quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

O diabo ainda anda por aí ...


Tenho referido aqui que, nos últimos jogos do Benfica, "o diabo tinha deixado de estar sempre atrás da porta". E como isso ajudava... 


Hoje, com a Luz cheia, como é habitual, com perto de 60 mil nas bancadas, lá espreitou ele. Não sou supersticioso mas há coisas que não me trazem boas sensações. Uma delas é quando a águia Vitória se distrai, e não leva o seu papel muito a sério. Deve ter sido isso, deve ter sido a nossa Vitória a trazer o "diabo para trás da porta". É que o Benfica entrou bem no jogo mas, à primeira perda de bola (de Di Maria, que iniciou o jogo com passes de lés a lés), o primeiro remate do Braga (e também do jogo), a primeira defesa de Trubin, o primeiro canto ... e golo. Para que não ficassem dúvidas que aquilo era obra do diabo, Trubin enquadrou-se com a bola rematada por um tal Zalazar mas, à última hora, ela bateu em João Mário e desviou-se do caminho que levava, direitinha às mãos do guarda-redes do Benfica.


E rapidamente o Benfica se viu com trabalhos dobrados - dar a volta ao diabo e ao resultado. A tarefa não ia fácil. Aqui e ali com dificuldades na ligação do seu jogo, que o Braga complicava, tapando bem os caminhos para a sua baliza - e queimando tempo, desde muito cedo - o Benfica ia somando ... cantos. Ia a dizer que com cantos não se ganham jogos, mas o diabo diz-me que é melhor não...


Até que, já com o intervalo à vista, surgiu a expressão da dimensão do futebol do Benfica. João Neves a servir Kokçu que, de primeira, como sempre, lançou a bola por entre os centrais do Braga, a deixar Rafa, em desmarcação em excesso de velocidade (o VAR não tem os aparelhos da polícia) na cara do guarda-redes. Que saiu bem, exigindo-lhe uma grande execução para meter a bola na baliza. Dois minutos depois, o primeiro momento de Arthur Cabral, e reviravolta no marcador.


O lance é curioso, e merece ser descrito. Num lançamento de linha lateral, na esquerda e já perto da grande área, João Mário pegou na bola, para a devolver rapidamente ao terreno de jogo. Hesitou, e depois decidiu entregá-la a Morato. A ideia era óbvia - ele, João Mário, teria mais condições de a segurar no meio daquela gente toda do Braga. O Morato não esteve pelos ajustes e lançou-a para Cabral, já na quina da pequena área. Recebeu-a, rodou, ganhou a frente ao defesa que o marcava, e disparou de imediato. Aquela bola só teria que entrar, nem que fosse por entre as pernas do guarda-redes.


Daí até ser esgotado o período de compensação o Benfica procurou o terceiro. A maré era favorável, e era o que tinha de fazer. Poderia ter surgido, mas não aconteceu. Virado o resultado, ao intervalo o mais difícil estava feito. Pensava-se.


Só que o diabo continuava lá. E já tinha nome, mesmo que esquisito - chamava-se Zalazar. A abrir a segunda parte, no segundo canto do jogo, o diabo voltou a dar sinal de vida. Se no primeiro, mesmo com "canto trabalhado", foi o desvio em João Mário que encaminhou a bola para o golo, neste não houve nem jogada trabalhada, nem desvio em ninguém. Otamendi interceptou a bola, para a frente - é certo - mas para muito longe, para uma zona donde nunca se marcam golos. Mas o Zalazar não tinha apenas o diabo no corpo, era o próprio diabo. E dali uma bomba dos diabos, inacreditável. E indefensável!


Na realidade, em tempo de jogo, bastaram 5 minutos para três golos, e para o resultado voltar a ficar empatado.Nas outras duas vezes o jogo tinha estado empatado durante pouco tempo. Sete minutos, a zero, e apenas dois, a um. Desta vez durou bastante mais. Vinte e dois minutos - meia parte!


E não foi fácil para o Benfica essa meia parte. O Braga controlou sempre e, tem de dizer-se, jogou bem melhor. Não criou oportunidades de golo, é verdade. Mas jogou mais à bola, e tornou cada canto, e cada um dos muitos livres assinalados pelo Nuno Almeida (mais uma arbitragem habilidosa, com ponto alto naquela entrada de Abel Ruiz sobre João Neves, igualzinho - veja-se bem - , àquele em que, no ano passado, em Braga, nos quartos de final da Taça, Bah foi expulso; e teve ainda a lata de marcar falta a João Neves) em coisas do diabo. Nesse período o Benfica fez ... um remate!


Estava o jogo assim, sem se ver muito bem como o Benfica lhe poderia dar volta quando o segundo momento de Cabral o virou do avesso. Com um toque de calcanhar - é especialista, já se vê - deixou Aursenes pronto para o remate do 3-2 final. Então sim, a partir daí, desse minuto 70, o Benfica controlou em absoluto o jogo.


De tal modo que, nos restantes 25 minutos que o jogo durou, apenas dois merecem menção. E pelas melhores razões: os aplausos da Luz a Pizzi, quando entrou ao minuto 88; e, logo no minuto seguinte, a Arthur Cabral, quando saiu para a entrada de Musa.

8 comentários:

  1. Fiquei convencido, se o Braga não muda de guarda redes, vencia. Penso que no 2.º e 3.º golos do Benfica ( principalmente no .2º, onde é claramente mal batido ) o guarda redes titular do Braga defendia, Aliás, o guarda redes do Benfica fez uma defesa espetacular num livre na 2.ª parte, que daria o 3/2 para o Braga.
    A meu ver, foi mais por demérito que o Braga foi eliminado ( principalmente pelas escolhas do seu treinador ) do que por mérito do Benfica.

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  2. O Salvador, esse pato bravo, deve estar que nem pode. Ou talvez não, porque ele até gosta que o benfica ganhe.

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  3. Braga jogou muito e esperemos que jogue assim também contra o Porto no fim de semana.
    O segundo golo do Benfica ou foi um grande frango do guarda redes, ou foi um golaço do André Cabral, pela jogada, rapidez e eficácia. Mas para isso, que venha o diabo e escolha.
    Os golos do Braga, convém não esquecer, só são possíveis por erros crassos do Benfica (espero que aprendam) ao destapar a entrada da área nos lances de canto que lhes dão. Por isso, se houve mérito do Braga nos golos, ou demérito do Benfica, não sei, mas que venha o diabo e escolha.
    Por fim, a equipa conhecida por ser a equipa do sistema e fascimo, sofrer dois golos, que a iam eliminando da taça, por um jogador chamado Zalazar, isso não há dúvida, é mesmo coisa do diabo, ou talvez, talvez, essa equipa nunca tenha sido, nunca foi e nunca será equipa do sistema. Mas isso cada que escolha.

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  4. Estas coisas dos ses… se fosse o Matheus nem o jogo era igual auanto mais vaticinar-se qud o Braga ganhava…

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  5. e "se" o abel ruiz tivesse sido expulso, e "se" o arbitro não fosse habilidoso. O benfica teve mais remates, mais posso de bola, menos faltas, mais cantos mais passes acertados e depois o braga merecia ganhar, é pá informa-te melhor antes de.....

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  6. Coisas do diabo um jogador encostar a cabeça num fiscal de linha e não ser expulso... do diabo mesmo

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  7. Sim, esperemos que jogue assim contra o Porto. O "meu diabo" escolhe que foi um golaço do Arthur Cabral; e que houve claro demérito do Benfica no primeiro golo do Braga (apesar da sorte no desvio da bola, sem o qual não seria golo), mas apenas mérito do tal Zalazar no segundo. O outro, com S, e o seu regime, andou por todo o lado, entrou em todos os campos e cantos do país, mas nunca teve entrada nem em Palhavã (1926-1940), nem no Campo Grande (1941-1954), nem na Luz, depois de 1 de Dezembro de 1954.

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