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Se todos os jogos são de elevado grau de dificuldade para o Benfica, pelos obstáculos colocados pelos adversários, mas, mais ainda, porque já não tem qualquer margem de erro, este, em Moreira de Cónegos, era mesmo um jogo muito complicado, e tido por muito difícil mesmo.
Era vários os factores que complicavam a vida ao Benfica. Era o peso da história recente - o Benfica não ganhara ao Moreirense nos últimos cinco jogos -, era a qualidade da equipa treinada pelo já bem visível Vasco Botelho da Costa, eram os resultados - em casa o Moreirense tinha melhores resultados que o Benfica, ganhara todos os jogos, e apenas perdera com o Porto e empatara com o Famalicão -, e era o campo, de medidas mais reduzidas, um grande handicap a este futebol do Benfica, de Mourinho. Que precisa de espaços como de pão para a boca.
Daí a grande expectativa que rodeava esta segunda deslocação do Benfica ao Minho.
José Mourinho repetiu dez jogadores do onze inicial da passada quarta-feira, na Luz, contra o Nápoles. A alteração foi o regresso de Pavlidis ao onze, e o de Ivanovic ao banco, a confirmar a ideia que essa tinha sido a única alteração estratégica no jogo da Champions, e que o Tomás Araújo está de novo a ganhar espaço ao António.
Mesmo que o Benfica tenha entrado bem no jogo, até forte nos minutos iniciais, rapidamente o jogo começou a deixar a ideia que o campo era tão pequeno que facilmente o Moreirense o ocupava todo, pressionando por todo o lado, às vezes até a sugerir uma marcação individual pelo campo todo. Durante a metade inicial da primeira parte parecia que, enquanto os jogadores do Moreirense pressionavam com tudo, todos, em todo o lado, os do Benfica pressionavam ... com os olhos.
Curiosamente desta diferença de comportamento não resultaram grandes desequilíbrios, e o único cheirou a golo veio de Pavlidis, aos 11 minutos. Apenas por um curto período de cerca de 5 minutos, ali à entrada do segundo quarto de hora, o jogo caiu para o lado do Moreirense. Ainda assim, nem nesse que foi o seu melhor período em todo o jogo, o Moreirense conseguiu ameaçar a baliza de Trubin. O que então conseguiu foi deixar a ideia que seria muito difícil ao Benfica controlar o jogo.
À medida que o jogo ia correndo - e às vezes até endurecendo, com os jogadores do Moreirense a ultrapassarem as marcas (antes da meia hora já o sérvio Stjepanovic tinha arrumado com o Barreiro), com a condescendência da encomenda Hélder Carvalho, que fez ainda vista grossa a um penálti claro sobre Pavlidis, logo no arranque do jogo - o Benfica foi acertando posições e foi gradualmente invertendo o efeito da pressão. De pressionado, o Benfica passou a pressionador.
A pressão continuou a mandar no jogo. Só que mudara de sujeito. Ficou a ideia que, enquanto pressionaram com os olhos, os jogadores do Benfica estavam afinal a ver como se fazia. Aprenderam ... e pronto. Resolveram o jogo!
Acertando a pressão sobre o adversário o Benfica construiu o resultado, e a superioridade incontestável num jogo, deste grau de dificuldade, em que criou oito oportunidades de golo, sem consentir uma única. Mais do que consequência directa da pressão sobre o adversário e a bola (como acabariam por ser os restantes três), o primeiro golo, a cerca de 10 minutos do intervalo, Pavlidis, de cabeça, a cruzamento de Aursnes, é consequência da nova dinâmica que essa pressão trouxe à equipa.
Para a segunda parte, Barreiros, lesionado, foi substituído pelo miúdo Rodrigo Rego, provocando alterações em três posições, Aursnes saiu da direita, para onde passou o miúdo, para esquerda, donde saiu Sudakov, para o lugar de Barreiro. Sendo Barreiros uma peça chave na pressão alta, não se notou a sua falta. Pelo contrário, a dinâmica melhorou.
O Moreirense ainda deu sinais de querer voltar ao jogo. Teve bola e conseguiu até uma série de dois cantos consecutivos. Ficou-se por aí, o que contava para decidir o jogo era mesmo a pressão. Que se decidiu ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora, com Aursnes a recuperar a bola na saída do Moreirense para o ataque, e a assistir Pavlidis para o segundo.
O terceiro e o quarto, esses sim, resultaram directamente da pressão sobre a saída de bola do Moreirense. No terceiro, no hat trick, Pavlidis interceptou o passe do defesa (Gilberto), para rematar de imediato. No quarto foi Aursnes a interceptar o do guarda-redes, André Ferreira, para marcar um golo de grande categoria, fechando o resultado, e dando ainda tempo para lançar os reforços de inverno: Manu e José Neto.
No fim o Benfica confirmou que, mesmo sem atingir níveis exibicionais de superior qualidade, que de resto ninguém espera, está a melhorar, em muito, na consistência. Os processos estão a ficar consolidados, e essa é a melhor notícia destes últimos jogos.
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