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Casa cheia na Luz, e excelente ambiente novamente, desta vez para defrontar Vitória Sport Club, o líder do campeonato. Que se apresentou desfalcado, depois de perder, no fecho do mercado, o jogador que era só a mais cara contratação de sempre do clube de Guimarães. O craque, Francisco Ribeiro, médio de 18 anos, contratado ao Porto por 11 milhões de euros, saiu por empréstimo ao ... Canelas.
Talvez se comece a explicar nesta baixa de vulto da equipa vimaranense a derrota pesada que viria a sofrer ontem na Luz. Casos de polícia à parte, nesta que será certamente a Liga mais desavergonhada do futebol do primeiro mundo, o jogo teve muito para contar. Mesmo que muito disso já tenha sido contado. É que os jogos do Benfica começam a ter muito de decalcado de outros.
O início começa a ser invariavelmente o mesmo. Os primeiros três, quatro ou cinco minutos são invariavelmente de pressão do adversário. Os primeiros remates, também. Depois as peças da máquina benfiquista começam a encaixar, o futebol começa a soltar-se, e todo aquele primeiro milho fica mesmo para os pardais.
A novidade no jogo de ontem é que as coisas começaram a correr bem desde muito cedo. Depois dos primeiros remates para os visitantes, e logo depois do remate de um jogador vimaranense, isolado, ao poste esquerdo da baliza de Samuel Soares, um auto-golo do defesa Jorge Fernandes deixou o Benfica na frente do marcador. Visto assim, parece que os deuses da fortuna estavam do lado do campeão nacional. Mas não foi tanto assim: no lance do remate ao poste, havia fora de jogo claro. Se a bola tivesse entrado teria sido anulado, mesmo que não se perceba por que assinalado pela equipa de arbitragem. E, no auto-golo, pela qualidade do cruzamento de Di Maria, o defesa do Guimarães não fez mais que "tirar o pão da boca" ao Rafa. Centrada daquela forma, a bola acabaria sempre no fundo da baliza. Por tudo o que jogou, Rafa merecia ter sido ele a colocá-a lá no fundo.
Já só dava Benfica, e mais passou a dar a partir da expulsão de João Mendes, logo aos 19 minutos, por pontapear a cara de Otamendi. A exibição começou a trazer-nos à memória a última temporada, e a dever golos ao resultado. O Vitória apenas defendia, com duas linhas - uma de cinco e outra de quatro - a taparem os caminhos para a baliza de Varela (outra vítima do Bessa) e dava cacetada, tendo o árbitro Nuno Almeida poupado alguns amarelos e até pelo menos um vermelho, a Jota Silva, o mais batoteiro dos jogadores em campo.
João Mário, João Neves, Aursenes, Kokçu, Rafa e Di Maria davam recital e iam deixando os jogadores vimaranenses atordoados. Sempre à beira de um ataque de nervos.
Os golos é que eram poucos para tanto domínio. Apenas um (Di Maria), pouco depois da meia hora, naquela jogada magistral de João Mário e Rafa, e o golaço de Kokçu, já em tempo de compensação para o intervalo.
A segunda parte prometia muitos mais golos. Mas acabou por se ficar pela promessa, ao primeiro minuto, naquele golo de Aursenes de excelente execução: o remate contra o solo era mesmo a única solução para enfiar a bola na baliza!
À medida que o tempo ia passando os jogadores começaram a abrandar o ritmo. As substituições - sempre as mesmas - também não ajudaram. E aquilo que parecia destinado a ser uma goleada das que já se usam acabou até com o calafrio do golo, anulado pelo VAR por ter sido marcado com a mão mas, antes de tudo, mais um lance de todo inaceitável do ponto de vista de comportamento defensivo.
Este é um dos aspecto negativos que a equipa manteve no jogo de ontem. O golo foi marcado com a mão, mas poderia tê-lo sido com a canela, o joelho ou a barriga. Outro é a dificuldade em marcar, e até em criar oportunidades claras de golo, em ataque planeado. É aqui que se nota a falta que Gonçalo Ramos faz. O Benfica praticamente só marca quando apanha o adversário descompensado, seja em transição, seja em recuperações de bola adiantadas.
A forma individual dos jogadores está a melhorar a olhos vistos. João Mário já está ao melhor nível da última época, e percebe-se como é fundamental na equipa. Rafa continua em grande. Kokçu cresce claramente de jogo para jogo. Aursenes está também de regresso, e ontem esteve soberbo. A Di Maria tudo se perdoa, mas parece-me que exagera em certos momentos do jogo, principalmente com passes de mudança de flanco nem sempre a propósito, e alguns de alto risco.
Bah é que continua com pouca confiança. E pouco feliz. E não tem alternativa. Neres continua a eclipar-se. E Arthur Cabral tarda em confirmar a justificação da sua contratação. Bernat, a contratação de última hora, se a condição física lho permitir, poderá atenuar a saída de Grimaldo, e confirmar o despropósito da contratação de Juracék por 14 milhões de euros.
Vem aí a primeira paragem para as selecções. Esperemos que não se repita o que sucedeu na época passada, e que, desta vez, a equipa não perca a embalagem que ontem pareceu ter já atingido.
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