
Não foi um enorme espectáculo de futebol, este dérbi de Alvalade. Mas foi um grande jogo, e foi um espectáculo completo. Não teve aquele futebol de fino recorte, mas teve tudo o que de resto pode caber num jogo futebol.
Do lado do Sporting não houve surpresa. A mesma equipa que na quarta-feira empatou em Londres, com o Arsenal, e o mesmo (bom) futebol que a caracteriza. O futebol do Benfica também não surpreendeu. Não varia muito o futebol de Mourinho, está bem padronizado, goste-se mais, ou menos. O onze inicial sim, pode dizer-se que surpreendeu ... algumas pessoas.
Na verdade ninguém ficou surpreendido com Rafa e Pavlidis no banco. Mais que expectável, era natural. Tal qual a presença de Ivanovic no onze.
O 4x4x2, com Barreiro a ajudar Ivanovic na pressão alta, Aursnes e Rios a controlarem o meio-campo, e os dois alas do costume, Pestianni e Schjelderup, a carregar jogo, era a arma do Benfica para contrariar o futebol mais trabalhado do Sporting.
Depois era o choque de sistemas. E, claro, os incidentes do jogo, aquelas pequenas coisas que se não controlam, mas que são sempre decisivas.
Foi um intranquilo Trubin a desviar de forma pouco ortodoxa um remate traiçoeiro, já antes desviado, para a trave, logo no início do jogo. E o Rui Silva a evitar, logo a seguir, o golo de Otamendi. O Trubin a defender o penálti de Luis Suarez, e o guarda-redes do Sporting a ser batido no de Schjelderup.
Foi assim a primeira parte, em que o Sporting teve naturalmente mais bola, sem que lhe valesse qualquer outro tipo de superioridade no jogo. Pelo contrário, era o Benfica que, por essa "pequena coisa" de Schjelderup ter marcado o que Suarez falhou, saía na frente do marcador. E não foi muito diferente a primeira meia hora da segunda, mas com mais oportunidades de golo para ambas as equipas.
Com o Benfica sempre a responder da mesma moeda a cada oportunidade de golo do Sporting. Na maior parte das vezes com oportunidades mais claras. O Sporting voltaria a ter uma bola no ferro, desta vez no poste, no remate do Pote. Schjelderup responderia duas vezes, com dois remates para golo. Um deles (52') para uma enorme defesa de Rui Silva, a superiorizar-se a Trubin na quantidade e na qualidade de trabalho .
Quando o Sporting fez algo diferente - um raro cruzamento de Debast (cedo Rui Borges entrou no jogo das substituições, começando curiosamente pela defesa, para lhe dar qualidade com bola com a entrada de Debast, em vez de Diomandé, e profundidade, com Vagiannidis, por troca com Quaresma) para a resposta de cabeça de Morita (72'), à entrada da pequena área - marcou. Trubin nem tentou a defesa.
A partir do golo do empate o jogo cresceu ainda mais. E atingiu então a emoção que fez dele um grande espectáculo.
Mourinho mudou a frente de ataque com a entrada - tardia, há muito que Prestianni e Schjelderup se arrastavam em campo; e os serviços de Ivanovic também já há muito que eram dispensáveis (roubou uma bola a Prestianni, quando ele ainda tinha gasolina, e rompia pela área do Sporting com tudo para fazer golo) - de Pavlidis, Rafa e Lukebakio, que mexeram substancialmente com jogo. E rapidamente (82`) Lukebakio construiu a mais flagrante de todas as oportunidade de golo do jogo, com Leandro Barreiro a ter o seu momento Bryan Ruiz. Há 10 anos que em Alvalade se não via uma coisa assim.
E assim o empate entrava pelos 5 minutos de compensação atribuídos por João Pinheiro, finalmente com um desempenho irrepreensível. Logo no primeiro desses 5 minutos o Sporting marcou. Para que o sabor fosse ainda mais amargo, marcado - e com que categoria! - por um defesa central que os de Alvalade foram buscar à formação do Benfica que, afinal, é ponta de lança. E dos bons, ao que parece!
O golo foi anulado por fora de jogo do rapaz e, na resposta, foi o outro Rafael, o Silva, o nosso Rafa, a entrar com a bola pela baliza dentro para o golo da vitória.
Mais emoção era impossível!
Para o campeonato é que acabou. Ao Porto só falta a Matemática para ser campeão. E o segundo lugar, que hoje, com todo o mérito, o Benfica poderia ter igualmente deixado só dependente da Matemática, com aquele inaceitável empate com o Casa Pia, em Rio Maior, depende agora de uma improvável escorregadela do Sporting.
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