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Quem brinca com o fogo arrisca queimar-se. O Benfica brincou com o fogo - e não foi apenas hoje, na Vila das Aves - e queimou dois pontos.
Esperemos que não tenha queimado mais nada. Que o resto tenha apenas ficado chamuscado.
O Benfica chegava a este jogo com a equipa da SAD constituída em Vila Franca de Xira que joga na Vila das Aves - é mais uma singularidade do futebol profissional em Portugal, onde também há uma equipa que não tem campo para jogar - com uma sequência de oito vitórias consecutivas, com o jogo da oitava jornada em atraso, e em condições de à 14ª jornada chegar à liderança do campeonato.
Bruno Lage chamou a isto pressão da liderança, para dizer que a equipa não sofria disso. Não tinha falado do trauma pós champions, que atingiu grande parte das equipas neste fim-de-semana (Liverpool, Manchester City, Aston Villa, Bayern, Real Madrid ...), mas preveniu-se. E apresentou uma equipa sem cinco dos habituais titulares: o capitão Otamendi, Carreras (este por impedimento disciplinar), Florentino, Di Maria e Pavlidis. Mudou meia equipa!
Não foi no entanto por aí que começou a brincadeira com o fogo. A equipa dominou por completo a primeira parte do jogo, impedindo praticamente o adversário de sair lá de trás. Não fez uma exibição brilhante - o que também não surpreende, porque isso vem rareando - mas marcou logo à saída do primeiro quarto de hora (com Amdouni a concluir uma excelente combinação entre Aursnes e Akturkoglu, já dentro da grande área adversária), e criou oportunidades suficientes para marcar mais dois ou três golos.
Ao intervalo o Benfica poderia ter o resultado decidido, e estar a jogar contra 10. Em cima do minuto 45, Devenish, o defesa central da equipa de Vila Franca das Aves, cravou os pitons nas costas de Akturkoglu que, por acaso, até seguia isolado para a baliza. O avançado do Benfica ficou com as costas rasgadas, o árbitro assinalou falta e entendeu por bem resolver aquilo com o cartão amarelo. Que já lhe devia há uma enormidade de tempo.
A perder por um simples golo, o Aves - ou lá o que é - acreditou que se se aventurasse um bocadinho poderia não perder. E de repente o Benfica perdeu o controlo do jogo, muito - também - pelas alterações de Bruno Lage, quando ficou sem meio campo. Ainda pareceu que poderia repor a ordem com a entrada de Florentino, mas não.
No último lance, no último segundo dos 4 minutos de compensação, num livre na cobrança de uma falta estúpida, o tal Devenish - ironia do destino - que deveria ter sido expulso, empatou o jogo. E já não havia nada a fazer.
O Benfica sai claramente chamuscado desta brincadeira com o fogo. E tem agora nova prova de fogo, na quinta-feira. No tal jogo - é inadmissível que a estrutura do Benfica não tenha imposto que o jogo se realizasse na altura, já com o nevoeiro levantado - em atraso. Que, marcado para a mesma hora, pode voltar a ter nevoeiro, e complicar-se ainda mais.
Hoje a equipa viu-se confrontada com a sua incompetência. Na próxima quinta-feira, na Madeira, já lhe bastará a da estrutura. Não poderá acrescentar-lhe mais nenhuma!
E a anedota do penalty não marcado contra o benfica?
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