Por Eduardo Louro
Quando na semana passada o país andava entretido com umas brincadeiras a que chamavam negociação do orçamento, e ainda antes dos puxões de orelhas dados àqueles dois meninos em Bruxelas (ou será que foram postos à janela com orelhas de burro?), um deputado da nação anunciava a despedida do parlamento.
Chama-se Agostinho Branquinho, um nome cheio de “inhos”, e é deputado do PSD!
Desiludido com a política, pensarão uns: afinal ninguém é de ferro, ainda há muita gente que passa por lá e que não tem estômago para aquilo! Regressou à vidinha dele, fez muito bem – pensarão outros.
Não. Nada disso. Foi contratado para a On Going, o grupo que o deputado, ainda há poucos meses – por altura do inquérito parlamentar ao chamado negócio PT/TVI, cuja comissão integrava – avaliava depreciativamente, criticando causticamente a linha editorial dos seus títulos. O mesmo grupo que, depois de alinhar ao lado da PT na estratégia de compra da TVI, com o intuito público de anular o papel casal Moniz, acaba por contratar o hiper indemnizado José Eduardo Moniz, ainda à porta da Media Capital. Isto é, para além de todos os eventuais pouco claros contornos, contrata o Senhor Televisão (sim, hoje já só há um, o outro foi exterminado) … sem ter televisão! Para que servirá um Senhor Televisão sem televisão?
Perguntarão: e o que é que o deputado Branquinho tem a ver com isto?
Se calhar pouco. Além de ser figura do PSD e de, ao que consta, ser um fervoroso adepto da privatização da RTP. Nada de mal em ser figura do PSD e nada de mal em defender a privatização da televisão pública. Eu também a defendo: é cara de mais para o serviço que presta – que em nada se distingue do das estações privadas – é alvo permanente de instrumentalização e agência de emprego e de influências das clientelas partidárias.
Mas se repararmos que o país está entregue a grupos de interesses acomodados nos poderes que a política foi criando, se repararmos na apetência da On Going por essa acomodação, como se viu pela proximidade ao actual governo, e ainda no intenso cheiro a poder que grassa lá pela S. Caetano, e lhe juntarmos a forte probabilidade de privatização da RTP, começa a perceber-se o que este é um Branquinho pouco claro. Um branquinho mais escurinho que clarinho!
Prefiro por isso o tintinho!
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