O caos na correcção digital das provas de exame nacionais é apenas mais um exemplo, demasiado flagrante, de como as coisas funcionam no país. De uma forma muito própria - a forma "tuga" - de tratar das coisas.
O problema, evidentemente, não está na correcção digital. Não faz sentido outra coisa, na era da digitalização. Mas começa aí!
O Estado tem sempre dificuldades com as novas tecnologias. É uma área em que não dispõe de recursos humanos. Eles são disputados com o sector privado e, como se sabe, o Estado não dispõe de condições competitivas. Por isso recorre ao "outsourcing", o que por si não tinha nada de mal, não fossem, de novo, as limitações do Estado.
Nessa subcontratação normalmente falha. Ou é enganado, que é a mesma coisa. Falha no planeamento, na concepção e nas redundâncias. E fica sem um plano B, quando tudo falha. Em vez de assumir as falhas, insiste até ao intolerável em negá-las.
Fernando Alexandre, um ministro tido por sério e competente, foi mais uma vítima desta maneira "tuga" da fazer as coisas. Também ele foi "tuga" e surgiu ao país como um político sem norte, perdido no labirinto. Penoso que decidisse como se confiasse, sem estar certo que aquilo em que confiava merecia confiança... Penosas as trapalhadas em que se meteu ...
Claro que governo, à boa maneira "tuga", apostava tudo em manter esta polémica bem tapada pelo futebol. Montenegro foi à América não sei quantas vezes, e contava com a exaltação dos portugueses, agarrados à bandeira, ao hino, a Cristiano Ronaldo. E aos golos que não fazia, do lado de lá do Atlântico.
Mal fomos mandados para casa pela Espanha demos conta do drama de milhares de alunos, professores, famílias. E do ministro da educação!
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