
A tragédia que se abateu sobre a família de Diogo Jota foi inevitavelmente explorada pelas televisões, na forma do costume. Nunca perdem a oportunidade de procurar nestes acontecimentos o sangue de que se alimentam.
Há coisas que nunca mudam!
Fora isso tivemos oportunidade de ver, até com alguma surpresa, como o mundo, e o do futebol em particular, sentiu a perda perda de Diogo Jota (o irmão, André, nunca foi marginalizado nas diversas manifestações mas, evidentemente, era a dimensão internacional do Diogo que pesava). Tínhamos todos uma grande admiração pelo profissionalismo e pelo talento do Diogo, e sentíamos-nos todos envolvidos na simpatia que inegavelmente irradiava da sua simplicidade, mas não tínhamos a verdadeira noção da sua dimensão internacional. Nem da forma como era amado, pelos colegas e pelo público anónimo que fez do futebol o desporto-rei.
Nas cerimónias fúnebres compareceram todos. Todos os colegas do Liverpool. Todos dos diversos quadrantes do futebol. Rúben Neves e João Cancelo jogaram à noite, pelo Al-Hilal, o clube saudita que representam, o desafio dos quartos de final do campeonato do mundo de clubes. Choraram todo o minuto de silêncio e, terminado o jogo, fretaram um jacto desde a costa sudoeste dos Estados Unidos da América para estarem esta manhã presentes no funeral, em Gondomar. Todos os da selecção nacional ...
Todos ... não! Cristiano Ronaldo, o capitão de equipa, e patrão da Federação, de férias em Maiorca, aqui ao lado, não esteve presente. Mas já pôs a circular a justificação: não veio apenas para não ofuscar as cerimónias com a sua presença!
Há coisas que nunca mudam!
Ao que chega o umbiguismo mais safado quando cai de rastos nas solas dos sapatos.
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