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Não é possível aceitar que o Benfica não consiga ganhar um jogo ao Casa Pia, uma equipa que luta para evitar a despromoção, com a segunda defesa mais batida do campeonato. Nos últimos três jogos com este adversário, em 9 pontos, o Benfica conquistou ... dois. Perdeu 7 com um adversário destes. Só nesta época perdeu quatro, 4 pontos que dariam outro rumo às contas do campeonato.
Nem é possível aceitar que, numa jornada - quando já só faltam seis - que foi mais do mesmo, com escândalos em Alvalade no Dragão, curiosamente com dois (Manuel Mota, em Alvalade e Luís Ferreira, no Dragão) dos três VAR que mais escandalosamente fazem resultados em Portugal, o Benfica não tenha feito o que tinha de fazer para alcançar o único resultado a que estava obrigado.
Desde cedo o Benfica deixou perceber que não estava ali para levar o jogo muito a sério. Nos primeiros cinco minutos não conseguiu sequer sair do seu meio campo, o que, claramente, não era a entrada afirmativa de quem quer ganhar o jogo.
Por muitas que tenham sido as incidências do jogo só nos últimos 10 minutos da primeira parte o Benfica começou a ameaçar seriamente a baliza do Sequeira, um guarda-redes de engate, que engata sempre nos jogos com o Benfica. De tal forma que parecia que, chegando na melhor altura da equipa, o intervalo ia chegar na pior.
No entanto o pior pode sempre ser pior. E tê-lo-ia sido se naquele último lance, no único remate à baliza (contam dois, o remate defendido por Trubin e a recarga, safada pelo Enzo, mas é um único momento) o Casa Pia tivesse marcado. Um lance sintomático: numa bola sacudida pela defesa do Casa Pia, o árbitro assinalou uma falta ao Enzo numa disputa de bola, que pareceu não ter acontecido; como já tinha acontecido num livre anterior, sem que ninguém tivesse aprendido nada, os gansos marcaram rapidamente deixando os jogadores do Benfica a ver a bola passar.
A entrada do Benfica para a segunda parte, estranhamente com os mesmos jogadores, deixava perceber as melhorias dos últimos minutos da primeira. As oportunidades de golo, como os cantos, iam-se acumulando. Antes do primeiro quarto de hora Mourinho trocou o inoperante Lukebakio pelo irrequieto e incisivo Prestianni, no banco por ter regressado da selecção argentina com febre. Não era propriamente um futebol extraordinário mas o jovem argentino trazia mais intensidade ao cheiro a golo.
A substituição tinha sido tardia. E como o jogo corria, insuficiente. Queimar um dos três momentos de substituição com uma apenas não parecia grande decisão. Foi já com Sudakov e Ivanovic junto à linha que, aos 68 minutos, o Benfica finalmente marcou, num encosto de cabeça de Rios, assistido também de cabeça por Schjelderup, em resposta a um bom lance de Prestianni.
O golo mudou a ideia de Mourinho, que fez apenas entrar o ucraniano, retirando Rafa. Não foi grande ideia. A não ser que Rafa não tivesse condição física prosseguir, finalmente a ganhar, e com o Casa Pia a ter de sair para disputar o jogo sem ser a defender, o português era muito mais útil em campo que o ucraniano, que tem sempre mais uma volta a dar com a bola, antes de a passar ... para trás. O mesmo se aplica ao ponta de lança croata que, com espaço, é mais útil que propriamente dentro da área.
Ou seja, também Mourinho errava. E bastaram 10 minutos para o Casa Pia marcar. É um golo dos distritais: Pavlidis e Enzo saltam à bola lançada pelo guarda redes adversário, e perdem automaticamente a primeira e a segunda bola. A partir daí, a defesa desposicionada, e a falta de intensidade na disputa da bola, fez com que fossem os jogadores casa-pianos a ganhar todos os ressaltos, até ao remate final do Rafael Brito, formado no Benfica.
Do nada, mas de um sucessão de erros - também de Mourinho, tem de o assumir - em apenas 10 minutos, e sem ter tido de se expor, o Casa Pia voltava ao empate. Que defendeu até ao fim, como só tinha feito durante todo o jogo.
No desespero, Mourinho tirou Enzo e Bah para entrarem Anísio e, finalmente, Ivanovic. Claro que o Benfica teve ainda mais oportunidades de ganhar o jogo mas, com três pontas de lança, e dois alas, nunca teve quem mostrasse ser capaz de os marcar.
Não é só Pavlidis que é hoje um fantasma. É toda a equipa. É todo o Benfica!
Um comandante nunca culpa os seus soldados. Se nem uma vez muito menos sempre.
ResponderEliminarÉ verdade. Mas pode castigar.
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