A Hungria vai a eleições no próximo domingo. Provavelmente nunca umas eleições num tão pequeno país europeu foram tão importantes para a Europa.
Viktor Orbán está poder há 16 anos. Logo que acabou de ganhar as eleições de 2010 começou a construir o seu regime autocrático.
Alterou a Constituição, começando por eliminar a exigência de uma maioria de quatro quintos para a rever e, menos de um ano após o início do mandato, já apresentava uma nova. À sua medida, diminuindo para metade o número de deputados (sempre a primeira medida populista), e redesenhando os círculos eleitorais em função da representação eleitoral do seu partido (circunscrições maiores em áreas com tendência para a oposição, e divisão das áreas favoráveis ao Fidesz em vários círculos).
Criou um Gabinete de Protecção da Soberania, que não foge muito de uma polícia política, e criou a Fundação para os Media da Europa Central (KESME) para consolidar os meios de comunicação que controla, e que hoje agrega cerca de 470 rádios, jornais nacionais e locais e sites de informação.
É hoje o governante mais corrupto da Europa - a Hungria é o país mais corrupto da Europa, segundo a Transparência Internacional - e um dos mais corruptos do mundo. E o autor da maior fraude com fundos europeus, que chantageia e sabota permanentemente a União Europeia.
Mais do que amigo, é o cavalo de Troia de Putin na União Europeia. Acabou de se saber que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó, transmitia ao seu homólogo russo, Sergei Lavrov, dados confidenciais da União Europeia. Mas é também o amigo que Trump escolheu na Europa, a ponto de JD Vance se ter deslocado - coisa nunca vista num vice-presidente americano - esta semana, a Budapeste para participar, com ele, num comício de campanha, em que o próprio Trump também participou por telefone. “Quando é que, na História recente, a Hungria teve aliados tão poderosos quanto os EUA, a China e a Rússia?”, exaltava o mestre de cerimónias do comício.
Ao fim de 16 anos Orbán tem pela primeira vez um adversário a disputar-lhe o poder: Péter Magyar, do Tisza (o partido que tem nome de um rio), que nas sondagens citadas pelos media independentes, dados por fidedignos, aparece com 58% de intenções de voto, contra 35% de Orbán.
Magyar foi durante 18 anos parte da engrenagem do Fidesz. Foi apoiante entusiástico das políticas de Orbán até a sua ex-mulher, a ex-ministra Judit Varga - que chegou a ser apontada como sucessora de Orbán - se demitir do governo. No entanto o programa do Tisza “escolhe a Europa”, compromete-se a reconstruir a confiança com os aliados da UE e da NATO e assume o objectivo de aderir à zona euro até 2030.
Os opositores de Orbán agarram-se à esperança. Mas desconfiam de Magyar. Interrogam-se se será capaz de desmantelar uma estrutura de favorecimentos da qual beneficiam muitos dos seus familiares e amigos, e da sua rede.
Subsiste ainda, com forte probabilidade, a hipótese de fraude eleitoral. Com Putin, de um lado, Trump do outro, e Orbán no meio, não seria grande surpresa.
Nada é muito animador!
Sem comentários:
Enviar um comentário