
O governo de Netanyahu enviou forças militares para, num acto de pirataria naval, interceptar embarcações em águas internacionais e raptar as respectivas tripulações, que levou para Israel.
Depois de as manter detidas por dois, e até mais dias, deportou-as por via aérea para os países de origem. Aconteceu assim com cerca de 500 activistas de diversos países, entre os quais quatro portugueses.
Não é conhecido o tratamento que os governos dos diversos países deram aos respectivos cidadãos, deportados por via aérea de um sítio para onde foram raptados. Sabe-se que o governo português, o governo da Pátria dos quatro portugueses, entendeu que não havia quaisquer contas a pedir ao governo de Israel, mas apenas aos seus cidadãos. Que a conta do avião que os trouxe de um sítio para onde não quiseram ir, para onde não foram de livre vontade mas, antes, levados à força, com armas apontadas à cabeça, era sua. E entendeu informá-los disso através do jornais e das televisões.
Entende-se. Entende-se que, para o governo, não tem - obviamente - qualquer importância o custo de quatro viagens de avião de Israel para Portugal. Entende-se que, para o governo de Montenegro, Rangel e Nuno Melo, realmente importante é que os portugueses saibam que são aqueles portugueses que têm de pagar aquela viagem.
E entende-se - temos que entender - que somos nós os culpados de as coisas estarem a ser entendidas assim. De termos chegado aqui, ao reino absoluto do populismo!
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