Por Eduardo Louro
Pronto. O OE para 2011 está aprovado! Como tinha de ser?
Sim, como tinha de ser … por imposição externa. Mas sem o mínimo de dignidade, sem o mínimo sentido de responsabilidade e sem tranquilizar ninguém. Antes pelo contrário!
Resultado de uma enormidade esquizofrénica, de uma negociação de costas viradas para a seriedade, sem convicção e entre pessoas que desconfiavam umas das outras, a aprovação deste orçamento, que deixou o país em suspenso durante tanto tempo, não deixa ninguém tranquilo. Poderá deixar alguém aliviado, momentaneamente aliviado. Mas só isso.
À vergonha das negociações da semana passada sucedeu-se a vergonha da discussão de ontem e hoje na AR.
Como é que é possível que duas partes que acabam de negociar um acordo estejam em total desacordo sobre o que acordaram?
O mote havia sido dado com a rábula da assinatura do acordo. E com a fotografia! O PSD não queria por nada ficar naquela fotografia… O governo, já que fora, também ele, obrigado àquele acordo, queria mesmo a fotografia. Com o PSD ali ao lado, bem à vista!
Claro que, sem fotografia mas com muitas câmaras de filmar, o plenário da AR transformou-se numa enorme arena onde valeu tudo. Tudo mesmo e, para que não faltasse nada, até o discurso de encerramento ficaria a cargo, imagine-se, do trauliteiro-mor do governo: Santos Silva.
Por que é que é o Ministro da Defesa a encerrar o debate do OE? Bom, aquilo era mais guerra que orçamento, talvez esteja aí a explicação …
Mas pronto, chegou ao fim mais uma farsa das muitas com que nos vamos entretendo. É evidente que o orçamento não é para cumprir. Qualquer pessoa percebe que vem aí uma recessão que põe em causa a receita fiscal. E qualquer pessoa percebe que, com um governo minoritário, fazer o maior corte de sempre na despesa, é uma miragem. É um corte bem superior ao de 1984, na altura com um governo do bloco central a representar mais de 2/3 do eleitorado e ainda com a protecção dos guarda-costas do FMI!
É mais uma farsa. Que não acalma mercados nenhuns (como é que poderiam acalmar com o que se passava na AR?) mas que deixa aliviados Durão Barroso e, em especial, o primeiro-ministro José Sócrates que, com um ar de tenebrosa irresponsabilidade, nos fazia lembrar aqueles tipos que só vivem de expedientes e que, no fim de mais uma aldrabice, ostentam aquele aspecto travesso de quem acha que “desta já me safei, vamos a outra…”!
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