sexta-feira, 28 de março de 2025

Onda vermelha


O Benfica deslocou-se esta noite a Barcelos para disputar o jogo da 24ª jornada e, às portas da 27ª, em que jogará na Luz com o Farense, pôr o calendário em dia. 


Depois da interrupção para as selecções, as chamadas datas FIFA, o Benfica regressou ao mesmo alto nível, como se nada tivesse sido interrompido. A onda vermelha lá esteve, imparável, a garantir que, por ela, o 39 não irá fugir.


Em relação ao último jogo, no onze inicial, apenas Belotti era novidade. Justificava-se: tinha sido dos poucos a permanecer no Seixal, a trabalhar com a equipa; Pavlidis tinha feito dois jogos pela selecção grega, e tinha acabado de regressar. Nos restantes 10, tudo igual. Incluindo Otamendi, que ainda há dois dias estava na Argentina a jogar contra a selecção do Brasil. A jogar e a cilindrar.


Jogou como se tivesse 20 anos, e viesse de duas semanas de descanso. Um monstro competitivo!


O Benfica entrou a mandar no jogo, sem permitir nada ao Gil Vicente, e poderia ter marcado logo aos dois minutos, numa excelente jogada concluída por Aursenes. Também ele desde cedo a querer vincar a sua exibição. A equipa entrou determinada e confiante, dominando a posse de bola, explanando um futebol intenso e variado, a um a dois toques, que levantava grandes dificuldades aos gilistas, claramente incapazes de acompanhar o ritmo que o Benfica impunha ao jogo.


Foi assim toda a primeira parte. Como habitualmente este futebol bonito, variado e intenso não teve correspondência em golos. Rendeu apenas um, de Aursenes, a concluir mais uma excelente jogada de futebol, e uma grande assistência de Bruma, ia a primeira parte a meio.


Desta vez, ao contrário do que tem sido comum, nem sequer se tratou de um extraordinário nível de desaproveitamento. Nem se pode dizer que o grande volume de futebol ofensivo do Benfica tenha produzido uma grande quantidade de oportunidades de golo. Nos últimos jogos em todas as primeiras partes, com um mínimo coeficiente de aproveitamento, o Benfica poderia ter deixado os jogos resolvidos. Neste jogo, na verdade, toda aquela avalanche de futebol desembocou em apenas três oportunidades claras de golo.


Se é indiscutível que o Benfica jogou bem, mesmo muito bem, as apenas três oportunidades de golo revelam que o Gil Vicente, pelo menos a defender, não esteve assim tão mal ... como o Sérgio Peixoto quis fazer crer. Também não colhe a falta de agressividade de que acusou os seus jogadores, referindo que a sua equipa cometeu metade das faltas do Benfica. 


É que, enquanto o árbitro Miguel Nogueira apitava a tudo contra o Benfica - de faltas inventadas até  faltas ao contrário - para apitar uma falta aos gilistas era o cabo dos trabalhos. Era preciso quase ser crime. Daí que tivessem praticamente o mesmo número de faltas e cartões amarelos.


Na segunda parte o ritmo do jogo caiu. Com o segundo golo logo aos cinco minutos - livre bem cobrado por Kokçu, com António Silva (exibição tranquila e personalizada) a desviar ao segundo poste para a entrada fulgurante de Belotti, tudo de cabeça - e com o início das substituições a quebrarem o ritmo, o jogo passou por um período de menor fulgor. Retomado no último quarto de hora, já depois das substituições, e já com Di Maria e Pavlidis em campo (antes, logo a seguir ao golo, tinham entrado Akturkoglu e Dahl, este para o lugar de Tomás Araújo, que continua com dificuldades físicas).


O resultado acabaria ganhar expressão condizente com a exibição com o terceiro golo, do regressado Di Maria, já mesmo no fim do período de compensação. De penálti, magistralmente convertido, e cometido sobre ele próprio.


Agora, que tudo está igual, é seguir assim. Sem margem de erro, e sem margem para dúvidas, à boleia da onda vermelha.

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