quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Custos do deslumbramento

Efacec: Estado investiu 132 milhões mais 85 milhões de euros em garantias


A Efacec já foi uma grande empresa portuguesa, e um dos principais centros de desenvolvimento tecnológico do país. Com a febre angolana que por aqui andou durante anos, numa pandemia de deslumbramento, foi parar às mãos de Isabel dos Santos.


Das suas mãos caiu, quando ela tremeu e a pandemia amainou. Escaqueirada, sem caco que se aproveitasse. Para que não fechasse portas e pusesse milhares de trabalhadores na rua, o governo dispôs-se a pagar os salários, à razão de 10 milhões de euros por mês, enquanto procurava um comprador, porque também não sabia o que fazer com aquilo. Chegou aos 200 milhões de euros!


O Ministro da Economia anunciou ontem o comprador, enquanto anunciava e celebrava um final feliz. Um sonho, para Marcelo, aquém do sonhado. O comprador é a Mutares, um fundo alemão, que vive de vender empresas que não precisa de comprar. É assim com todos os fundos da especialidade. 


Nem a Mutares comprou, nem o Estado vendeu. Para ficar com a empresa o fundo alemão limita-se a entrar com 15 milhões de euros para capital, o correspondente a menos de um mês de salários, e a pedir ao Estado que entre com mais 160 milhões. Praticamente 11 vezes mais. Que somam aos 200 milhões já lá enterrados, e aos 35 milhões que, quando nenhum banco lá punha um cêntimo, o Banco de Fomento foi obrigado a lá meter. E ninguém se espantará se daqui por uns tempos se vierem a conhecer garantias sobre todas as responsabilidades contingenciais. Tipo Novo Banco, e tantas outras coisas do género.


Pode até ser que, agora, aqui chegados, não pudesse ser de outra forma. Sou dos que acreditam que António Costa Silva é pessoa séria e competente. Mas custa que o deslumbramento de um passado recente custe hoje tanto a pagar. E não custa menos ver como desapareceram quase todas as empresas estratégicas para qualificar a economia portuguesa. Como o país perdeu uma multinacional de referência, como era a Cimpor. Como destruiu um centro de inovação como era a PT, ou uma referência tecnológica como a Efacec... 


Sempre por deslumbramento!

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