terça-feira, 10 de março de 2026

E tudo o clássico levou ...


Confesso a minha profunda desilusão com José Mourinho depois do clássico de domingo, eu que, não tendo sido nunca apologista da da sua contratação, sempre a defendi depois. 


Sempre, desde então, entendi que Mourinho tinha sido a melhor opção para o Benfica. Raramente pelo seu futebol, muito pelos seus méritos próprios, mas fundamentalmente pelo contexto. Sem uma direcção afirmativa, sem estratégia, sem uma comunicação minimamente competente, Mourinho era a única competência a que nos podíamos agarrar. Disso aqui tenho deixado muitos e diversos testemunhos.


Depois, Mourinho via o mesmo jogo que nós, cansados de Schemidt e Lage verem sempre aquilo que não víamos.  Mesmo quando, antes de os ter na mão, atacava os jogadores não o levava a mal. Não gosto, em contra-mão com o sadomasoquismo reinante em muito da nação benfiquista, de dizer mal dos nossos jogadores. Para mim, até prova em contrário, são sempre os melhores. Mas percebia que ele tinha razão, e esperava que isso os espicaçasse. Vi como funcionou com Schjelderup, e como depressa passou a defendê-los, a todos. Mesmo os que nem sempre fossem defensáveis.


Entretanto a roda girou, o futebol da equipa ia melhorando, Mourinho estava com os jogadores, e os jogadores com ele, e só as peripécias da batota de uma competição falsa, e falsificada, iam impedindo uma aproximação ainda mais afirmativa ao topo da classificação. Era aqui que estávamos no domingo passado, pelas 18 horas. Quando Mourinho destrói todo este caminho.


E não o destruiu apenas por ter levado um banho táctico de Farioli, por ter posto uma equipa em campo a complicar em metade do jogo, para correr atrás do prejuízo na outra metade. Por ter tardado nas substituições, todas há muito tempo mais que óbvias. Ou por ter armado a confusão que cortou a energia à equipa para, depois do golo do empate, partir de imediato à procura da vitória. Ou seja, por não ter ganhado o jogo que teria de ganhar.


Destruiu-o na conferência de imprensa, onde era "simply the best".


Quando acusou a dupla Rios/Enzo (depois de meses a enaltecê-los, descarta-os sumariamente, e desvaloriza-os completamente nesta altura da época), voltando nesse caminho muito atrás.


Quando exaltou a "fisicalidade tremenda" do adversário, sem nunca referir a sua relação com impunidade total que o habilidoso João Pinheiro garantiu  aos jogadores do Porto. Sem referir que o Rafa foi imolado em sacrifício pascal às mãos do Varela. Sem referir que mais de metade das onze faltas do Benfica foram assinaladas, que não cometidas, dentro da área do Porto. Que as 21 assinaladas ao Porto, metade das cometidas, foram a cortar lances prometedores de transição do Benfica, a maior parte delas a roçar a violência, e sem sanção disciplinar.


Quando disse que não viu o penálti - os penáltis, melhor dito - do último lance, sabendo nós o que, em matéria de penáltis, significa o "não vi" dos treinadores. Ou quando a entrada a joelhos do Diogo Costa sobre as costas do Pavlidis, ainda na primeira parte (o que lhe servirá de atenuante por estar ainda à procura de perceber o que estava a acontecer), não foi suficiente para lhe merecer sequer um comentário.


E quando, por último, o que mais o incomodou naquelas duas horas, foi ter sido chamado de traidor por um tal Lucho Gonzalez.


Sou completamente avesso a condenações sumárias. Mas, no domingo, e ao contrário de tudo o que era o meu pensamento, deixei de ver qualquer razão para manter Mourinho na próxima época. Rui Costa poderá continuar a precisar dele, o Benfica não!

2 comentários:

  1. Que o presidente não se faça de mouquinho à sua oportuna reflexão.

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  2. Desconfio que seja completamente surdo ...

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