domingo, 3 de dezembro de 2023

"Munta fortes"


Um jogo em Moreira de Cónegos é sempre difícil para o Benfica. O campo é de medidas reduzidas, e o Moreirense é sempre um equipa que (se) defende bem, e que coloca sempre grande intensidade no jogo. Um jogo arbitrado pelo "amigo de Peniche" é sempre difícil para o Benfica.


Este jogo de hoje era já, por isso, duplamente difícil. Não era preciso que Roger Schmidt arranjasse mais dificuldades!


O campo não cresceu, continuou pequeno. O Moreirense entrou com grande intensidade, e mandou até no jogo durante o quarto de hora inicial. Depois - foi precisamente aos 15 minutos que o Benfica apareceu, naquele remate de Di Maria, muito bem defendido pelo guarda-redes dos "cónegos" - defendeu(-se). E Fábio Veríssimo fez o que é costume, mesmo que nem tenha precisado de fazer tanto como é costume. Desta vez limitou-se a deixar os dois centrais do Moreirense em campo durante todos os 90 minutos: um, o Maracás deveria ter sido expulso no fim da primeira parte, quando impediu em falta que Rafa ficasse isolado; e o outro, o Marcelo, aos 5 minutos da segunda parte, numa entrada sobre Kokçu. Em ambos os casos ficou-se pelo amarelo, e o VAR pela cumplicidade.


 Tenho evitado falar do treinador do Benfica. Tem sido vítima de perseguição pela generalidade da comunicação social, numa campanha que tem chegado a ser reles, e isso justificaria que o defendêssemos. Mas também é preciso que seja ele a fazer alguma coisa. 


Roger Schmidt perdeu a cabeça com a comunicação social. Foi pouco "alemão", não conseguiu a frieza necessária para reagir à campanha contra ele lançada, e foi dando o flanco. Sem falar português - onde é que se viu isso ser problema contra qualquer outro treinador estrangeiro ? - apareceu hoje nas primeiras páginas dos jornais desportivos a dizer que "tamos munta fortes". Foi assim mesmo que me pareceu que deveria ter sido traduzido!


Foi justamente por me ter soado assim que decidi deixar de dar para o peditório da defesa de Roger Schmidt.


Na realidade as dificuldades do jogo já eram já suficientes. Pedia-se-lhe que as resolvesse, e que não criasse mais. Só que não foi nada disso que fez. Começou a criá-las com o "tamos munta fortes". Tão fortes que nem é preciso fazer nada para ganhar os jogos, basta deixá-los correr. Por isso a equipa só entrou aos 15 minutos, deixou correr o jogo, e a criar mais dificuldades. Como se não fossem ainda suficientes, a cada substituição criou novas dificuldades. 


Ao intervalo retirou o Florentino e o João Neves. O centro do meio campo. E mais, o motor da equipa. Para entrarem Chiquinho, com as limitações que tem, e Kokçu, vindo de lesão e completamente fora de forma. Ninguém percebeu. 


Já perto da entrada do último quarto de hora quando, sem golos e sem sequer oportunidades para isso, quando era preciso reforçar a presença na área adversária, trocou de ponta de lança. Curiosamente foi nesse momento que aconteceu o golo de ... João Mário. Anulado por fora de jogo de Kokçu, na assistência. Nas escolhas do ponta de lança Schmidt parece jogar à roleta russa, e a troca de Tengstedt por Cabral foi apenas a criação de mais dificuldades. 


Ninguém percebeu. A dois minutos dos 90 substituiu João Mário por Gonçalo Guedes. E Morato, a jogar aquele tempo todo como defesa esquerdo, por João Victor. Que é também um central e entrou para a a direita, passando Aursenes para a esquerda. Alguém consegue perceber?


Isto não é nada. Com 65% de posse de bola, o Benfica rematou as mesmas 11 vezes que o Moreirense. 


Roger Schmidt perdeu a cabeça, perdeu o tino e perdeu todo o espaço no Benfica. E não é de hoje!


 


 


 

1 comentário:

  1. Fui ver o jogo ao estádio, apoio fantástico dos benfiquistas cerca de 7.000.
    Treinador completamente perdido nas opções, equipa sem ritmo, sem ideias, etc...
    Porque razão não jogamos com laterais de raiz?
    Porque razão contratamos Arthur Picanha? (alcunha que ouvi no estádio)

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