segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mundial da África do Sul #7: Arbitragem - Dia Negro ou Dia Zero?

Por Eduardo Louro


 



As arbitragens até nem vinham mal de todo. O pano não era do melhor – não se podendo, por isso, dizer que no melhor pano cai a nódoa – mas lá iam levando a água ao moinho. Até ontem!


Começou no Argentina – México: quando, surpreendentemente, o México dominava o jogo e se impunha à agora super favorita equipa alvi-celeste do agora grande seleccionador Maradona, a arbitragem de uma equipa italiana, liderada por um tipo com um certo ar de vaidoso, valida um golo argentino obtido a partir de um dos mais escandalosos foras de jogo de que há memória. A partir daí, e com mais um erro grosseiro, desta vez de um defesa mexicano, a Argentina ganharia (3-1) e garantiria o acesso aos quartos de final, onde irá encontrar o seu parceiro de sorte.


Precisamente a Alemanha que, no segundo jogo do dia – provavelmente o melhor jogo da prova até agora – beneficia do que será o mais escandaloso erro de arbitragem num campeonato do mundo. Desta vez é uma equipa de arbitragem uruguaia que invalida um golo da Inglaterra quando toda a gente viu a bola bem dentro da baliza. O golo que consumaria uma recuperação notável da equipa inglesa de 0-2 para 2-2, numa altura fundamental do jogo. A Alemanha acabaria por, numa estratégia de contra-ataque que, assim, pôde sempre manter, ganhar o jogo (4-1) e chegar aos quartos de final.


Vêm-nos há memória os erros em anteriores campeonatos do mundo. Lembramo-nos do Mundial de Inglaterra de 1966, onde a Alemanha perdeu a final precisamente para a mesma Inglaterra com um golo que não o teria sido. Mas desse ainda hoje ninguém tem certezas. Com dois erros tão escandalosos como os de ontem é que não há memória…


Veremos até que ponto este mundial não ficará marcado pela questão da arbitragem. A França já aqui chegara através do benefício de um outro erro grosseiro. Pagou com uma participação lastimável, como vimos. Agora, com os dois beneficiados a defrontarem-se entre si, apenas um deles irá pagar! O outro chegará sempre a um dos melhores quatro lugares.


Meios auxiliares de decisão para as equipas de arbitragem por recurso às novas tecnologias disponíveis? Claro que sim, a decisão do recorrer a essas tecnologias não pode sequer ser questionada! Guardem-se as questões apenas para o quando e o como!


 

3 comentários:

  1. Soube ontem desse caso idêntico passado em 1966. Segundo a reportagem que vi, já se sabe que esse golo que foi assinalado como tal, foi de facto golo. Recorrendo as técnicas de imagem baseadas na informática actual deixou se haver dúvidas. O golo de Inglaterra na final de 1966 foi de facto golo.
    Sobre o que define como sendo um possível dia zero, concordo e espero que assim seja. É tempo da FIFA recorrer às imensas tecnologias disponíveis para evitar as injustiças e assim não defraudar os milhões de amantes do desporto-rei.
    Ainda há pouco mais de um ano soube-se de um escândalo que rebentou na Alemanha que envolvia a manipulação de resultados de futebol e corretores de apostas e depois nunca mais se soube de nada. Não quero desenvolver nenhuma teoria da conspiração mas não faz sentido que a FIFA, UEFA, etc se recusem a assegurar a verdade desportiva, negando o recurso às tecnologias disponíveis, como acontece noutros desportos de massas como o basquete americano, dando dessa forma margem de manobra às máfias.
    Se o que se passou tivesse acontecido contra o Gana, Paraguai, Portugal,... ou outro não passaria de um fait-diver, mas como foi com a Inglaterra pode ser que estejamos perante uma oportunidade de evolução.
    A ver vamos.

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