sábado, 22 de fevereiro de 2025

Passar ao lado de um resultado histórico


 


Bruno Lage manteve apenas Tomás Araújo, Otamendi, Carreras, Aursnes e Kokçu no onze inicial para a recepção ao Boavista. Tomás Araújo regressou ao centro da defesa, e para a lateral direita entrou o miúdo Leandro Santos. Dahl entrou de início para a ala esquerda, e a linha frente foi toda nova - Amdoumi, Belotti e Bruma. As lesões, e jogadores próximos da exaustão, obrigam a rotação, e ela aí está.


Não terá sido o caso de Samuel Soares. Não se descortina que Trubin esteja propriamente exausto, e lesionado não está. Esteve francamente mal, em pelo menos dois golos do Mónaco, e terá sido certamente por isso que ficou de fora. A servir de aviso.


O Boavista, que nesta janela de inverno foi recrutar 10 jogadores, metade deles estreados neste jogo, apresentou-se com três centrais, numa linha defensiva de cinco, a que juntava mais cinco, em cima da sua área, sem a bola. Juntos e compactos, na estratégia do também novo treinador - Lito Vidigal, fiel ao seu passado. 


Incapaz de ligar quatro passes seguidos, o Boavista raramente cruzava a fronteira da linha do meio-campo.


O Benfica foi conquistando o controlo total do jogo, e foi exibindo boa ligação, com os jogadores sempre em movimento, a garantir linhas de passe para assegurar uma boa circulação de bola. O problema era que o Boavista fechava todos os caminhos para a sua baliza, e havia sempre mais uma perna no caminho da bola. Quando não havia mais pernas a tapar o caminho, e a bola seguia para a baliza, emergia um checo também em estreia.


Em tempos vencedor da Liga Europa com o Sevilha, com mais de meia centena de internacionalizações e dois Europeus jogados pelo seu país, o guarda-redes do Boavista revelava-se um obstáculo intransponível, a definitiva barreira para o golo. Que apenas cedeu já perto da meia hora, quando  os axadrezados subiram um pouco o bloco e Kokçu pôde lançar para a velocidade de Bruma, que acelerou e deixou Van Ginkel -  mais um estreante - nas covas, antes de cruzar para a finalização de Belotti na passada. 


Foi o primeiro golo do internacional italiano. Que já tardava!


Daí até ao intervalo foi mais do mesmo. O Benfica a jogar, o Boavista a defender-se como podia, e Vaclík a brilhar na baliza. Quando nem os defesas, nem o guarda-redes, interceptavam a bola, ela saía ao lado, ou por cima, ou batia nos ferros da baliza.


No início da segunda parte, aos 51 minutos, a defender-se como podia, Reisinho teve uma entrada a matar  sobre Kokçu. Não lhe partiu a perna apenas porque não calhou. O árbitro não viu, mas ... o VAR está lá para isso. Para ver o que o árbitro não vê. E o Boavista ficou reduzido a dez jogadores.


Não fez grande diferença. Quando uma equipa apenas defende, defender com com 10 não faz muita diferença para defender com 11. E, apesar de manter - e até ter melhorado - uma boa circulação, de bola e jogadores, o Benfica continuou a enfrentar dificuldades para marcar. Por mérito dos jogadores boavisteiros, e acima de todos do guarda-redes, mas também por demérito dos seus  avançados, especialmente de Belotti, mas também de Amdoumi.


O 1-0 prolongava-se e, por imenso que fosse o domínio benfiquista, por maior que fosse a sequência de oportunidades de golo, e por mais evidente que fosse a incapacidade boavisteira, havia sempre algum receio de uma bola perdida, de um ressalto, de uma azar qualquer... 


Já passava do meio da segunda parte, quando Pavlidis e Akturkoglu, que tinham entrado dois minutos antes para substituírem os dois acima referidos (Lage lançaria depois Cabral, Nuno Félix e Diogo Prioste, terminando com cinco jogadores formados no Seixal), interpretaram um lance muito semelhante ao do primeiro, com o grego a marcar finalmente o segundo golo. 


Sem aumentar a intensidade, o Benfica também não tirou exactamente o pé do acelerador. Acabou por fechar o resultado no terceiro golo, num penálti assinalado cinco minutos depois, por falta sobre o cada vez mais competente Dahl. Um resultado muito distante do que corresponderia à verdade do jogo!


Não fosse Vaclík -  seria eleito o melhor em campo - com uma dúzia de defesas, todas elas a evitar golos, e teria sido estabelecido um resultado record. E verdadeiramente histórico!


Para já o Benfica está no primeiro lugar. Amanhã logo se verá do que o Sporting é capaz na Vila das Aves.


 


 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...