segunda-feira, 27 de abril de 2026

Era uma vez na América ...

Faz parte do trabalho”, reagiu Trump ao terceiro ataque de um atirador no  seu segundo mandato: o que se sabe sobre o tiroteio no Hilton - Expresso


Era mais um jantar dos correspondentes da Casa Branca. Um evento criado no início do século XX  pela Associação de Correspondentes da Casa Branca, que se tornou num dos mais simbólicos da política americana, que reúne jornalistas, políticos e o próprio presidente. Que, para além do espectáculo mediático, tem também tem uma dimensão filantrópica, financiando bolsas de estudo para estudantes de jornalismo.


A associação foi fundada justamente por jornalistas que cobriam a Casa Branca, numa altura em que circulava o rumor de que um comité do Congresso poderia passar a controlar a selecção dos jornalistas autorizados a assistir às conferências de imprensa do então presidente Woodrow Wilson. E foi a resposta que, há 112 anos, os jornalistas então encontraram para a garantir autonomia da imprensa no acesso ao poder político. 


O centro do evento são os jornalistas, e os trabalhos distinguidos, mas sempre em ambiente de muito humor e crítica, mas leve e de diplomacia. Sem recuar muito, ficam para a História, George H. W. Bush ao lado do comediante Dana Carvey, o seu mais sarcástico imitador; George W. Bush (filho), a recorrer à comédia para ironizar a procura por armas de destruição maciça no Iraque; ou as brincadeiras de Obama Donald sobre a sua naturalidade de nascimento, posta em causa por Trump.


Tudo mudou com a chegada de Trump, e com o ambiente de alta tensão que criou com o jornalismo, os jornalistas e, naturalmente, a Associação. Trump foi mesmo o primeiro presidente recente a deixar de comparecer ao jantar. Nunca compareceu durante todo o seu primeiro mandato. E arrancou para o segundo, no início do ano passado, a anunciar que a Associação deixaria de determinar quais os meios de comunicação social com acesso ao presidente.


 Hoje Trump escolhe quem entra na Casa Branca. Escolhe a quem responde, e quem humilha.


No sábado, pela primeira vez - sem solução para o que criou no Irão, em vertiginosa queda de popularidade, com a economia no estado em que está, e com eleições à porta - Trump surgiu no jantar dos correspondentes da Casa Branca. O resto é conhecido: de repente um tiroteio,  e Trump - e Vance, e Rubio - a ser retirado e levado para "local seguro".


Atentado, dizem. O terceiro que sofre. Minutos depois, poucos, já Trump surgia nas televisões a contar pelo que tinha passado. Percebia-se que lia um papel... 


 

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