domingo, 25 de maio de 2025

Afinal a aldrabice ainda não tinha acabado


O jogo da 85ª final da Taça de Portugal, acabado de disputar no Estádio Nacional, foi o espelho da época a que pôs ponto final.


Neste jogo coube toda uma época: uma arbitragem, igual às arbitragens de toda a época, um Sporting de querer, de luta e de sorte e um Benfica capaz do melhor e do pior. Bruno Lage disse que tinha preparado o jogo muito bem. E tinha, o problema é que Bruno Lage é tão bom a preparar jogos como mau a geri-los!


O Sporting entrou no jogo a correr como sempre, e a disputar todas as bolas em todos os centímetros quadrados do campo. Os jogadores irradiavam confiança, a confiança de quem tinha acabado de ganhar o campeonato a este mesmo adversário. Jogou o que joga, não joga muito mais que aquilo, e rapidamente o Benfica começou a impor o seu melhor futebol.


A partir dos 10 minutos a superioridade do Benfica foi sempre evidente em todos os domínios do jogo. Não criava muitas oportunidades de golo, mas criou as suficientes para sair para o intervalo com uma vantagem assinalável no resultado. Que, porque a bola ia aos ferros, ou saía a razá-los, ou o Rui Silva defendia, nunca aproveitou. 


A forma como os jogadores do Sporting aproveitavam cada posse de bola para baixar o ritmo do jogo, e festejavam cada corte, e cada defesa, fica como a melhor imagem do que se passava no jogo.


Ao minuto 16 o árbitro Luís Godinho assinalou penálti contra o Sporting. O Tiago Martins, o das moedas, no VAR, tratou do revertê-lo, descobrindo um fora de jogo manhoso no início da jogada. Por isso, ou porque por cá o futebol é mesmo assim, esta intervenção do Tiago Martins abriu as portas do maravilhoso mundo da aldrabice a Luís Godinho. A partir daí bastava aos do Sporting mandarem-se para o chão para que assinalasse faltas, de preferência sempre perto da área do Benfica. Os do Benfica eram massacrados com entradas por trás, em cima da linha da grande área, mas nada era assinalado. 


O golo que sempre faltou ao jogo do Benfica na primeira parte chegou logo no arranque da segunda: Pavlidis, Aktürkoglu, e remate de Kokçü a bater finalmente o Rui Silva. Logo a seguir,  mais uma jogada envolvente do ataque do Benfica acabava no excelente golo de Bruma. Em dois minutos fazia-se finalmente justiça no marcador, com os jogadores do Sporting completamente encostados às cordas.


Só que lá voltava a estar o Tiago Martins, pronto a dar mais uma mão, e a resgatar o Sporting do fundo do buraco em que estava enfiado. Descobriu uma falta de Carreras, outra vez no início da jogada, e o Luís Godinho anulou o golo. Para tornar aquilo credível, para mandar mais areia para os olhos, mostrou amarelo ao lateral esquerdo do Benfica. E assim continuou até ao fim, poupando faltas, cartões e expulsões aos jogadores do Sporting:  Harder, Matheus Reis, e Maxi Araujo, pelo menos.


E o Sporting viu a luz. Os jogadores perceberam que aqueles que nunca lhes faltam estavam ali, a estender-lhe as mãos, prontos a levantá-lo. E aproveitaram para se empertigar e recuperar o seu futebol, feito de muito nervo e de pouco mais. 


Só isso, mas o suficiente para entregar Bruno Lage e os jogadores do Benfica aos seus fantasmas. E lá vieram as substituições desastrosas. Se Kokçu, já de cabeça perdida com Luís Godinho, tivesse de sair nunca poderia ser para a entrada de um Renato Sanches, sem qualquer ritmo. A troca de Aktürkoglu por Schjelderup até pode ser considerada natural, mas não é só o Nuno Magalhães que não lhe vê nada ... Tirar Pavlidis da equipa é cortar o elo de ligação do ataque. Meter Belotti é introduzir lá a trapalhice. A saída de Tomás Araújo, para a entrada do recuperado Aursenes, parece uma inevitabilidade. No fim, já ao minuto 90, tirar Bruma para fazer entrar o Barreiro, sem qualidade para jogar no Benfica, não foi só a asneira final. Foi também a forma de deixar Di Maria de fora, no seu último jogo.


Foi provavelmente a tragédia das substituições que marcou a estratégia para responder ao empertigamento sportinguista. O Benfica abdicou de jogar futebol, e partiu até para o anti-jogo. Como jogar futebol não é o forte do Sporting, aquilo passou a parecer mais um jogo dos distritais do que o de uma final da Taça. Foram 50 minutos assim - os 40 que faltavam, mais os estranhos 10 de compensação.


Ainda assim só o Benfica criou oportunidades para voltar a marcar. Aos 81 minutos o trapalhão Belotti dispôs de uma clara oportunidade de golo, mas permitiu mais uma grande defesa ao guarda-redes do Sporting. Repetir-se-ia o mesmo aos 90+7, com o Leandro Barreiro. E no último dos estranhos 10 minutos de compensação repetiu-se o que tantas vezes aconteceu na época. Desta vez foi Trincão que, no último minuto, pegou na bola à saída da sua área defensiva e correu com ela, pela ala direita, à vontade pelo campo fora. Sem um encosto, sem uma falta ... até a entregar ao Gyokeres, ainda na direita. Que passou pelo António Silva - há largos minutos em pânico - e entrou na área, sem qualquer condição para rematar. Ainda agora se não sabe o que passou pela cabeça do Renato Sanches; sabe-se apenas que fez o favor de lhe tocar, e que, na conversão do penálti, o sueco marcou, e mandou o jogo para o prolongamento. 


Que não podia deixar de ser penoso para o Benfica. Não, mais uma vez, pelas dificuldades  que o Sporting lhe impunha, mas pelas próprias circunstâncias. Todas!


Deu então para a entrada de Di Maria, na despedia. Em lágrimas. Lágrimas que não são as da despedida. Essas são bonitas. Estas, de Di Maria, não!


E o Benfica perdeu também a Taça. Vítima da aldrabice instalada no futebol português, e vítima dos seus fantasmas. No fim, Rui Costa falou da primeira. Tarde, muito tarde!

6 comentários:

  1. José Hortênsio Marques26 de maio de 2025 às 01:01

    Lá seres benfiquista tudo bem! agora o que apelidas aos outros de aldrabice a que tu comentas, essa é de rir de quereres fazer crer que o sporting nada fez, não jogou, atiramvam-se para a relva quando estavam a ganhar, várias vezes a fazerem-se ao penalti e já agora não foi falta claríssima na jogada do golo do Bruma? os 2 golos do sporting foi o Var que lhes ofereceu? enfim! você não passa de um mais que comenta, que de isento só pode ter o nome de resto, deixe o lugar para quem seja isento.

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  2. Repito: não estou aqui para lhe resolver a confusão que tem na cabeça.

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  3. Boa noite,

    percebo a sua arrelia. Já me aconteceu inúmeras vezes. Oh se aconteceu.
    Mas o Sporting não tem culpa de ter o melhor jogador da liga, o melhor marcador, a melhor e o melhor ataque.
    Tudo somado dá o quê? Que o seu Benfica não soube gerir as emoções. Que tem jogadores que não merecem estar a jogar no seu clube. Que teve o pássaro na mão e deixou-o fugir.
    Castigar os árbitros agora parece os Sportinguistas há dois ou três anos quando o Benfica acabava o jogo sempre contra 10 jogadores do adversário.
    E finalmente o caso Matheus Reis. Para mim que sou sócio há mais de 40 anos o defesa deveria ter sido expulso. Sem apelo nem agravo.
    Mas é curioso que quando o Di Maria deu um sopapo em Pedro Gonçalves não vi escrito que o árbitro beneficiara o seu Benfica. Critérios...
    Não se deve remediar um erro com outro erro, mas sinceramente diga lá se RA tivesse ficado no Sporting a que distância ficaria o Benfica do Sporting?
    Sabe que nesta coisa do futebol o coração vê coisas que a razão não quer ver. Acontece o mesmo comigo.
    E comento porque não li nas suas palavras nenhuma ofensa aos jogadores e ao clube Sporting.
    Remato com esta pergunta: foi o Luís Godinho que arbitrou o Benfica Barcelona? Ou olvidou esse jogo?
    Daqui a uns meses estaremos novamente a debater jogos. E isso é que é salutar.
    Até lá!

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  4. Boa noite. Percebemo-nos, e isso é bom. Mas uma coisa é uma coisa; e outra coisa é outra coisa. Leu certamente que é "um Benfica capaz do melhor e do pior". Ou que "Bruno Lage é tão bom a preparar jogos como mau a geri-los". E não falei só deste jogo, falei da época. Que inclui o tal jogo com o Barcelona. Que é bom trazer aqui porque também aí o árbitro foi o que se viu. Os tiros nos pés do Benfica são uma coisa. Que não pode apagar as arbitragens escandalosas, a outra coisa.
    Até lá!

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  5. Terrorismo puro, um jogador deitado no chão a ser amassado e agredido por dois ou três adversários, o que no mínimo o impedia de disputar a bola, a não trazer consequências como por exemplo repetição da final da taça, sem prejuízo de uma VARridela naquela equipa de arbitragem, teremos então no mundo da bola portuguesa um escândalo de tal dimensão que bem pode competir com atrocidades transversais a nível mundial.

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  6. Subscrevo em absoluto. E é realmente incompreensível que Rui Costa, quando finalmente teve "tomates" (se calhar não teve, as eleições que aí vêm é que lhos emprestaram) para finalmente emitir um comunicado "à séria", os tivesse ainda curtos para exigir a irradiação da equipa de arbitragem e a repetição do jogo.

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