quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Se é para a palhaçada, que seja palhaçada!

Conselho de Estado muito tenso: Costa deixou Marcelo a falar sozinho


O Conselho de Estado é um órgão consultivo do Presidente da República. Que o convoca precisamente para consultar as suas opiniões sobre decisões de supremo interesse do Estado que lhe competem.


Por isso é suposto que seja convocado em cenários de grandes decisões a tomar pelo Presidente da República. Do que se lá passa, nada deve passar para o exterior - as actas só poderão ser reveladas publicamente 30 anos depois do fim do mandato do respectivo Presidente como, bem, lembrou hoje António Costa. Para o público deve passar a (grande) decisão tomada pelo Presidente.


Era assim até o Presidente ser Marcelo. E passou a ser outra coisa. Passou a ser um circo, o espaço em que Marcelo transformou a política. Passou a convocá-lo, não para ser aconselhado, mas para alimentar a visão de espectáculo permanente que tem da política. Por isso convida quem quer, interrompe-o quando quer, retoma-o quando quer e utiliza-o para o que quer. 


E, por isso, não admira que minutos depois de concluído seja conhecido tudo o que lá se passou. Se é para a palhaçada, que seja palhaçada!  


Já são é palhaçadas a mais.

2 comentários:

  1. "Na civilização do espectáculo,infelizmente,a influência que a cultura exerce sobre a política,em vez de lhe exigir que mantenha certos padrões de excelência e integridade,contribui para o deteriorar moral e civicamente,estimulando o que possa nele haver de pior,por exemplo,a simples farsa.Já vimos como,ao ritmo da cultura dominante,a política foi substituindo cada vez mais as ideias e os ideais,o debate intelectual e os programas,pela mera publicidade e pelas aparências.Consequentemente,a popularidade e o êxito conquistam-se não tanto pela inteligência e pela probidade,mas sim pela demagogia e pelo "talento" hístriónico.Assim dá-se o curioso paradoxo de que,enquanto nas sociedades autoritárias é a política que corrompe e degrada a cultura,nas democracias modernas é a cultura(ou aquilo que usurpa o seu nome) o que corrompe e degrada a política e os políticos.

    O desprestígio da política nos nossos dias não conhece fronteiras e isso obedece a uma realidade incontestável: com variantes e matizes próprios de cada país,em quase todo o mundo,tanto o avançado como o subdesenvolvido,o nível intelectual,profissional e moral da classe política decaiu.As democracias sofrem desse desgaste e a sequela disso é o desinteresse pela política denunciado pelo absentismo nos processos eleitorais tão frequente em quase todos os países.
    A que é que se deve que o mundo inteiro(ou quase) tenha vindo a pensar aquilo que todos os ditadores quiseram inculcar sempre nos povos que subjugaram,que a política é uma actividade vil? "
    ( do quinto capítulo de 'A Civilização do Espectáculo' de Vargas Losa)

    ResponderEliminar
  2. Com todo o propósito, esta citação da obra de 2012 do Nobel Mario Vargas Llosa. Obrigado.

    ResponderEliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...