ter de o demonstrar todos os dias espero bem que não o demonstre nos dias em que defrontar o Benfica na CL.
ResponderEliminarO Benfica tem de deixar de fazer estes negócios. Urge isso.
ResponderEliminarJulgo que, não é de todo saudável deixar os adeptos da santa aliança neste estado.
Aqui o anónimo, completamente baralhado do cérebro, vai andar anos até compreender o negócio.
O que também demorará anos, é este enorme sentimento de inferioridade que lhes fica atravessado, pois o clube dele não consegue fazer uma venda do género.
Foram 126+121+100+80. Impressionante para clube português.
LoL, você não é bom da cabeça amigo
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