quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Nas meias finais da Taça


Luz novamente cheia, mesmo que um pouco menos cheia que o normal, para este jogo com o Braga, que decidia o acesso às meias-finais da Taça de Portugal. Para assistir a um excelente jogo de futebol, e a uma grande exibição do Benfica, particularmente na primeira parte.


Bruno Lage regressou ao onze que, nas actuais circunstâncias - com a quantidade de jogadores lesionados -, mais se aproxima do que têm sido as suas primeiras opções, com Tomás Araújo a lateral direito, Akturkoglu na ala direita, e Pavlidis na frente do ataque. Dahl, na esquerda, é já claramente primeira opção - Schjelderup, que entrou aos 79 minutos, precisamente a substituí-lo, confirmou isso mesmo. Na baliza continuou Samuel Soares. E poderá não ter sido apenas rotação de Taça.


Ricardo Horta, o capitão do Braga, escolheu campo, e escolheu como fazem os pequenos - a baliza grande. Não teve qualquer impacto, e o Benfica entrou endiabrado, partindo para uma grande primeira parte. Jogou-se apenas futebol (quatro faltas, duas para cada lado), e o que o Benfica jogou foi do melhor que por cá se pode ver: pressão alta sobre o adversário, a recuperar imediatamente cada bola perdida; criatividade e fantasia; passes a rasgar; mudanças rápidas de flanco.


Perante a avalanche de futebol benfiquista o Braga fazia o que podia: defendia como podia, e tentava jogar com os ritmos de jogo, mostrando-se uma equipa adulta, mesmo que composta por muita juventude. Pode dizer-se que Carlos Carvalhal reinventou a equipa do Braga neste início de ano.


A longa série de oportunidades de golo abriu logo aos cinco minutos: Akturkoglu recebeu a bola na área, desbaratou com classe a defesa bracarense e atirou de pé esquerdo. Ao poste. Na recarga, de baliza aberta, Pavlidis não acertou na baliza. Pouco depois, novamente Pavlidis. Descaído para a direita e, de ângulo apertado, atirou forte às malhas laterais, quando poderia ter deixado para dois colegas bem posicionados á entrada da pequena área. Depois foi Bruma a marcar, numa excelente execução, com o golo a ser anulado por fora de jogo de Pavlidis.


Depois, ainda, entrou em acção Hornicek, o novo dono da baliza bracarense: está aberta a época das grandes exibições dos guarda-redes na Luz. Negou o golo a Pavlidis, depois a Akturkoglu, isolado por Kokçu, e depois ainda a Bruma, também isolado.


Nesta sequência chega finalmente o golo, já aos 39 minutos, à sexta oportunidade de golo, quando o Braga tinha disposto de uma, no remate de cabeça de Racic, ao lado, na sequência de um canto. A pressão alta do Benfica deixou Paulo Oliveira em maus lençóis, obrigado a despachar a bola para onde estava virado. Acabou interceptada por Dahl, que assistiu Pavlidis que, depois de ajeitar a bola, rematou de pronto, ainda de fora da área, batendo Hornicek.


A séria da primeira parte ficaria fechada no último lance antes do intervalo, quando nem Bruma nem Pavlidis, sozinhos em cima da linha de golo, conseguiram desviar o cruzamento de Carreras.


Ao intervalo o Benfica poderia estar tranquilamente instalado nas meias finais da Taça. Bastaria um coeficiente de eficácia de 30 ou 40% para o marcador assinalar 3 ou 4 a zero.


Carlos Carvalhal mexeu na equipa para a segunda parte. Talvez por fezada  fez entrar Fran Navarro e Robson Bambu, que tinham marcado os golos da vitória na Luz, para o campeonato. O Braga subiu um pouco de produção, e ganhou algum oxigénio. Mas era o Benfica que continuava a somar oportunidades de golo, e continuava a ser Hornicek o jogador mais influente m campo.


O tempo passava, o Braga ia tendo mais bola, mas foi sempre e apenas o Benfica a construir oportunidades para alargar o marcador. Claro que à medida que o jogo caminhava para o fim, e com o resultado a manter-se, era inevitável que um certo nervoso miudinho se espalhasse pelas bancadas, onde não caiu bem a primeira leva de substituições de Lage, quando tirou Tomás Araújo e Bruma, para lançar Belotti e Barreiro. Mas o Braga nunca verdadeiramente ameaçou a eliminatória.


No fim, na lista das oportunidades de golo do Braga continuou, sozinha, aquela do remate de cabeça do regressado Racic, a meio da primeira parte. A do Benfica é um rol extenso.


Com a consolidação do nível exibicional, o actual bom futebol do Benfica está apenas a pecar na finalização. Por enquanto sem consequências de maior, mas vêm aí jogos que não vão perdoar.

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