
Os agricultores saíram à rua para lutar pela sua sobrevivência. Por toda a Europa, e também por cá, onde a "palavra de ordem" mais forte - "o nosso fim é a vossa fome" - deixa bem claro que a sobrevivência deles é também a nossa.
Na comunicação social falou-se de tudo. Falou-se de concorrência desleal, da PAC, da incompetência da ministra, de subsídios por pagar. Voltou a "pôr o dedo na ferida", acusaram a "grande distribuição", que lhes esmaga os preços para aumentar os seus lucros. A comunicação social não falou muito disso e, quando falou, nunca referiu os seus nomes, que nem são assim tantos como isso. Não admira, é deles - desses nomes - que vem a maior fatia dos seus orçamentos. Cada vez mais apertados, com a publicidade a fugir-lhe para os gigantes das novas plataformas...
Se disso pouco falou, do que não falou mesmo, foi da lógica do funcionamento do sistema. Que dá por bom que o agricultor venda abaixo do custo de produção, que a grande distribuição venda aos preços que lhes garantem os lucros que bem entenderem - e, em cartel, esses lucros são os que se têm visto -, e que os consumidores, paguem esses preços e, depois, como contribuintes paguem ainda, em impostos, os subsídios que compensem o agricultor das perdas a que estão sujeitos.
É perverso. Mas é assim!
Pode ser que na campanha eleitoral que já aí está possamos ouvir falar disto. Mas duvido. E não será certamente quando ouvirmos falar de subsidio-dependência!
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