Que nós não aceitemos que João Soares não aceite "a prisão ("que pudicamente" designam por detenção") de um antigo primeiro-ministro a não ser "por crime de sangue, em flagrante delito", é uma coisa. Que, ao contrário de João Soares, achemos que um ex-primeiro-ministro é um cidadão como todos os outros, que pode ser preso como qualquer um, e sem qualquer prerrogativa de casta, é uma coisa. E por sinal a mesma.
Outra coisa, e bem diferente, é acharmos que prender alguém à entrada para um avião, a sair do país, é a mesma coisa que prender alguém á saída do avião, a chegar ao país. Quem está a sair do país pode estar a fugir. Quem está a entrar no país não pode estar a fugir...
Prender alguém na manga do avião, a embarcar é, ou pode ser compreensível. Prender quem quer que seja na manga do avião, a desembarcar, é incompreensível. Mas o que é que havemos de dizer de prender alguém que está a chegar ao país, na manga do avião, e na presença das câmaras de uma estação de televisão?
Acho que só podemos dizer que não é a Justiça a funcionar.... É outra coisa qualquer a funcionar. Espero bem que seja apenas o lado folclórico que por vezes a Justiça gosta de mostrar. Recuso-me, para já, a alinhar em teorias da conspiração ... Mesmo que seja dos que não presumem inocência nenhuma - cada um presume o que quer, a Justiça é que tem de funcionar sob esse princípio - e que, como esta semana foi dito na comissão de inquérito ao BES, ache que, apesar de tudo, a procissão ainda vai no adro.

Se o que aconteceu com José Sócrates foi tudo normal, então pode-se pensar que o mesmo poderá acontecer a qualquer momento com António Costa um dia ao chegar de Bruxelas aterrar em Portugal e ser preso ...
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