
O sucesso eleitoral de André Ventura, e do Chega - uma e a mesma coisa -, deveu-se a ter trazido para o debate político o tema da corrupção, para depois o cavalgar nas asas do mais primário discurso populista.
O tema, e a forma como era proposto, rapidamente seduziu o eleitorado, e resultou em mais de um milhão de votos nas legislativas de há um ano, entre desiludidos dos partidos do sistema e abstencionistas afastados do ritual do voto.
Ontem, na Madeira, em eleições antecipadas por, há três meses, o parlamento regional ter feito cair o Governo por fortes suspeitas de corrupção, os eleitores - mais eleitores, com a queda da abstenção (de 46,6% para 44,02%) - deram quase mais 30% de votos ao arguido por corrupção Miguel Albuquerque, e à lista do PSD com quatro arguidos no mesmo processo.
Ontem os eleitores madeirenses deram a maioria absoluta (o deputado que lhe falta para a maioria absoluta está eleito pelo CDS) a um arguido por corrupção e castigaram severamente (perdeu 5 mil eleitores e um deputado - só a tareia do PS foi maior, mas essas são contas de outro rosário) o partido da dita bandeira contra a corrupção.
No país, com Montenegro enfiado até ao pescoço nas suas muitas e variadas trapalhadas, com autarcas arguidos em processos de corrupção, e com tudo o que se conhece da operação Tutti Frutti, o PSD (em rigor a AD não passa do PSD) apresta-se para ganhar as eleições de 18 de Maio.
Poderia dizer-se que as pessoas se fartaram depressa de ouvir falar em corrupção, e que já não querem saber disso para nada. Mas acho que não: acho que isto são os valores do povo português, os tais que Roberto Martinez diz que a selecção mostra.
É bem capaz de ser isso!
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