sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Bom jogo e 70 minutos de bom Benfica


Começou bem o jogo, o Benfica. E acabou bem. O ano e o jogo. Pelo meio, de um e de outro, nem tudo correu bem. Mas tudo está bem quando acaba bem.


Neste último jogo do ano acorreram à Catedral quase 59 mil pessoas. Casa perto de cheia mas, ainda assim - registe-se - abaixo da média de assistências da Luz nesta época. Só para se tenha noção ...


O Benfica, com a dupla de centrais campeões da Europa (UEFA Youth League) - António Silva e Tomás Araújo -, e com Morato a manter-se na esquerda. Com João Neves e Tiago Gouveia (em estreia no onze inicial), iniciou o jogo com cinco (quase 50%) de jogadores da formação. Depois, entraram mais três (Gonçalo Guedes, Florentino e o central Gustavo Marques, em estreia). Soma oito. No banco ficaram o guarda-redes Samuel Soares e Hugo Félix, o mano mais novo. E soma dez. Nada mau!


O Benfica entrou bem, dominando e controlando um jogo que se percebeu logo ser difícil. O Famalicão é uma boa equipa, bem trabalhada pelo competente João Pedro Sousa, que joga bem. E disputou e discutiu bem o jogo no campo todo. Não defendeu só, nem nada que se pareça. Passado o primeiro quarto de hora, de clara superioridade do Benfica, com duas ocasiões claras de golo, o Famalicão passou a estar confortável no jogo e, à meia hora de jogo, até já tinha equilibrado a posse de bola. Não chegava à baliza de Trubin, é certo. Mas ia jogando à bola e mostrando-se difícil de bater. O Benfica jogava bem, e o jogo era vistoso e interessante.


À passagem dessa meia hora o Benfica marcou, à terceira oportunidade. O lance - um dos melhores do jogo -começou no génio de João Neves, passou pelo do Rafa e acabou no primeiro golo de Arthur Cabral na Luz. E o jogo foi para intervalo com um escasso, mas face aos habituais índices de ineficácia, aceitável 1-0.


A segunda parte foi outro jogo. Iniciou-se praticamente com o Famalicão a mostrar ao que vinha, com um bom remate de longe. Durante os primeiros dez minutos o Benfica ainda se manteve por cima do jogo, mas a errar sucessivamente na definição final dos lances, o que ia dando mais alma aos famalicenses. Depois ainda foram do Benfica as melhores oportunidades, em três boas jogadas: na primeira, o central Otávio tirou o golo cantado a João Neves; seguiu-se o livre de Kokçu, com grande defesa do guarda-redes; e por último, aos 63 minutos, Cabral, isolado, acertou no ombro do Luiz Júnior. 


A partir daí o Famalicão partiu para o domínio do jogo, com a equipa do Benfica incapaz de o contrariar. Foram vinte minutos inexplicáveis, que só acabaram com o segundo golo. Mas que bem poderiam ter acabado com o golo do empate. Que só não aconteceu porque Trubin fez um punhado de grandes defesas - é certo que duas delas em jogadas de fora de jogo, que não contam para as estatísticas - e porque, desta feita, o ferro que funcionou foi o do seu poste direito.


Durante aqueles 20 minutos em que o Famalicão se lançou para a frente, na procura desenfreada do golo, o que se estranhava era que o Benfica não conseguisse aproveitar em transições rápidas o espaço deixado nas costas da defesa adversária, já muito despovoada. Poderia tardar - como tardou - mas era virtualmente impossível que não surgisse uma transição que resultasse. 


Aconteceu aos 85 minutos: transição perfeita, lance bonito de futebol e golo de Rafa, assistido por Musa, que já tinha entrado para substituir Cabral. E ponto final nas aspirações do Famalicão. Quatro minutos depois inverteram-se os papéis, e foi Musa a marcar, com assistência de Rafa. E houve ainda tempo e oportunidade para o bis de Musa, desperdiçado de forma inacreditável.


Afinal o Benfica acabou para marcar três golos, em oito oportunidades. O que não é nada mau, comparado com os últimos jogos. Mau é que tenha permitido quatro ao Famalicão - em 20 minutos. 


Mas é assim. Há jogos em que o Benfica cria dezenas de situações de golo e não marca. E acaba até por sofrer numa carambola qualquer. Ainda há poucas semanas aconteceu, com Farense. O que não pode ser assim é aqueles 20 minutos. Que ficam a marcar este jogo, também marcado pelas lesões de Aursenes (este é que não pode cair no estaleiro) e de Tomás Araújo.


E venha daí 2024!


  

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