Link na imagem
Soube-se desde o primeiro momento em que chegou ao poder que Montenegro, apesar de ter Passos Coelho por passado político, tinha em Cavaco o seu grande mentor. Fosse por escolha própria, fosse porque o próprio lho tenha sugerido, iria seguir-lhe todos os passos, independentemente da realidade.
Hoje, em plena crise política, não há dúvidas que o guião de Montenegro é o de Cavaco, de há mais de 30 anos.
Teimou em não esclarecer os imbróglios pessoais em que se meteu, colocando-se acima do escrutínio. Mesmo tendo-se deixado embrulhar em maior exposição que aquela a que Cavaco sempre se permitiu, indiferente aos factos, monta o cavalo do "para serem mais honestos do que eu têm que nascer duas vezes", agora selado para "só respondo a quem for mais honesto que eu".
Fala da família, e quer parecer defendê-la, mas foi ele que a entregou de bandeja na praça pública. Foi ele que, em vez de a proteger, a utilizou para se proteger. Usou a mulher, e os filhos, para, na empresa, esconder (pelo menos) a violação do dever de exclusividade. E usou um dos filhos na aquisição de apartamentos, circunstância em que usou de expedientes para fugir à declaração à Entidade da Transparência.
Salta por cima destes factos, como Cavaco sempre fugiu dos do BPN. Das acções, não cotadas, com que se encheu de dinheiro para credibilizar um dos maiores escândalos financeiros do país, que não tem assim tão poucos. E do da casa da Coelha, nas suas trocas e baldrocas.
Aqui chegado, à boca da crise em que seguiu o guião, quer ainda mais ser Cavaco. E transformar a saída para a crise num plebiscito.
O guião é claro: encharcar as televisões de ministros e deputados a vender a campanha de vitimização para, no fim, aparecer ele próprio na apoteose final. Devidamente intoxicado, ao povão resta sair a votar em massa num primeiro-ministro fazedor e empreendedor, que tem o país num brinquinho, que tudo, e a todos - menos a uma corja de malfeitores exclusivamente focada na sua destruição, a quem não há explicação que sirva - esclareceu.
Tudo esclarecido, sigamos em frente que nada disto merece que percamos mais tempo.
Sim, até porque "tenho mais que fazer do que estar a responder-lhes todos os dias, senhores deputados"!
A democracia não é isto. Mas tem destas coisas, e pode ser reduzida ao simples depósito de um boletim de voto numa urna por eleitores prévia e devidamente amestrados!

Em exercício saudável de cidadania alguém que desconfie ou conheça ilícitos cometidos por Montenegro avance para a justiça, politicamente o povo soberano ditará sentença no ato eleitoral. O exército de fazedores de justiça e reprovações na praça de publica está inundada tanto de gente honesta e convicta como de medíocres repetentes e calibrados pecadores.
ResponderEliminarConcordo que "O exército de fazedores de justiça e reprovações na praça de publica está inundada tanto de gente honesta e convicta como de medíocres repetentes e calibrados pecadores". Subscrevo, acho que está certo.
ResponderEliminarJá da primeira parte do seu comentário, discordo completamente. No exercício de funções políticas não basta estar dentro da lei. Não é apenas a lei que baliza a conduta dos titulares de funções públicas; é também a ética, a transparência, a humildade, só para referir alguns.
O povo é soberano, indiscutivelmente. Mas essa soberania não deve ser chamada para onde não cabe. Não pode servir para punir ou absolver comportamentos. Isso cabe à Justiça ou à opinião pública, conforme cada caso. Em democracia, a legitimidade eleitoral esgota-se no exercício democrático do poder, e nunca é impunidade.
Na sequência do meu escrito anterior não posso deixar de manifestar a minha desilusão ao verificar que alguns ministros nomeadamente o da coesão territorial andam em publico a negar o que tem sido o registo pretensamente consequente de Montenegro.
ResponderEliminarA confirmar-se este assinalável descarrilamento é obrigatório referir que desde já defendo a necessidade/obrigatoriedade de o Sr. Primeiro Ministro vir a terreiro dizer se anda a dar instruções a alguns do seus ministros para à descarada andar a pedir esmola esmola de mão estendida à caridade deste PS de Pedro Nuno.
Na falta desse esclarecimento é licito admitir que andam a fazer negócios cruzados para ver a quem calha o burro e os arreios em partilha de sócios desavindos..