sexta-feira, 3 de julho de 2026

Mundial das Américas - XI (o jogo de Diogo J)

 


Há jogos de futebol que são mais que um jogo de futebol. O Portugal-Croácia, desta noite, em Toronto, em território canadiano, foi mais que um jogo.

Portugal entrou em campo com uma memória. A memória de Diogo Jota acompanhou esta equipa desde o primeiro minuto. Acompanhou a equipa em todos os minutos. Todos os longos minutos da primeira parte, de uma superioridade clara é óbvia. Mas também todos os minutos da segunda parte, especialmente depois do golo croata, quando a equipa nacional colapsou tacticamente.  

Não se via, mas a memória de Diogo Jota - desaparecido fazia precisamente um ano enquanto o jogo decorria - sentia-se. Estava ali. Na união, na forma com cada jogador corria. Como cada jogador reagia às diferentes vicissitudes da bola. Como cada jogador se viu perdido no equívoco táctico de um seleccionador incompetente. E esteve nos momentos de sorte, que foram muitos. 

Para tentar resolver as suas próprias trapalhices Roberto Martinez deu finalmente conta que tinha convocado Gonçalo Ramos, que salvou a eliminatória, defendendo por todo o lado, e marcando um golo que só ele sabe marcar. Em tempo de compensação, a escassos minutos do fim. Ainda assim não tão escassos... A Croácia teria ainda tempo de voltar a empatar. Valeu que Mario Pasolic tocou mesmo na bola - o "chip" na bola, a "validar" o toque, tirou as dúvidas - e deixou Gvardiol em fora de jogo.

Agora vem a Espanha, uma das grandes selecções do mundial. Provavelmente a segunda, atrás da França. Portugal tem melhores jogadores, falta-lhe treinador.

Não sei bem se falta competência a Roberto Martinez se lhe sobra medo. O eterno medo de mexer nos intocáveis. Que sucumbiu ao de perder o jogo. O medo de perder o jogo foi maior que o de tirar da equipa João Cancelo, Vitinha, Pedro Neto e Bruno Fernandes. 

Já o medo de tirar Cristiano Ronaldo é mais complexo. Cristiano mete medo, com ontem se viu. E, depois, é o melhor em campo para a FIFA. Mesmo que tenha anulado as jogadas de ataque da equipa, por estar em fora de jogo. Mesmo que, fora isso, apenas tenha um remate à baliza. De pênalti. E um golo, de pênalti!

É assustador. E razão para ter medo. Muito medo!

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