domingo, 17 de dezembro de 2023

Classe e sofrimento em vitória importante

Benfica passa (com sofrimento) na Pedreira e sobe à liderança antes do clássico


Foi um grande jogo de futebol, o desta noite, em Braga, com tudo o que o jogo precisa para ser um grande espectáculo. 


É grande a responsabilidade do Benfica na qualidade do espectáculo, mas há que dizer que também o Braga foi um parceiro que não regateou a parte que lhe cabia, dando também a sua forte contribuição. 


O jogo começou com um cartão amarelo para Morato, que continua a jogar a defesa esquerdo. No primeiro minuto. Na primeira das três faltas cometidas pelo Benfica - tantas quantas as do Braga -  de toda a primeira parte. Do livre a favor do Braga, numa transição rápida, e perfeita, Tengestedt marcou o golo do Benfica. Na primeira saída para o ataque e, naturalmente, no primeiro remate do jogo.


Não costuma ser assim. O golo tem estado muito caro, e a exigir vultuosos investimentos. Depois tudo passou a ser o que é costume. O Benfica partiu para uma grande exibição, não naquele registo mais habitual, de muita posse, muita circulação, pressão e asfixia do adversário. Mas nem sempre é preciso isso para jogar bem.


E o Benfica jogou mesmo muito bem. Controlando o jogo lá atrás e saindo em sucessivas transições rápidas, sempre com os jogadores a tomarem as melhores decisões em todas as zonas do campo, e sempre praticamente sem falharem um passe, numa primeira parte de antologia. 


Poderia ter aí resolvido o jogo e o resultado, não tivesse o lance do golo sido a excepção à regra que é o desperdício na hora de meter a bola na baliza. E a mala-pata das bolas nos ferros da baliza. Desta foi por duas vezes - primeiro foi Di María, na barra, na fase mais frenética do jogo, a concluir com um remate perfeito, em arco, uma das muitas jogadas espectaculares de todo o jogo; depois foi Otamendi, num cabeceamento na sequência de um canto de Di Maria, a acertar no poste.


Para além destas duas bolas nos ferros, e de um golo anulado a Rafa por fora de jogo (milimétrico, com muitas dúvidas, mas que as linhas marotas indicaram ser 60 centímetros quando, no golo anulado ao Ricardo Horta, em que o fora de jogo era evidente na jogada corrida, passaram a indicar 11), o Benfica dispôs de mais três bolas para golo cantado, através de António Silva, Di María e Tengstedt.


À meia hora o treinador do Braga alterou a estrutura da equipa (retirou Zalazar e fez entrar Andrè Horta) para tentar abrigar-se daquele vendaval de transições. Nem assim as feições do jogo se alteraram, e o Benfica poderia ter chegado ao intervalo a ganhar por quatro ou cinco golos. Mas o resultado manteve-se no magro 1-0, com tudo o que isso representa nesta fase que a equipa tem atravessado.


Na entrada para a segunda parte percebeu-se que, então sim, o jogo poderia ter outra cara. Ainda assim foi de João Mário a primeira grande oportunidade da segunda parte para marcar o segundo golo. Mas as coisas já não saíam da mesma forma. A precisão do passe já não era a mesma, e as transições começaram a falhar, o que pesou decididamente no rumo que o jogo tomou. O Braga cresceu e tornou-se mais agressivo e pressionante; e o Benfica viu-se obrigado a optar por um futebol mais directo. E a saber sofrer. E como souberam, todos eles...


O treinador do Braga não quis correr riscos e, ao contrário de Roger Schmidt, que manteve Morato em campo durante todo o jogo, substituiu os centrais à medida que iam sendo amarelados. As duas substituições que lhe restavam foram usadas para reforçar o ataque, com mais um ponta de lança (Abel Ruiz) e um ala (Rony Lopes), precisamente para cima de Morato. Que se aguentou, muito pelo esforço de João Mário, na ajuda por aquele lado esquerdo.


Schmidt começou por trocar (bem cedo, no fim do primeiro quarto de hora) Tengestedt por Musa. E bem, era o ponta de lança quem mais se aproximava da ideia que tinha trazido para o jogo, e mais ainda das novas necessidades que o jogo impunha. E, depois, quando a pressão do Braga era já intensa na procura do empate, trocou os esgotados Di Maria e Rafa por Guedes e Florentino. Bem, novamente!


O resto foi aguentar. Sofrer e ... Trubin. Que acabou por ser o "homem do jogo" com três defesas de grande valia, a última já no terceiro dos longos sete minutos de compensação, a segurar a vitória. Importante, com o Benfica a voltar a dizer "presente" nas grandes decisões. E sofrida - o Braga tinha marcado em todos os jogos, e virado muitas vezes resultados nos descontos -, é certo. Mas esse foi o preço a pagar por tanto desperdício!  


 


 

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