Com o abandono de João Almeida, por Covid, à oitava etapa, no final da semana passada, mesmo sem ter deixado de acompanhar a Vuelta, deixei de a trazer aqui e falhar assim a regularidade habitual destas narrações.
Também Rui Costa havia desistido na véspera, em situação de manifesto infortúnio, por queda, depois de embater num colega de equipa, que caíra à sua frente. E Lennert Van Eetvelt (que só não ganhou na primeira etapa de montanha, logo que a Vuelta entrou em Espanha, porque festejou antes de cortar a meta, sem se aperceber que Roglic estava mesmo ali atrás) abandonou na 12ª etapa, com problemas de saúde (dificuldades respiratórias, não tendo sido referido Covid).
É assim, o ciclismo está cheio de imponderáveis, e as condições normais nunca são mais que um cenário.
Logo na primeira semana a representação portuguesa ficou reduzida a Nelson Oliveira, que tem desempenhado um papel importante na sua equipa (Movistar), no apoio a Enric Mas. Que é, nesta altura, concluída a segunda semana - hoje cumpre-se o segundo e último dia de descanso -, do meu ponto de vista, a maior sensação da Vuelta. Se durante a sua já longa carreira não conseguira cumprir o que prometera no seu início - mesmo sendo sempre um corredor de referência mundial - não me parecia que fosse, agora, já no ocaso do seu percurso profissional, que estivesse em condições de integrar na lista dos candidatos. Mas tem tido um belíssimo desempenho, confirmado ainda ontem, no Cuitu Negru, a mais difícil subida da Vuelta, chegando em quarto lugar, a par, mas à frente, de Roglic, a 1´e 4´´ do espanhol Pablo Castrillo (Kern Pharma, uma equipa convidada, que não pertence ao World Tour), que repetiu a vitória de há três dias, na Estación de Montaña de Manzaneda. Então fora o primeiro espanhol a ganhar nesta Vuelta. Ontem, depois da vitória épica lá no alto, no meio do nevoeiro (na foto), alcançou a segunda vitória, igualando Roglic. Apenas Van Aert (outro corredor a realizar uma Vuelta notável, tendo praticamente assegurada a vitória por pontos, e sendo ainda líder da classificação da montanha), com três, ganhou mais.
Na classificação geral Ben O`Connor continua na frente, depois daquela sexta etapa entre Jerez de la Frontera e Yunque, que lhe rendeu 7 minutos de vantagem (inadmissível como os adversários lhe permitiram uma fuga daquelas), mas já à mercê de Roglic, a 1 minuto. Enric Mas, Carapaz e Landa estão entre 1 e 2 minutos atrás de Roglic, e poderão disputar o pódio com o australiano.
A UAE, ainda assim a equipa mais forte e líder na classificação colectiva, depois de perder João Almeida - estas duas semanas demonstraram que era mesmo a sua melhor oportunidade de ganhar uma grande Volta - passou a correr para ganhar etapas, sem que tenha sido exactamente bem sucedida. Apesar de, a partir daí, ter entrado em praticamente todas as fugas, apenas acrescentou uma vitória à inicial, no prólogo em Lisboa. Foi na nona, ganha por Adam Yates, quando chegou a ser líder virtual e, depois, perdeu 3 minutos na descida final, acabando por ganhar apenas 1´e 39´´ a Carapaz, e 3´e 45´´ aos restantes candidatos. A partir dessa etapa Yates foi sempre em perda, e está já fora do "top ten". Ontem foi o francês - antes russo - Sivakov (fecha agora a lista dos dez primeiros), que fez todas as despesas da subida ao Cuitu Negru, para depois se ficar pelo terceiro lugar, não resistindo ao ataque dos companheiros de fuga, Vlasov e Castrillo, que trouxe "à boleia" durante toda a fuga.
À entrada para a última semana Roglic, apesar de não confirmar o poder que revelou na fase inicial, como ontem Enric Mas deixou claro é, em condições normais - o que, como atrás se referiu, é apenas um cenário -, o principal candidato à vitória em Madrid, no próximo domingo. Que será a quarta!
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