Com a passagem pelo Tourmalet, desta feita na única vez nos Pirineus, a volta a França atingiu o seu primeiro grande momento desta edição. Foi a etapa 6, entre Pau, no sopé dos Pirineus, e Gavarnie-Gedre, com passagem pelo Cole D´Aspin e pelo mítico Tourmalet.
Não que as 4 etapas, entre a primeira e esta, tenham sido desprovidas de interesse. Logo nas primeiras etapas Pogaçar disse ao que vinha. Na segunda deu-se até ao luxo de abdicar da vitória - que entregou sobre a linha de meta ao seu companheiro Isaac del Toro, o mexicano que é um sério candidato ao pódio - e da camisola amarela. Na terceira ganhou-a mesmo, e alcançou a liderança. Que perderia no dia seguinte, numa fuga bem sucedida - com mais de 12 minutos de vantagem - de gente que não incomoda quem manda no pelotão. E no dia seguinte foi finalmente a vez dos sprinters, com uma chegada em pelotão.
A fuga de anteontem é daquelas que surpreendem, e muitas vezes tornam-se incómodas para muita gente. Quem não se lembra de Afonso Eulálio no Giro?
Torstein vestiu a amarela, com cerca de 8 minutos de vantagem sobre as principais figuras do pelotão, e prometia guardá-la por muito tempo. Afinal perdeu-a logo que a montanha apareceu. Já a tinha virtualmente perdido quando teve a infelicidade de cair - distraiu-se e tocou na roda de um seu companheiro, que o ajudava -, que agravou a longa perda de tempo.
Hoje foi mais um recital de Pogaçar, a demonstrar aquilo que já sabíamos, que não tem rival á altura. Nem mesmo Vingegaard. E que a UAE traz igualmente o colectivo mais forte para o Tour.
Como demonstrou ao longo da etapa, se é que havia dúvidas. Pogaçar atacou a 43 quilómetros da meta, e a cerca de seis da montanha de primeira categoria, no Tourmalet, Primeiro na companhia de Isaac de Toro. Poucos metros depois a solo, foi-se embora.
Começou Vingegaard por resistir bem. Encontrou o seu ritmo, passou pelo mexicano, e durante alguns quilómetros pareceu controlar os danos. Depois ... afundou-se. No cume do Tourmalet Pogaçar já registava mais de 30 segundos, que lhe valeriam a longa descida isolado. Aí aumentaria a vantagem, mas seria na subida final que cavaria o fosso de 2 minutos e 38 segundos.
Logo atrás de Vingegaard chegariam, 29 segundos depois, del Toro, Evenepoel, Paul Seixas, o jovem prodígio, de descendência portuguesa, Lipowitz e Ayuso.
Se o vencedor do Tour está prematuramente encontrado, com Pogaçar a juntar-se aos restrito grupo dos penta vencedores do Tour, o pódio está aqui. Neste grupo!
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