sábado, 25 de abril de 2026

Benfica 4 - Moreirense 1

Richard Ríos festeja golo marcado ao Moreirense - Foto: Filipe Amorim/LUSA


Para esta recepção ao Moreirense - das equipas ditas pequenas a que mais mossa tem provocado na Luz -, em dia de celebrar a liberdade, com as bancadas da Luz bem perto de cheias, Mourinho mudou metade da equipa, apenas mantendo o trio do meio campo. Mudou toda a frente de ataque, hoje com Lukebakio, Pavlidis e Rafa, justamente a que, há uma semana, acabou o dérbi de Alvalade, e metade da linha defensiva, donde saíram o Tomás Araújo, lesionado, e Dedic. 


Com muitos dos quase 60 mil adeptos ainda a sentarem-se nas suas cadeiras o António Silva arrancou com a bola por ali fora, deixou para trás quem lhe apareceu pela frente, e assistiu para o golo de Leandro Barreiro. E o Benfica entrava a ganhar!


O que é sempre bom, mas que no Benfica ... vale o que vale. E quase sempre vale pouco!


Até porque o Moreirense respondeu de imediato, com duas ou três oportunidades de golo na sequência de uma mesma jogada, com dois cantos (o primeiro com uma notável preparação)  consecutivos. A que o Benfica respondeu logo de seguida com António Silva a acertar no poste. Foram 10 minutos numa dinâmica mais própria de um combate de boxe que propriamente de um jogo de futebol.


Nos minutos seguintes o jogo estabilizava, com o Benfica por cima. Antes de, a meados da primeira parte, o jogo entrar numa fase de posse de bola dividida, mas estéril, Lukebakio falhou por pouco a baliza, e Pavlidis teve então a sua primeira oportunidade,  roubada - literalmente - por um defesa do Moreirense. Quando o grego ia a rematar a bola para dentro da baliza, de trás, como que invisível, o defesa afasta a bola, desviando-a sete ou oito metros da baliza, pela linha final. Serve o momento para assinalar a primeira das muitas provocações do Sr Vasilica, o tal daquele fantástico penálti do Porto que lhe valeu os três pontos naquele jogo com o Arouca: assinalou pontapé de baliza. 


Estava o jogo já estabilizado nessa posse estéril quando, de um canto a favor do Benfica, o guarda-redes, André Ferreira, formado no Benfica - como a maioria dos jogadores do Moreirense - chutou para a frente para  o número 2 - Travassos, outro miúdo, este formado no Sporting - que jogou em todo o lado, aparecer a correr pela direita, aproveitar o monumental falhanço do Dahl e, sozinho à frente de Trubin, empatar o jogo.


Valeu que ainda havia um bocadinho de combate de boxe no ADN do jogo. E Rios, assistido por um toque soberbo de Barreiro, menos de três minutos depois, voltou a deixar o Benfica na frente do marcador. Fechava-se aqui meia hora de um jogo palpitante. 


Foi preciso esperar mais de uma hora para voltarmos a vibrar com o jogo. O que se seguiu foi um jogo desinteressante, aqui e ali partido, na maior parte do tempo mal jogado, e entregue às bizarrias do Sr Vasilica. Entre elas ignorar o empurrão claro e óbvio a Otamendi na área do Moreirense. Ele que conseguiu ver penálti para resolver aquele jogo a favor do Porto, quando Fofana só trocou os pés (Schjelderup ainda tentou uma coisa parecida mas, com uma camisola vermelha, para o Sr Vasilica já não dá), não conseguiu ver aquele empurrão a impedir o capitão do Benfica de chegar à bola para a rematar para a baliza. Mas viu mais uma meia dúzia deles, fora da área, quando os jogadores do Benfica encostavam nos adversários.


Na segunda parte o Moreirense não criou coisa nenhuma, nem sequer apoquentou Trubin. E o Benfica só depois das substituições, à entrada do segundo quarto de hora, conseguiu voltar a agitar o jogo. Lukebákio, que só corre para a frente, desaparecera do jogo. Bah tarda a reaparecer, e nunca revelou entendimento com o belga, na ala direita. Rafa praticamente nunca existira no jogo. 


Schjelderup, Prestianni e Dedic, que os substituíram, cortaram logo com o adormecimento da equipa. O resto caberia a Ivanovic, a substituir - tarde, José Mourinho foi insistindo na esperança que o golo redentor lhe pudesse acontecer - o triste e descrente Pavlidis, já à entrada para os últimos 15 minutos. Com dois golos em três minutos. E quatro grandes oportunidades em 10!


Parece-me no entanto que o Benfica não pode, nesta altura do campeonato, depois de ganhar em Alvalade, ter uma prestação como a que assistimos na maioria da segunda parte. Porque foi assim que perdeu 10 dos 18 pontos até agora perdidos no campeonato. Não tivessem sido os últimos cinco minutos,  e este seria o jogo que bem poderia explicar por que, querendo Mourinho continuar no Benfica, se calhar, não pode!


  

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